Dia Nacional da Saúde: Os desafios da saúde no Brasil

Hoje, no Brasil é comemorado o Dia Nacional da Saúde. A data tem o objetivo de conscientizar a sociedade brasileira sobre a importância da educação sanitária, despertando na população o valor da saúde.

O País tem hoje inúmeros problemas e enormes dificuldades em solucioná-los, quando falamos em saúde. A gestão da saúde pública é um dos desafios que o Brasil precisa vencer, principalmente em relação ao investimento público e, também, ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O descaso do governo com a saúde da população brasileira ainda é polêmico. O gerenciamento da mesma é um verdadeiro caos e a falta de investimento é o principal motivo dessa confusão que acontece na saúde pública do Brasil. Comparado com outros países que tem sistema universal de saúde, o Brasil é a nação que tem o menor percentual de investimento público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Os dados mostram que o governo brasileiro investe 9,1% do PIB em saúde, índice muito inferior aos gastos de outros países.

O sistema de saúde pública que tem a pretensão de atender a todos os brasileiros, sem distinção, apresenta falhas em seus principais programas. Um exemplo é o SUS, que baseia-se  os princípios de universalidade, integralidade e equidade. Apesar da promessa de atender a todos, não é assim que funciona. A falta de recursos em hospitais e postos de saúde são geradas a partir da falta de compromisso da gestão da saúde pública. A consequência dessa e de outras falhas são hospitais lotados e cidadãos com sua cidadania danificada.

Diante de tantos problemas, com a saúde já fragilizada e desacreditado de que algo possa melhorar, o cidadão que precisa de atendimento médico e já passou por situações complicadas com internações em corredores, agendamentos demorados e exames a perder de vista, não notam as melhoras no meio do caminho.

A reportagem do D’Hoje Interior foi falar com o secretário de Saúde de Rio Preto, Aldenis Borim pra saber o que mudou na cidade após 18 meses da atual gestão. A cidade que possui 450.657 mil habitantes e uma receita de R$350 milhões para a saúde. O valor não é suficiente para atender a demanda atual, mas segundo Aldenis, grandes avanços já foram conquistados.

“A saúde é muito cara. Hoje para mantermos uma Unidade Básica de Saúde gastamos entre R$300 e R$400 mil reais/mês. Já nas Unidades de Pronto Atendimento o valor chega a R$2 milhões. Se somarmos os valores de exames, pequenas cirurgias e procedimentos de alta complexidade, acabamos ficando sem verba para oferecer todos os serviços que a população precisa. Fizemos uma adequação em vários pontos da saúde. Trocamos terceirizadas por serviço próprio, terceirizamos os serviços mais caros como a ressonância e fomos reestruturando o que não dava resultado”, enfatizou o secretário.

A cidade não conseguiu zerar a demanda de consultas e exames. Algumas especialidades ainda estão com período longo de espera para consultas e exames. No primeiro quadrimestre de 2017 a cidade ofereceu 59.494 consultas médicas especializadas. No mesmo período de 2018 foram 67.701 consultas, um aumento de 14%.

Os serviços oferecidos pela rede estão sendo estruturados, mas o principal desafio é com relação aos repasses disponível para estes serviços oferecidos pelo Hospital de Base e Santa Casa.

“O HB quer vender serviço, nós queremos comprar, mas como ele é gestão Estadual não conseguimos negociar diretamente. Hoje a abertura é maior em relação a isso. Não repassamos mais o dinheiro para o Estado, como eles queriam. Agora o produto é comprado direto do prestador de serviço. Antes quando repassávamos os valores, o Estado era quem decidia as consultas e procedimentos que eram adquiridos, o que não era o que a cidade precisava”, explica Aldenis Borim.

Abaixo o secretário de saúde fez um resumo dos avanços relacionados a área da saúde e, o próximos passos da pasta.

Mutirão de Consultas

Em abril do ano passado a Secretaria de Saúde de Rio Preto anunciou um mutirão para realizar 44 mil consultas e exames reprimidos na rede pública. Foram 23 mil consultas médicas com especialistas da área de ortopedia, cirurgia vascular, dermatologia, otorrino, neurologia, gastro, cardiologia, reumatologia, urologia e geriatria. Além das consultas com especialistas, mais de 21 mil exames foram realizados como endoscopia, ecocardiograma, ultrassom, doppler, colonoscopia, espirometria, ressonância e tomografia.

As consultas e exames foram realizados em vários pontos da cidade como Unidades de Saúde e no Ambulatório de Especialidade. No balanço da ação, mais de 52 mil consultas e exames foram realizados em um período de quatro meses.

Mutirão de Exames de Sangue

Em dezembro do ano passado, outra ação desenvolvida pela Prefeitura foi com relação ao prazo para os exames de sangue. Mais de 160 mil pacientes passaram por exames durante a ação. A coleta aconteceu nos finais de semana e, a prioridade foi para as Unidades que estavam com um período de espera superior a 60 dias.

Centro do Idoso

Inaugurado em abril de 2017, a unidade conta com atendimento especializado para os idosos. São 4 geriatras, acompanhados de uma equipe multiprofissional. São 250 consultas mensais na área de geriatria.

Banco de Leite

Há 10 anos funcionando na cidade, em abril de 2017 o Banco de Leite Humano ganhou uma unidade móvel para ajudar nas doações. Hoje a unidade pasteuriza 120 litros de leite por mês, mas o ideal seria de 150 a 180 litros/mês. De acordo com o último balanço divulgado pela Saúde, em abril, foram 215 doadoras, 131 crianças atendidas e 140 litros de leite disponibilizado.

Ampliação na Atenção Básica

Em 2017 eram 40 equipes da estratégia de Saúde da Família e, hoje são 58 equipes.

Raio-x e ortopedistas

Todas as 27 Unidades Básicas de Saúde hoje estão equipadas com equipamentos de Raio-X e possuem médicos ortopedistas para avaliação dos pacientes. Antes os usuários eram encaminhados para unidades hospitalares para o atendimento.

Leitos de Retaguarda

As UPAS possuem agora leitos, onde os pacientes passam por acompanhamento até 48 horas. Os casos são monitorados e, se o paciente responder bem ao tratamento ele é liberado pela equipe médica, ou transferido após o período.

Ecocargiograma

Implantado no Complexo Pró-Saúde em maio de 2017 com aquisição de dois aparelhos. No primeiro quadrimestre passado foram 1.441 exames e, em neste ano 3.228, uma ampliação da oferta em 144%.

Endoscopia

A unidade passou a contar com dois vídeos endoscópios no anos passado e, a oferta de exames passou de 294 para 2.412 nos primeiros quadro meses de 2017 e 2018, respectivamente.

Ultrassom

Um dos exames mais solicitados na rede e com demanda reprimida. A oferta saltou de 4.869 para 13.027 no quadrimestre de 2017 para o mesmo período deste ano.

UPA Jaguaré, Tangará e Norte

As unidades não contavam com a especialidade de pediatria, que passou a integrar a lista de serviços oferecidos à população.

Programação na Saúde

Centro de Reabilitação

Já foi licitado e, de acordo com a Secretaria de Saúde a obra deverá ser entregue em 2019.

Reformas

Sete UBS serão reformadas. As licitações já começaram e o dinheiro das emendas já estão disponíveis.

Novas Unidades

Rio Preto está em fase de discussão sobre a implantação de mais duas UBS na cidade. Estudos estão sendo concluídos para decisão dos bairros que serão contemplados.

Laboratório

Até dezembro de 2018, Rio Preto quer criar um laboratório próprio para realizar todos os exames de sangue. Hoje o serviço na cidade é terceirizado e, com a troca o Município vai conseguir ofertar 22 mil procedimentos a mais, todos os meses, um total de 140 mil exames mensais pelo mesmo valor.

SMS Consultas

Para evitar que pacientes faltem no dia da consulta ou do exame, a Prefeitura quer implantar na cidade o envio de SMS. As mensagens serão enviadas com três dias de antecedência e, depois, na véspera da marcação. Hoje cerca de 20% dos pacientes que agendam algum tipo de procedimento na rede, não comparecem.

Hospital Próprio

Uma necessidade urgente para o Município. De acordo com o secretário de saúde a cidade deveria fazer apenas a gestão da unidade, deixando a administração a cargo de profissionais altamente especializados em gestão hospitalar. O que falta pra isso acontecer? Local, tempo de construção e investimento.

Por Jaqueline BARROS

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