Enem surpreende professores e estudantes

A prova do Exame Nacional do Ensino Médio surpreendeu não só os alunos, mas também os professores. Com um conteúdo um pouco diferenciado, a maior surpresa ficou por conta do tema da redação, que fugiu da linha que foi pedida nos anos anteriores.

Vitor Sacramento, professor de matemática de ensino médio e cursinho, compara a provas de grandes vestibulares, como da Fuvest e da Vunesp. “Apesar de se dividir entre questões que exigem conteúdo lógico e teórico, a prova continua cobrando conteúdo dado em sala de aula. Em algumas das perguntas foi possível usar somente o raciocínio lógico, mas a maioria remetia ao conteúdo de sala, em que o aluno tinha que lembrar um pouco da teoria”.

Na comparação com a prova do ano passado, Vitor avalia que o exame desse ano esteve mais coerente com o que o aluno absorve de conteúdo durante os três anos de ensino. “A questão de logaritmo do ano passado não tinha valores numéricos, por exemplo, era trabalhada somente com letras. Esse ano, os números permitiram os alunos enxergarem melhor as resoluções”.

O estudante Luis Felipe Giroldo Lavia, de 18 anos, faz cursinho focando em áreas de engenharia. Ele acredita que o tempo é insuficiente para a resolução de todas as questões. “Tinha muitos textos nas questões de filosofia, história e sociologia. A gente perde muito tempo lendo e sobra pouco para a análise das alternativas. As questões de exatas tinham muitas pegadinhas. A gente pensava que era uma coisa e quando chegava nas alternativas, tinha que fazer mais contas”.

A principal surpresa do Enem ficou por conta da redação. Com uma sequência de temas sociais, o combate à intolerância religiosa. “O tema foi muito bem colocado. Se o aluno levou para a prova uma boa técnica de redação, não esqueceu o título e respeitou as trinta linhas, ele foi bem. O tema, na verdade, foi os caminhos para combater a intolerância religiosa. Deveria se discutir o que o governos, família e sociedade devem fazer, não uma opinião própria”, comentou Sacramento.

“A professora de redação havia falado que esse era um tema possível, porém só alertou e não aprofundou. No primeiro dia, tinha uma questão sobre a burca, na qual a resposta era sobre religião. A partir da mesma, era possível concluir que a redação seria sobre esse tema. O repertório, para esse texto, além de aumentar a nota, foi o caminho para tentar uma nota boa”, explicou Luis Felipe.

“Olhando de perto essa prova, é possível ver uma tendência de mudança, deixando de ser uma política social e igualitária. Daqui para frente podemos esperar uma prova cada vez mais seletiva”, analisou o professor sobre os futuros exames.

(Colaborou Bia Menegildo)

 

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