Entenda como a queda na taxa de juros é boa para o consumidor e muito boa para o governo

Taxa Selic vem caindo nos últimos meses, mas ainda não reflete no bolso do consumidor

Nesta segunda-feira (2), o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse que uma nova redução da taxa básica de juros, durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), “se faria apropriada”, desde que o cenário econômico permaneça estável, como neste momento.

“Para a próxima reunião, provavelmente uma nova queda se faria apropriada desde que as condições continuem como hoje. Porque a inflação está baixa e nós queremos convergi-la para meta”, disse Goldfajn.

Atualmente no valor de 6,5%, a menor da história do país, a queda da taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia), utilizada no mercado interbancário para financiamento de operações com duração diária, lastreadas em títulos públicos federais, é boa para a população e melhor ainda para o governo, como explica o economista Raphael Tavares Mantovani.

“Para os consumidores, inicialmente, não muda nada muita coisa, porque, em média, qualquer redução na taxa básica de juros leva de dois até três meses para chegar no mercado e o consumidor sentir com mais precisão esses cortes ou elevações de taxa de juros. Quem mais sente esses impactos é o governo, porque a dívida pública passa a custar mais barato”, afirma.

Segundo o economista, mesmo com a redução da taxa e as linhas de créditos baixas, as quedas quase não se refletem para os consumidores, ao contrário do governo.

“O que tem acontecido, normalmente, é que assim que o Banco Central divulga a redução na taxa básica de juros, em paralelo, logo na sequência, principalmente Banco do Brasil, Bradesco e Itaú já anunciam linhas de créditos mais baixas. Porém, são quedas bem pequenas, que em quase nada refletem para o consumidor. O Brasil paga anualmente mais de R$ 300 bilhões somente em juros da dívida de pública, sem amortizar o principal. E esse juro está diretamente atrelado a taxa básica Selic, que é quem remunera os títulos públicos. Então, para o governo é muito bom, porque ele passa a pagar menos juros. Para o consumidor é bom, porém, não é na intensidade que ele gostaria”, explica Mantovani, citando um exemplo.

“Há um ano e meio a taxa estava 14%, agora em 6,75%, caindo praticamente pela metade, mas os juros para os consumidores não caíram pela metade. Muito pelo contrário, em algumas linhas de crédito até subiram. É importante destacar que a principal missão do Banco Central é combater a inflação, em algum momento ele também atua ajudando no crescimento econômico, porque a taxa Selic para baixo fortalece o consumo, as empresas tiram dinheiro dos bancos e passam a investir em produção, mas a principal missão é o combate a inflação. Então, se ele perceber que a economia começa a dar sinais mais vigorosos, eventualmente, lá frente, ele é obrigado a assumir essa taxa, o que seria muito ruim. Então, é importante salientar que embora exista a possibilidade grande de uma queda de 0,25 pontos na próxima reunião, deve estacionar e ficar nisso pelo menos até o final do ano para depois começar a subir um pouco a medida que a economia começar a subir um pouco mais”, finalizou.

Marcelo Schaffauser

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