Dor nos ossos pode ser um dos sintomas do mieloma

Especialistas afirmam que a média esperada de novos casos da doença, somente em Rio Preto, gire em torno de 20 a 25 casos por ano

Mieloma múltiplo é uma doença silenciosa, que afeta as células plasmáticas do sangue, sendo um tipo de câncer de medula (tecido esponjoso que preenche o centro da maioria dos ossos) e que faz com que o número de transplantados de medula óssea por mieloma ultrapasse os de pacientes com leucemia.

Os principais sintomas da doença crônica, que prejudica a produção de sangue, quando sentidos, já estão em estágio avançado e podem ser descobertos por alterações no hemograma, num primeiro momento. “Às vezes a pessoa tem isso por anos e vai descobrir quando acontece alguma manifestação clínica: ou um hemograma alterado, insuficiência renal ou a quebra de algum osso espontâneo”, disse João Victor Piccolo, responsável pelo transplante de medula óssea do Hospital de Base.

De acordo com o médico, a doença é comum entre a população, correspondendo a cerca de 10% dos cânceres hematológicos. “Essa é uma doença de adultos mais velhos, acometendo a população acima dos 45 anos, mas existem relatos de pacientes mais jovens, só que são casos mais raros. Aqui o nosso paciente mais jovem está na faixa dos 35 anos”, comentou. Além de ser uma doença de adultos mais velhos, pessoas negras e homens são os grupos com maior incidência do mieloma.

Somente em Rio Preto, o especialista afirma que a média esperada de novos casos da doença gire em torno de 20 a 25 casos por ano. Depois de diagnosticada a doença se o paciente estiver em condições, o transplante de medula óssea autóctone (o próprio paciente é o doador) é uma das opções de tratamento, além da quimioterapia. “O transplante para o mieloma serve para controlar a doença e não curar, pois é uma doença crônica. Então na realidade é para se deixar a doença controlada o máximo de tempo possível”, afirmou.

 

A esperança de um novo recomeço 

Diagnosticada com mieloma há quase dois anos, a professora Glaci Aparecida Demonico Cavalera, de 60 anos, recebeu uma surpresa inesperada no quarto do hospital, quando a equipe médica entrou festejando e cantando parabéns, devido à aceitação do transplante de médula autóctone realizado na paciente há 13 dias.

Muito emocionada com a notícia, a idosa contou que há muito tempo apresentava dores ósseas e acabou descobrindo a doença após um hemograma alterado, em que constava anemia. “Eu comecei a ser tratada como fibriomialgia, que é a grande confusão da doença, mas não tinha retorno de melhora. Num dia amanheci com suspeita de dengue e fiz um exame de sangue que constou anemia média”, relatou.

A professora chegou há ficar 90 dias sem andar, depois que duas vértebras trincaram em decorrência do mieloma, além da esperança de que a doença não volte, ela também está ansiosa pela alta médica e já sabe a primeira coisa que vai fazer assim que sair do hospital. “Primeiro de tudo será ir para minha casa e ver minhas netas”, concluiu.

 

Por Priscila CARVALHO

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS