Especialista aconselha como usar novo mínimo

O novo salário mínimo teve reajuste de 4,6%, passando de R$ 954 para R$ 998. O valor está abaixo da projeção de R$ 1.006 e basicamente recupera as perdas inflacionárias, que segundo previsões deve ficar em 3,69% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Para o presidente Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, é hora de rever os gastos para adequar o novo valor ao orçamento familiar.

“A inflação real, que o trabalhador sente no bolso na hora que vai ao supermercado, é maior que as observadas pelos institutos. Por mais que o aumento não seja significativo, pode ser a oportunidade de colocar em dia as finanças e sair das dívidas, para quem se encontra nesta situação. E fica o alerta: não é porque ganhará um pouco mais que deve gastar em supérfluos, ao contrário, pode ser a oportunidade para começar a poupar para os sonhos de curto, médio e longo prazo”, pondera.

Domingos orienta que, por ser um valor baixo, as pessoas devem rever os seus padrões de vida e reduzir os gastos, pois o Brasil atravessa um momento de incertezas.

“Sei que é difícil, mas era interessante que essa diferença chegasse como um bônus para realização de satisfações pessoais no futuro, iniciando uma poupança. No entanto, muita gente aguarda ansiosamente aumentos para cobrir o desequilíbrio financeiro”, salienta.

Ele destaca que o valor do aumento é de R$44, o que multiplicado por um ano representa R$ 528, sem considerar o 13º salário e as férias. “Assim, se for possível poupar, essa deve ser a prioridade, pois terá os juros a favor. Sei que isso é praticamente impossível para grande parcela da população que está endividada, nesse caso, uma estratégia para pagar esses valores deve ser prioridade”.

Para o especialista, “só sabe quanto pode gastar, sem ficar no vermelho, quem sabe exatamente quanto entra e quanto sai do bolso mensalmente. E, com base nisso, define quanto e como pode utilizar o dinheiro”.

Escritor, palestrante, mestre, educador financeiro e presidente da Abefin, Domingos frisa que antes de ir compulsivamente às compras com esse ‘extra’, o trabalhador deve fazer um diagnóstico da sua situação financeira.

“A dica é relacionar todas as despesas fixas e variáveis para descobrir o comprometimento dos seus ganhos com as dívidas. Investigue para onde está indo cada centavo dos seus ganhos, pois só assim conseguirá saber quais são os gastos supérfluos que podem ser eliminados. Verifique se está endividado, ou seja, se já tem mais despesas do que seu bolso suporta; certifique-se de que, mesmo estando no azul, vai conseguir pagar as compras que pretende fazer, somando-se aos gastos extras como impostos e escola”, conclui.

Por Daniele JAMMAL

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