Dia Nacional do Combate ao Fumo é uma data importante para alertar sobre os perigos do cigarro

FOTO GUILHERME BATISTA

No calendário brasileiro, o Dia Nacional do Combate ao Fumo é celebrado em 29 de agosto. A data, instituída pela Lei Federal n° 7.488, de 11 de junho de 1986, foi criada com o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos advindos do uso do cigarro. Estudos do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que 90% dos casos de câncer de pulmão ocorrem devido ao consumo do tabaco. Diante desse dado alarmante, lembrar-se da data é uma iniciativa importante.

Ainda de acordo com informações do INCA, existem estudos que apontam que o Brasil pode terminar 2018 com mais de 28 mil novos casos de câncer de pulmão. A chance de desenvolver a doença é maior entre os fumantes. No entanto, os chamados fumantes passivos não estão livres dos riscos, pois a simples inalação da fumaça pode resultar em complicações futuras.

“O fumante passivo está sujeito aos mesmos riscos dos fumantes. O que muda é o período de exposição e a quantidade de fumaça inalada por cada um. Quanto maior a inalação da fumaça do cigarro, maior a chance da pessoa ter complicações futuras. Por isso, é tão importante a lei que proíbe o fumo em lugares fechados. Geralmente, por não saber dos riscos, os fumantes passivos acabam ficando mais expostos”, alerta a oncologista Denise Leite.

A inalação da fumaça do cigarro pode causar diferentes tipos de doenças. O câncer de pulmão é apenas uma das consequências do fumo. Além disso, o hábito de fumar está diretamente relacionado a problemas cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), enfisemas pulmonares, bem como o desenvolvimento de tumores na cabeça e no pescoço.

O tabagismo tem relação direta com outros 13 tipos de câncer, além do pulmonar, como de boca, de laringe, de esôfago, de estômago, de pâncreas, de fígado, de intestino, de rim, de bexiga, de colo de útero, de ovário e alguns tipos de leucemia. Leite alerta: “o câncer de pulmão está ligado a 90% dos óbitos. É uma das doenças que mais mata no mundo inteiro. Se as pessoas parassem de fumar, muitas vidas seriam poupadas”, afirma a doutora.
Segundo relatos médicos, as pessoas geralmente descobrem que estão com algum tipo de tumor por acaso, isto é, quando procuram uma clínica médica em busca de outros tratamentos. Por conta disso, é preciso que os fumantes fiquem atentos a alguns sintomas que o corpo pode apresentar, como tosse excessiva, em alguns casos, com sangue ou secreção, falta de ar, perda de peso e dores no peito. O diagnóstico precoce faz toda a diferença no tratamento das doenças.

Dina Di Domenico, de 71 anos, é fumante e está em busca de superar o vício. Imigrante italiana, ela perdeu os pais prematuramente. A morte da mãe, em 1961, foi o que levou a aposentada a se entregar ao uso do cigarro. “Em 57 anos, eu consegui ficar 40 dias sem fumar, mas quase enlouqueci. Hoje, já estou trabalhando o vício. O meu psicólogo está me conscientizando do mal que o cigarro provoca e pretendo superar esse desafio em breve”, conta.

Nunca é tarde para parar de fumar. Para algumas pessoas, depois de anos de vício, torna-se praticamente impossível reverter as complicações proporcionadas pelo uso do cigarro, mas isso não passa de uma ideia equivocada. De acordo com informações médicos, nos primeiros 20 minutos sem o consumo do tabaco, a pessoa já começa a sentir mudanças positivas no corpo, como a regulação da pressão arterial e a diminuição da frequência do pulso.

A professora Rosana Aparecida Azevedo Rosin, de 61 anos, parou de fumar há um ano. O motivo principal para deixar o vício foi a realização de duas cirurgias, porém a insatisfação com os dentes também foi determinante para a decisão. Hoje, ela já percebe os benefícios de ter abandonado o cigarro: “Parar fez toda a diferença. Meu paladar melhorou, assim como, a minha respiração, a minha potência pulmonar e a minha pele”. Ela ainda comenta que a decisão e a determinação são as grandes aliadas para quem deseja parar de fumar.
“Parar de fumar não está relacionado apenas a questões psicológicas, também tem relação direta com o comportamento social da pessoa. Para deixar o vício, o fumante precisa querer e escolher o melhor momento. Com isso resolvido, é importante que ele procure um pneumologista e também faça tratamento com um psiquiatra”, aconselha Leite.
(Conteúdo especial: Leandro BRITO)

 

Da REPORTAGEM

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