“É muito importante colaborar para que isso tenha um fim”, diz primeira voluntária no teste de vacina contra Covid-19

A enfermeira do Hospital de Base, Vanessa Maziero, 30 anos, foi a primeira a receber a dose em Rio Preto. / Foto: Elton Rodrigues-Famerp

A Famerp iniciou na manhã desta sexta-feira (7) os testes da CoronaVac, no Centro de Pesquisas Clínicas na Vila Toninho. Serão cerca de 400 voluntários que receberão as doses dentro das próximas semanas. Os candidatos serão acompanhados pelos pesquisadores pelo período de um ano.

“São cerca de 9 mil voluntários em todos os centros de pesquisa, sendo que metade receberá uma dose da vacina e a outra metade receberá placebo. Apenas o grupo de São Paulo e de farmacêuticos saberão quem tomou qual. Nesse período de um ano serão avaliado todos os sintomas gripais dessa pessoas para saber quem teve coronavírus”, explicou virologista e médico-chefe do Laboratório de Infectologia da Famerp, Mauricio Nogueira. De acordo com ele, os candidatos receberão a segunda dose após 14 dias.

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“A maioria das imunizações que ocorre nas pessoas é após elas contraírem a doença. Com a vacina, nós pularíamos esta etapa maldita, que gera muitas internações e até ao óbito. É um orgulho que Rio Preto possa participar de um projeto tão grandioso”, comentou o secretário de saúde, Aldenis Borim.

A enfermeira do Hospital de Base, Vanessa Maziero, 30 anos, foi a primeira a receber a dose em Rio Preto. “Eu acho que dada a situação da pandemia e toda essa falta de controle, é muito importante que a gente tente de alguma forma colaborar para que isso tenha um fim e que possamos voltar ao mais normal possível. Acho que isso não só é a minha contribuição como profissional de saúde, mas como ser humano para todos os demais”, comentou.

De acordo com ela, o período da pandemia tem sido difícil para sua área. “Toda perda de um paciente é muito difícil, mas como pessoa tem sido com relação a saudade da minha própria família, pois não tenho contato com eles desde o início”, afirmou Vanessa.

O anestesista João Casella, da Santa Casa, que estava no processo de triagem para participar do estudo, também falou sobre a expectativa. “Me candidatei a vacina, já estou há 120 dias na linha de frente ao combate ao Covid-19, até o momento não apresentei nenhum sintoma e achei muito bacana a ideia. Seguirei seguindo todo protocolo estabelecido pela instituição”, afirmou.

A nova vacina foi desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech. A empresa afirmou que os testes realizados indicaram que 90% das pessoas produziram anticorpos contra a doença após duas semanas da aplicação e não foram identificados efeitos colaterais.

Os testes serão realizados em centros de pesquisas de seis estados: São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. A pesquisa clínica é coordenada pelo Instituto Butantan.

 

Por Vinicius LIMA – Redação Jornal DHoje Interior