Encontro capacita profissionais a lidarem com familiares de possíveis doadores de órgãos

Até amanhã, 18 entidades de saúde da região de Rio Preto participam do 5° Encontro das Comissões Intra-Hospitalares de Transplantes (CIHT), que oferece o curso de ‘Comunicação em Situações Críticas’, capacitando os profissionais da saúde para abordarem da melhor forma possível familiares de potenciais doadores de órgãos.

O encontro é promovido pela Organização de Procura Órgãos (OPO) do Hospital de Base e traz o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes de Santa Catarina, Joel de Andrade, que é referência nacional neste assunto. De acordo com o coordenador, ainda há muitas dúvidas envolvendo a questão da doação de órgãos. “As famílias continuam tendo muitas dúvidas sobre a questão da doação de órgãos e isso tem várias razões, a principal de todas é que os órgãos só podem ser doados quando o indivíduo falece nas condições de morte encefálica, que é uma morte rara, mais ou menos 1% das mortes em geral. É natural que a população não tenha informação sobre os aspectos tanto da morte encefálica quanto da doação de órgãos. Aí entra o papel do curso.”

Andrade explica que o curso capacita como os profissionais devem abordar as famílias no momento da comunicação da morte encefálica de um parente e como lidar com a situação da sugestão da doação de órgãos. “O curso é de comunicação de notícias em situações críticas, que tenta ensinar aos profissionais de saúde as bases pelas quais eles devem se comunicar com as famílias. Ensinar de forma humanizada, uma relação ética com os familiares, pois é essa relação que abre as portas da solidariedade, quando então pode ser colocado a questão da possibilidade da doação.”

Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, em março deste ano, 35 mil pessoas aguardam na fila por um transplante de órgão. Os rins são os que mais têm pacientes em fila de espera, sendo 20 mil pessoas; seguidos por 1.300 na fila por fígado e 280 por coração. A taxa de doação no país é considerada razoável, sendo uma média entre 14 a 16 doadores por milhão de habitantes, a Espanha lidera o ranking sendo 40 doadores por milhão. A região de Rio Preto e Araçatuba, que possui cerca de dois milhões de habitantes, apresenta uma média acima da nacional com 30 doadores por milhão de habitantes.

De acordo com o coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO) do HB, João Fernando Picollo, a capacitação de profissionais como médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos começou há sete anos e tem sido feita constantemente. “Esse profissional aqui hoje está recebendo todas as informações, habilidades e qual a melhor maneira de dar a informação (morte de um ente querido). A nossa preocupação a princípio não é nem solicitar os órgãos, mas sim poder oferecer ajuda naquele momento para aquele familiar. Só depois que aquela família está tranquila e entendeu todo processo, aí sim é abordado o tema da doação”, concluiu.

 

Por Priscila Carvalho 

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