“É uma data de reflexão”, diz ativista sobre o Dia da Consciência Negra

Foto Josy de Sá/ SMCS

Diretora da Companhia Dindara de movimento cultura afro-brasileira, Olivia Justo ressaltou a importância da data de 20 de novembro

Pertencimento, orgulho e luta. Esses são alguns dos sentimentos expressados por
vários negros para celebrar o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado nesta terça-feira (20). A data coincide com o dia de morte de Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negras na luta contra a escravidão.

O período é dedicado à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira abordando temas como racismo, discriminação, igualdade social e salarial, entre outros.
Segundo Olivia Maria Justo, ativista do movimento negro e diretoria da Companhia Dindara, a luta pela igualdade social é diária e ainda terá um longo caminho a ser percorrido. “É importante fazer uma reflexão sobre qual o lugar que hoje o negro ocupa no mercado de trabalho, na educação, na saúde, por exemplo. Infelizmente, ainda
existe e muito a diferença de tratamento das classes”, afirma.

Fundado em 1992, a Companhia Dindara tem como trabalho reverenciar a cultura
afro-brasileira e conduzir seus participantes à reflexão sobre assuntos relacionados as origens étnicas, conscientização, autoestima através da dança, teatro, poemas, poesias, literatura, espetáculos, entre outros movimentos culturais.

Olivia disse que o racismo é um tema que deve ser abordado o ano todo e não apenas em um dia ou somente no mês de novembro. “Como esse universo da mídia e internet, verificamos todos os dias casos de racismo relatados por jovens de 17 a 25 anos. De cada 3 casos, dois deles o negro está envolvido e são vários os motivos”, disse. “O
racismo que está institucionalizado nos diversos espaços, tem que ser debatido e revertido o ano todo e não apenas no mês de novembro.”

O resgate da história é uma parte importante da luta conta o racismo e a igualdade social, relata a diretora da Cia Dindara. “Quando vamos à escola, parece que a história do negro começou na escravidão, e não é verdade, vem de muito antes. É importante
resgatá-la pela questão do orgulho, noção do tanto que nossa gente lutou e resistiu, e
da contribuição do negro nos dias de hoje”, disse. No final de semana, o grupo se apresentou na 1ª edição da Noite Preta, realizada pela Prefeitura de RioPreto, no Complexo Swift. Na oportunidade, a Cia Dindara homenageou grandes mulheres negras, dentre elas a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, assassinada neste ano e sem desfecho sobre o caso.

Troféu homenageia líderes do movimento negro em Rio Preto

Professores, esportistas, lideranças comunitárias, entre outros foram homenageados
na noite de ontem, em solenidade na Câmara de Rio Preto, com o Troféu Fidelidade Aristides dos Santos. A homenagem foi concedida a pessoas que prestam relevantes serviços à comunidade negra, atuam no combate ao racismo e à desigualdade étnico-racial no município.

Entre os homenageados na cerimônia alusiva ao Dia da Consciência Negra, o educador
Diego Mahfouz, diretor da escola municipal Darcy Ribeiro e vencedor do Prêmio Educador Nota 10; o bicampeão mundial indoor de atletismo Mauro Vinícius da Silva, o “Duda”, o vice-presidente do Conselho Afro de Rio Preto, Ivan Reis.

O trabalho desenvolvido pela Cia Dindara também foi contemplado com o troféu e figurou na lista dos 10 indicados ao prêmio. Além dos citados, Ellen Cristina Dias (ativista do movimento de religiosidade afro), Ailton de Souza (empresário e ativista negro), José de Paula (ativista – in memoriam), Florência Pereira Duarte (artista
plástico), Vera Lúcia Galvão dos Santos (ativista negra) e Ângela Aparecida dos Santos
(assistente social), também receberam a honraria.

O troféu leva o nome de Aristides dos Santos, símbolo da luta negra em Rio Preto, e
que viveu até os 99 anos. Aristides morreu no ano de 2013.

 

Por Vinicius MAIA

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