Em 1 ano, número de funcionários públicos aposentados quase dobra em Rio Preto

Foto Claudio Lahos

Polêmica sobre a reforma da Previdência deve voltar ao debate em janeiro como uma das prioridades do próximo governo. Para especialistas, o assunto deve ser debatido sem morosidade a fim de mudar o crescimento dos gastos públicos no país. Em Rio Preto, o número de funcionários públicos que deram entrada com pedido na aposentaria antes da reforma quase dobrou em um intervalo de um ano.

Diante de várias tentativas de mudança durante o governo Temer, várias pessoas optaram pela aposentaria para evitar surpresas com as temidas mudanças das regras. Em Rio Preto foram solicitadas 89 aposentadorias, em 2016, contra 171 em 2017. De janeiro a novembro deste ano, 127 funcionários públicos já deram entrada na aposentadoria. “O aumento da concessão de aposentadorias no período ocorre, em parte, pelo receio dos servidores em relação aos projetos de reforma da previdência que tramitam no Congresso Nacional”, afirmou o secretário de Governo e diretor superintendente da RioPretoPrev, Jair Moretti.

O secretário ponderou também que, “Muitos servidores poderiam continuar no exercício de suas funções, pois a idade máxima para permanência do servidor estatutário no serviço público é de 75 anos”.

A aposentadoria precoce onera os cofres públicos. “Quanto mais tempo o servidor contribui para a previdência, maior o montante que será acumulado para pagamento do seu benefício no futuro. Assim, se o servidor aposenta mais cedo, menos recurso terá acumulado no fundo previdenciário. Nesse sentido temos também o problema da expectativa de vida, pois os aposentados estão cada vez vivendo mais, e os benefícios, por consequência, tem maior duração”, afirma Moretti.

“Quando o servidor aposenta precocemente, o serviço público perde a experiência que o trabalhador acumulou durante décadas”, afirmou o secretário.

A reforma da Previdência foi engavetada pelo presidente Michel Temer por falta de apoio suficiente no Congresso e por causa da intervenção federal na segurança. A proposta previa idades mínimas iniciais de 53 anos para mulheres e 55 anos para homens, com aumento gradual ao longo de duas décadas até chegar a 62 anos para mulheres e 65 para homens. Atualmente, quem se aposenta por tempo de contribuição não precisa cumprir nenhuma idade mínima.

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou em seu plano de governo sobre adotar um sistema de capitalização, em que cada trabalhador possua uma conta própria onde poupa apenas para sua aposentadoria.

 

Por Mariane DIAS

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS