Especialista diz que caso de abandono de bebê foi planejado há tempos

Bilhete - Mãe pediu para cuidarem de sua filha

Na última segunda-feira, a pequena Yasmim, recém-nascida, foi abandonada pela mãe em uma das ruas do bairro Pereirinha, em Penápolis, que fica a 110 km de Rio Preto.
Enrolada em um cobertor e dentro de uma mochila, Yasmim foi encontrada por uma mulher que passava pelo local e escutou o choro da criança. Junto com o bebê também havia uma carta, escrita por sua mãe, pedindo, por favor, para cuidarem de sua filha.
O caso chamou atenção e virou motivo de debate pela região. Porém, para o psicólogo clínico, Marcus Vinicius Gabriel, muitos fatores podem estar associados à atitude de abandono.

“As interpretações também são várias e devemos ter a cautela de buscar entendimentos, caso a caso. Em via de regra, a pessoa planejou este abandono há tempos, durante a gestação. Demonstra um ato estruturado, pois deixou uma mensagem consciente e estruturada nos elementos principais. Não demonstra ser um abandono por rejeição emocional, mas por dificuldades em manter o bebê e sustentá-lo financeiramente”, afirmou Marcus Vinicius Gabriel.

Para o especialista, o fato da mãe ter dado um nome para a filha, antes de abandoná-la, é outro indício de um ato pensado.

“Se há o nome, é porque a mãe deu importância à recém-nascida, mesmo sem condições. As questões emocionais são desafiantes neste aspecto. São etapas emocionais antes, durante a gestação e após o nascimento para lidar. Em suma, de alguma forma, foi um ato mais racional do que emocional, em virtude da consciência da pessoa sobre não dispor de condições”, explicou o psicólogo.

Questionado se a mãe de Yasmim teria outra opção, para não abandonar a filha, Marcus Vinicius Gabriel, disse que sim, mas que teria que ver como a mãe da criança reagiu a gestação. ”Sim, mas aparentemente esta gestação ocorreu sem apoios estruturais. Se a pessoa for localizada e reconhecida, recomenda-se apoio assistencial e psicológico”, finaliza.

 

Por Marcelo SCHAFFAUSER

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