Duas em cada dez pessoas apresentam algum grau de deficiência auditiva

Aproximadamente 20% da população rio-pretense tem algum tipo de problema de audição, segundo especialistas

A perda auditiva não pode ser relacionada a apenas um fator. São muitos os motivos que podem prejudicar a audição de uma pessoa. A surdez resulta muitas vezes de uma condição genética, de uma infecção ou até mesmo por causa do envelhecimento. De acordo com o otorrinolaringologista Luciano Maniglia, estima-se que 20% da população apresente algum grau de deficiência auditiva.

Maniglia ressalta que esse tipo de deficiência é considerado um problema de saúde pública, com repercussões importantes na qualidade de vida das pessoas. Segundo o especialista, a perda auditiva pode ser classificada quanto ao tipo e a fase da vida em que ela ocorre.
“A perda auditiva neurossensorial acomete a cóclea e terminações nervosas. A condutiva quando a diminuição da condução do som como em doenças da orelha externa e orelha média e a mista quando associa os dois fatores”, explica.

Outro tipo de perda auditiva é aquele presente desde o nascimento, a chamada surdez congênita que, segundo o médico, pode estar relacionada a diferentes fatores. “As causas são más formações do sistema auditivo, infecções durante a gestação, como sarampo e rubéola, uso pela mãe de medicamentos otomicose e síndromes genéticas”, acrescenta.

Segundo Maniglia, a surdez pode também ser pré-lingual ou até mesmo pós-lingual. “A pré-lingual, antes do desenvolvimento da fala, está normalmente associada a síndromes genéticas, infecções durante a gestação e uso de medicações ototóxicas durante essa etapa. Já na fase pós-lingual, após o desenvolvimento da fala, ela pode ser de origem infecciosa, doenças da orelha média, uso de medicações ototóxicas, trauma acústico, exposição a ruídos, tumores, barotrauma e presbiacusia”, pondera.

De acordo com o otorrinolaringologista, a exposição a ruídos muito altos também pode prejudicar a audição de uma pessoa e levar até a uma perda auditiva, por isso é preciso preservar os ouvidos.

“As pessoas que trabalham em ambientes ruidosos devem por lei usar o protetor auricular, devem também evitar fones de ouvido com volume alto, pois também piora a audição e pode evoluir de leve até profunda”, aconselha o médico.

Na perda auditiva relacionada ao envelhecimento, a diminuição da audição é progressiva e lenta. Conforme Maniglia, na maioria das vezes, o problema auditivo é percebido primeiro pelos familiares e só depois pelos pacientes. “As pessoas mais próximas percebem isso no comportamento do dia a dia, por exemplo, por meio do volume da televisão”, conta.

O médico orienta que atualmente as perdas auditivas têm algum tipo de tratamento, sendo eles específicos para cada tipo de deficiência e grau de intensidade da mesma, que pode ser leve, moderada, severa e profunda.

“Quanto antes realizar o diagnóstico e implementar o tratamento adequado, melhores serão os resultados na reabilitação auditiva. O tratamento varia bastante, podendo ser clínico, com medicamentos, cirúrgicos e uso de próteses auditivas convencionais ou implantáveis”, finaliza.

Por Leandro BRITO

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