Excesso de agrotóxicos nos alimentos causam prejuízos à saúde

A aprovação do projeto de lei que muda a legislação brasileira sobre agrotóxicos no último dia 25 na Câmara dos Deputados causou polêmica nas redes sociais e entre ambientalistas. A proposta rechaça a palavra “agrotóxico”, adota o termo pesticida e prevê que esses produtos possam ser liberados pelo Ministério da Agricultura, mesmo que outros órgãos reguladores não tiverem concluído análises sobre os eventuais riscos.

Os que defendem o projeto alegam que é importante ter mudanças na agricultura, que é um dos motores da economia brasileira. Os que são contra argumentam que a flexibilização do uso de agrotóxicos pode trazer prejuízos para a saúde da população. No Brasil, cada pessoa consome em média sete litros de agrotóxicos por ano. Um terço dos vegetais mais consumidos no país apresentam níveis intoleráveis de agrotóxicos, presentes na maioria dos alimentos como verduras, legumes, carne, leite e industrializados.

“As toxinas se depositam nas células adiposas (gordura) das pessoas e dos animais porque o organismo não consegue metaboliza-las, sendo assim responsáveis por diversas doenças do tipo inflamatórias, autoimunes, fatores neurológicos, Parkison, Alzheimer, depressão, diabetes e até infertilidade”, explica a embriologista chefe de laboratório do Centro de Reprodução Humana de Rio Preto, Ligia Previato. Além dos problemas citados, mulheres podem entrar na menopausa precocemente e homens podem ter uma diminuição drástica da produção de espermatozoides.

A embriologista ainda destaca o risco para as mulheres grávidas. “Essas substâncias desorganizam o sistema hormonal da mãe, ultrapassam a barreira placentária e comprometem a formação saudável do bebê. Entre os principais prejuízos estão: o fechamento incompleto do tubo neural (espinha bífida), deformidades, problemas respiratórios, baixo peso ao nascer, parto prematuro e feminilização dos fetos masculinos”, comenta. Os alimentos mais contaminados são tomate, pepino, morango, alface, abacaxi e laranja.

Para manter uma alimentação saudável, Ligia recomenda os alimentos orgânicos. “Quando não for possível, a melhor opção é também buscar alimentos de época, pois esses necessitam de pouco ou nenhum tipo de agrotóxico para ser produzido”, finaliza.
O novo projeto de lei não agradou a população. “O certo era diminuir os agrotóxicos ao invés de aumentar. Já tem muito”, afirma a motorista Rosangela Pachacepe. “Essa mudança nem deveria ter sido cogitada. Isso acaba com a saúde das pessoas”, criticou o eletricista Aroldo Gomes.

O texto ainda deve passar por mudanças na Câmara antes de ser encaminhado para o Senado e receber sanção presidencial. A votação só deve ser retomada após o períodos de campanha eleitoral. Colaborou: Vinicius LIMA

 

Da REPORTAGEM

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