Dengue pode atingir uma única pessoa por até quatro vezes

A auxiliar administrativa Olinda de Andrade Mendes, de 66 anos, já teve dengue duas vezes e não pode nem ouvir falar na doença. “A primeira vez tive muita dor pelo corpo, mas sem febre e sem dores de cabeça. Na segunda vez que contrai a doença os sintomas foram os mesmos, mas a dor era bem mais intensa. Demorei bem mais para me recuperar, já que os meus exames mostravam uma queda acentuada das plaquetas. As visitas à UPA eram diárias para exames e hidratação. Tenho medo de ser vítima, mais uma vez, do mosquito transmissor da doença”.

A preocupação de Olinda tem fundamento. De acordo com o Infectologista do Serviço de Prevenção e Controle de Infecção da Unimed Rio Preto, Inaldo Júnior, novas infecções impõem efeitos mais graves.

“Os anticorpos contra um vírus não protegem contra o outro e podem exacerbar os sintomas para um quadro hemorrágico. A pessoa tem anticorpos, mas esses anticorpos não a protegem. Se ela tiver dengue 1, fica protegida contra dengue 1, mas não contra dengue 2, 3 e 4. O quadro sintomático vai se complicar”, alerta.

A transmissão da dengue é feita por meio da picada do mosquito Aedes aegypti, assim, é essencial controlar a proliferação deste mosquito. Embora o verão seja a estação mais propícia para proliferação do mosquito, é essencial fazer do combate uma rotina em qualquer época do ano. Os dados epidemiológicos atuais demonstram a necessidade de reforçar ações de combate e eliminação dos focos em todas as regiões.

Os casos da doença contabilizados em Rio Preto assustam. Até o último dia 19, a cidade tinha 36.980 notificações para dengue, 26.380 casos confirmados, 3.210 em investigação e 13 óbitos.

Outras doenças também transmitidas pelo Aedes aegypti, como zika e chikungunya, podem ter sintomas bastante semelhantes à dengue, no entanto neste ano essas doenças estão sendo diagnosticadas com menor frequência.

A infectologista pediátrica da Secretaria de Saúde de Rio Preto, Márcia Wakai Catelan, explica que nas crianças é preciso atenção redobrada por parte dos pais ou responsáveis.

“Os sintomas são os mesmos: febre, dor no corpo, mal-estar, dor de cabeça. Sempre na fase crítica da dengue, que é do terceiro ao quinto dia ou assim quando a febre cessa, o paciente pode evoluir com sinais de alarme. Quando a criança está sendo tratada como caso suspeito e começa, entre o terceiro e quarto dia, apresentar suor frio, temperatura baixa, vômitos que não cessam, irritação e choro, é importante procurar atendimento médico com urgência”, destaca.

A vacina contra a dengue é a única forma de prevenção, mas nem todos são indicados para receber a dose. Atualmente, a Dengvaxia® é a única vacina aprovada e disponível, somente na rede privada. O produto foi licenciado no Brasil e desenvolvido pela empresa francesa Sanofi Pasteur. A vacina é feita com vírus atenuados e é tetravalente, ou seja, protege contra os quatro sorotipos de dengue existentes: DEN1, DEN2, DEN3 e DEN4. Ela possui a estrutura do vírus vacinal da febre amarela, o que lhe dá mais estabilidade e segurança.

A vacina contra doença é ministrada em três doses. Podem tomar pessoas de 9 a 45 anos e que já tiveram dengue pelo menos uma vez. É preciso apresentar na hora da vacinação um exame de sorologia positivo para dengue ou, se não tiver, receituário médico onde o mesmo declara que o paciente já teve a doença.

O Instituto Butantã, em parceria com a Famerp, já está na última fase de testes em humanos de uma vacina contra a dengue, mas ainda é preciso demonstrar que a vacina é segura e capaz de desencadear uma resposta imunológica.

Por Jaqueline BARROS