Dia Roxo: Conscientização da Epilepsia

O dia 26 de março é marcado pela cor roxa, quando se é celebrado o Dia Mundial da Conscientização da Epilepsia. A data visa conscientizar a população sobre a doença, que ainda é cercada por tabus e preconceitos. A patologia pode atingir qualquer pessoa e até mesmo há famosos que desenvolveram a epilepsia.

A doença é uma alteração temporária e reversível do funcionamento do cérebro, provocando descargas elétricas dos neurônios, que podem ser focais, conhecidas como parciais, ou generalizadas, quando atingem todo o cérebro. As características das crises vão depender da origem das descargas elétricas no cérebro.

A infância é a fase onde há mais chances da doença se desenvolver, sendo que os primeiros sintomas da epilepsia são as crises convulsivas. Mas, é importante esclarecer que uma convulsão só será uma crise convulsiva epiléptica quando o indivíduo apresentar, no mínimo, duas ou mais crises convulsivas no período de 12 meses, sem apresentar febre, ingestão de álcool, intoxicação por drogas ou abstinência, durante as mesmas.

O neurocirurgião Dr. Luiz Daniel Cetl explica que cada crise pode ocasionar um sintoma ao paciente. As epilepsias podem ser, num geral, parciais simples, parciais complexas e generalizadas. Além delas, há outras manifestações da doença que muita gente desconhece. “A parada comportamental é uma crise parcial complexa e muito mais frequente, em que o paciente fica parado, com o olho arregalado, como se estivesse fora de si. Outra manifestação é o estado de mal epiléptico, quando o paciente sofre várias crises seguidas, sejam elas do tipo convulsivas ou não, sem recuperação da consciência entre elas. Esta é a mais grave de todas, pois, se não tratada imediatamente, pode ocasionar lesões cerebrais graves”, explica o médico.

O diagnóstico é realizado clinicamente por anamnese, exame físico e também por exames como eletroencefalograma (EEG) e neuroimagem. O tratamento base para o controle das crises e sintomas da epilepsia é medicamentoso. Há casos em que se faz necessário a realização de procedimento cirúrgico, que atualmente são três opções: ressectiva; desconectiva e neuromodulação (estimulação do nervo vago). “Embora existam alguns casos mais resistentes aos tratamentos, a grande maioria da população obtém grande melhora do quadro e controle das crises”, disse.

O médico criou ainda a Série “Personalidades com Epilepsia”, onde divulga nomes de pessoas conhecidas do cinema, literatura, música e afins, que são ou eram pacientes de epilepsia, como forma de desmitificar limitações ou destacar seu sucesso em diferentes frentes. “Muito comum no passado, e ainda presente nos dias atuais, a epilepsia é tida como um limitador para o desenvolvimento profissional, o que não é verdade. Vincent van Gogh, Fiódor Dostoiévski e Machado de Assis, por exemplo, eram epiléticos e foram considerados grandes gênios da arte e literatura, mostrando que a doença, na maioria das vezes, não deve impedir que a pessoa leve uma vida social e profissional ativa”, ressalta Cetl.

 

Por Priscila CARVALHO

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS