ESCALADA – De Capitão do Exército a presidente do Brasil

Foto Divulgação

Capitão reformado do Exército, o deputado federal Jair Bolsonaro será o presidente do país nos próximos quatro anos. Para muitos, a trajetória política representa a volta dos militares ao centro do poder e a ascensão da “nova direita”  

Capitão reformado do Exército e deputado federal desde 1991, Jair Messias Bolsonaro, 63, foi eleito novo presidente do Brasil. Candidato do PSL (Partido Socialista Liberal), Bolsonaro venceu Fernando Haddad (Partido dos Trabalhadores), no segundo turno das eleições, no domingo (28), com mais de 57 milhões de votos válidos (55%). O candidato derrotado, Haddad obteve 47 milhões votos (que representa quase 45% votos válidos)

A vitória de Bolsonaro não é apenas uma derrota do PT – partido vitoriosos nas últimas quatro eleições presidenciais, desde 2002. Ele representa a chegada ao poder da “nova direita” brasileira (também chamada por muitos de extrema-direita): liberal na economia e conservadora nos costumes.

Seus quase 30 anos na Câmara foram pautados pela adoção de um discurso agressivo e radical, com ataques a gays e mulheres, defesa da ditadura militar, de um novo golpe de Estado, assassinato de criminosos, entre outros pontos.

Para se preparar para a corrida presidencial, Bolsonaro trocou no início do ano o PSC (Partido Social Cristão) do Pastor Everaldo, pelo PSL. Sua popularidade se deve ao discurso antipetista e de combate à corrupção.

Além disso, o novo presidente do país ficou conhecido entre seus fãs como político “destemido” por dizer o que pensa sem se importar em parecer preconceituoso. Se por um lado conquistou sua popularidade contra o politicamente correto, para crescer mais nas pesquisas, agora, Bolsonaro terá pela frente o desafio de comandar o país nos próximos quatro anos e desfazer a imagem de repulsa, racista e homofóbico para conquistar o respeito do lado do público oposto a seu governo.

VIDA PÚBLICA 

A trajetória política 

Jair Bolsonaro entrou para reserva do Exército em 1989 para ingressar na política como vereador na cidade do Rio de Janeiro. Dois anos depois, ele se elegeu para a Câmara dos Deputados, onde ficou até se candidatar à Presidência da República, este ano.

São, portanto, quase 30 anos de vida política, período em que Bolsonaro construiu, no Congresso, uma imagem de defensor da caserna. Eleito vereador e depois deputado federal, manteve o discurso de defensor dos militares, com vários pronunciamentos pedindo aumento salarial e mais investimentos nas Forças Armadas. O maior número dos projetos que apresentou na Câmara, 53, atendem a interesses dos militares. Outra área com grande número de projetos apresentados é a segurança pública, com 44. Mas nenhum foi aprovado.

Depois de eleito na Câmara Municipal do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão (PDC), em 1990, foi eleito deputado federal pelo próprio PDC. Em 1993, Bolsonaro participou da fundação do Partido Progressista Reformador (PPR), nascido da fusão do PDC e do Partido Democrático Social (PDS). Em 1995, Bolsonaro filiou-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB). Em 1998, exercendo seu terceiro mandato de deputado, se candidatou ao cargo para presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.

Em 2002, ele foi eleito pela quarta vez ao cargo de deputado federal pelo PPB, mas nesse mesmo ano, filiou-se ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). No início de 2005 deixou o partido e foi para o PFL (Partido da Frente Liberal). Em abril, do mesmo ano, Jair Bolsonaro mudou novamente de partido e se filiou ao Partido Progressista (PP). Em 2006, Bolsonaro foi eleito pela quinta vez. O deputado assume a titularidade das comissões de Constituição e Justiça e de Cidadania, de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Em 2014, Jair foi reeleito para o seu 7º mandato sendo o mais votado no Rio de Janeiro, com 464.565 votos. Em março de 2016, foi para o PSC (Partido Social Cristão). Em 2018, sua candidatura à Presidência do Brasil foi feita através do PSL (Partido Social Liberal).

 

PRINCIPAIS POSIÇÕES  E  CONTROVÉRSIAS

Discurso agressivo e radical

Movido pela antipatia aos últimos anos dos governos petistas, o mercado fechou os olhos às controvérsias protagonizadas pelo capitão reformado do Exército e receios causados por sua retórica autoritária. O que se manteve constante em Jair Bolsonaro durante sua campanha política foi o discurso contra as políticas de gênero, o deboche dos direitos das mulheres e a defesa da ditadura militar, e em alguns momentos até mesmo a defesa pública da tortura, assassinato de criminosos, entre outros pontos.

Nessa lista estão seu ataque à deputada Maria do Rosário, a quem ele disse que “jamais estupraria porque você não merece”; declarações sobre homossexuais (“se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater”); e sua homenagem a Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturados durante a ditadura militar.

Já o discurso antipetista ganhou força mesmo nos últimos anos do governo da ex-presidente Dilma Rousseff. Bolsonaro votou a favor do impeachment e depois aproveitou o impacto das revelações da Operação Lava Jato para viajar pelo país e se apresentar como um político que combate a corrupção e defende o conservadorismo brasileiro.

Ele também reforçou as bandeiras religiosas, de defesa da família e do porte de armas pela população. Bolsonaro também se declarou a favor da licença para matar a policiais.

 

VIDA PESSOAL 

Família, política e atentado

lo), no dia 21 de março de 1955. Filho de Perci Geraldo Bolsonaro e de Olinda Bonturi, ambos descendentes de famílias italianas. Formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras em 1977 e serviu nos grupos de artilharia de campanha e paraquedismo do Exército Brasileiro.

Ele foi casado com a vereadora Rogéria Nantes Nunes, entre 1993 a 2001. Juntos tiveram três filhos: Carlos Bolsonaro (vereador-RJ), Flávio Bolsonaro (deputado estadual-RJ) e Eduardo Bolsonaro (deputado federal-SP). Foi também casado com Ana Cristina Vale, com quem teve um filho. Em 2013, casou-se com Michelle de Paula, com quem tem uma filha.
Tornou-se conhecido do público em 1986, quando liderou um protesto contra os baixos salários dos militares. Na oportunidade, Bolsonaro escreveu um artigo para revista Veja, intitulado “O salário está baixo”, depois do qual foi preso por 15 dias apesar de receber cartas de apoio de colegas do exército. Dois anos depois, ele foi julgado e absolvido.
Bolsonaro ingressou na reserva em 1988, com o posto de capitão para concorrer a vereador no Rio de Janeiro. Foi eleito pelo Partido Democrata Cristão (partido extinto). Em 1990, candidatou-se a deputado federal pelo estado carioca e exerce a sete mandatos consecutivos o cargo na Assembleia Legislativa.

Em sua campanha eleitoral para presidência do Brasil, Jair Bolsonaro sofreu um atentado na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. No dia 6 de setembro deste ano, o então candidato foi esfaqueado no abdômen no momento em que estava no meio de uma multidão. Bolsonaro passou por cirurgias, já que a facada atingiu o intestino delgado e o intestino grosso.
Por: Vinícius MAIA

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