Dívida de rio-pretenses chega a R$ 66 milhões em cinco anos

Um levantamento do SCPC, Serviço Central de Proteção ao Crédito da Associação Comercial e Empresarial de Rio Preto, a Acirp, mostra que a dívida dos rio-pretenses no mercado já passou de R$ 66 milhões. Os dados são válidos para as contas vencidas no período entre julho de 2013 e julho de 2018.

A pesquisa ainda revela que o município tem um registro atual de 53.416 consumidores inadimplentes e que a maioria destes que conta com apenas uma conta em atraso totaliza 36.929 consumidores. Já na escala entre duas até cinco contas devidas, o número chega a 12.461. Entre seis até nove dívidas, o montante registra 2.533 devedores. E, por fim, com dez ou mais dívidas, a marca bate na casa dos 1.493 inadimplentes.

Ao analisar o primeiro semestre de 2018 em relação ao mesmo período do ano passado, o levantamento revela uma grande elevação na quantidade de registro de débitos. De janeiro a julho de 2017, 33.407 consumidores foram negativados no banco de dados do SCPC. Já no primeiro semestre deste ano, o número saltou para 75.726. O comparativo entre os primeiros semestres aponta crescimento de 126,7%.

“Temos que considerar que vivemos em um momento de crise. O número de devedores que tem apenas uma conta em atraso é alto e esperamos que isso se normalize com a liberação do PIS/PASEP que o governo está proporcionando”, comentou Presidente da Acirp, Paulo Sader.

“O Programa Amigo do Crédito é permanente e sempre tentamos negociação entre o credor e devedor. Nós fazemos encaminhamento para negociação com redução de juros, parcelamento da dívida e redução de multas. Isso sempre ajuda os dois lados”, completou Sader.

Mas um fator aqui deve ser considerado. “Não estamos falando propriamente de novas dívidas ou novos devedores. Afinal, de setembro 2015 até novembro do ano passado os birôs de crédito estavam impedidos de efetuar a inclusão de novos inadimplentes em virtude de uma lei estadual que obrigava a comprovação da comunicação por escrito via aviso de recebimento (AR) assinado”, explica a Coordenadora do SCPC/Acirp, Luciene Silvestre.

O que ocorria, segundo a Coordenadora, é que grande parte dos maus pagadores se recusavam a receber e assinar a carta com AR. Aliado a isso, muitas das cartas eram enviadas enquanto o consumidor estava no trabalho, já que o sistema de entrega dos Correios funciona somente em horário comercial. Logo, havia três tentativas de contato com o consumidor, e, tendo uma vez todas elas fracassadas, aquele consumidor, mesmo com contas em débito, acabava hibernado, sem a inclusão nos bancos de dados.

Por outro lado, a reabilitação também se evidencia em crescimento. As estatísticas do SCPC mostram que mais pessoas conseguiram saldar débitos este ano e, consequentemente, retomar as condições de comprar a prazo, o que contribui para a economia girar. “Nós registramos, nos seis primeiros meses desse ano, um aumento de 26% nas exclusões em relação ao mesmo período de 2017”, destaca Luciene. De janeiro a julho do ano passado, o SCPC/Acirp registrou 45.031 consumidores reabilitados. Já em 2018, neste mesmo período o número saltou para 56.771 exclusões do banco de dados.
O publicitário Ricardo Abreu ficou desempregado e se viu suas dívidas se multiplicarem. “Eu devia R$ 7 mil em um banco e R$ 10 mil em outro. Antes de entrar em desespero, procurei um advogado e fui ao Juizado de Pequenas Causas. Lá fizemos um acordo e as dívidas caíram para R$ 500 cada. Consegui pagar tudo e agora estou em uma situação mais confortável”, comentou.

“Temos ainda um longo caminho a percorrer até retomar os patamares desejáveis da atividade comercial e, principalmente, de consumo e do índice de confiança do consumidor que tínhamos antes da crise econômica. Mas esse aumento da reabilitação é um excelente sinal e esperamos que continue em crescimento no segundo semestre, com a consequente ampliação do número de consumidores aptos a fazer compras e a utilização do PIS e do 13º salário para quitar dívidas”, concluiu Sader.

 

Por Bia MENEGILDO

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