Em menos de 24h, trabalhadores dos Correios encerram greve

Com a decisão, ocorrida nesta segunda-feira (12), por maioria dos votos dos ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST), de que os funcionários dos Correios terão que pagar parte da mensalidade do plano de saúde da estatal, os trabalhadores de Rio Preto e região decidiram em assembleia realizada na noite desta segunda-feira, pelo fim da greve, que teve adesão de pouco mais de 30 pessoas, segundo Sérgio Pimenta, presidente do sindicato dos trabalhadores dos Correios.

“Passamos o que foi resolvido no TST, que foi a questão do nosso plano de saúde, que foi para julgamento e, infelizmente, passou da forma que achávamos que iria acontecer. Então, a nossa realidade agora é pagar uma mensalidade e compartilhar também quando usar os itens do plano de saúde”, explicou Pimenta, que questionou a decisão.

“Da forma que foi estabelecida nós temos o entendimento que em dois, três anos, pela faixa salarial dos trabalhadores dos correios (R$ 1.080), nós não teremos condição de arcar com essa despesa. Como exemplo, neste ano, tivemos 2,07% de reposição salarial e, com certeza, o ajuste do plano de saúde foi acima de 10%. Então, nesse patamar em dois, três anos, fica inviável. O que até então era atrelado ao reajuste salarial da nossa categoria, nós ficamos a mercê a partir de agora”, disse.

Cerca de 30 trabalhadores pararam os serviços hoje, sendo pouquíssimas pessoas de outras cidades da região, diferente do que havia ocorrido em outubro do ano passado durante a greve pela campanha salarial, quando 70% do quadro de funcionários cruzaram os braços por 17 dias.

“É compreensível, porque em janeiro a empresa acabou de descontar os dias da outra greve, que foi da campanha salarial. Então, o trabalhador vai se cansando. Infelizmente, quem manda é o governo e ele vai vencendo a gente pelo cansaço. A questão não é que não queremos pagar o plano de saúde, a questão é que não temos condição com os moldes que foram determinados hoje. O ideal seria se o reajuste do plano fosse compatível com o reajuste do nosso salário de agora em diante”, explicou Pimenta.

Antes da decisão do TST, o plano dos funcionários dos Correios era só compartilhado quando usado, não tinha mensalidade. “Não era um plano gratuito, mas era mais viável. Acontece que sempre trocamos um bom benefício, por um péssimo salário, agora a realidade é que estão tirando os bons benefícios e estamos ficando com os péssimos salários”, afirmou o presidente do sindicato.

Atraso nas entregas
Referente aos atrasos na entrega das cartas e outras correspondências, reclamação que vem se tornando recorrente de quem depende do serviço prestado pelo Correios, Sérgio Pimenta disse que desde 2011 não é realizado concurso público para a renovação do efetivo. “Tínhamos 130 mil funcionários, hoje temos 108 mil, em todo o Brasil. E o Correios quer chegar aos 80 mil. Em Rio Preto temos entre 400 e 450 funcionários, como a cidade vem crescendo a demanda de trabalhadores não é suficiente para realizar o serviço em dia, o que acaba atrasando toda a entrega”, finalizou.

 

Por Marcelo SCHAFFAUSER

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