DIA DO TRABALHO: Empreendedorismo dos rio-pretenses é arma contra o desemprego

No dia 1 de maio, “Dia do Trabalho”, os números não são legais para os brasileiros. A taxa de desocupação continua em alta e o país tem agora 14,2 milhões de desempregados no trimestre encerrado em março, sendo 14,9% superior ao trimestre imediatamente anterior (outubro, novembro e dezembro de 2016) – o equivalente a 1,8 milhão de pessoas a mais desocupadas. Segundo um economista esse número pode aumentar para 15 milhões até o meio do ano e, por isso, as pessoas estão tendo que se virar para encontrar uma forma de renda, em alguns casos se tornam empreendedores de porta em porta.
É o caso da jornalista Cristina Lourenço, 37 anos, desempregada há seis meses. Ela trabalhou durante dois anos em uma transportadora, mas por conta da crise acabou sendo dispensada. “Depois disso, tive que me virar. Eu, sinceramente, não sabia fazer nada de doces e nem pães salgados. Mas uma vez acabei fazendo e a minha família gostou. Depois fiz outros recheios e coloquei nas redes sociais e assim as pessoas logo começaram a encomendar e percebi que podia ser minha fonte de renda”, afirma.
Cristina diz que arrumou essa oportunidade, pois já distribuiu pelo menos 200 currículos e até agora não foi chamada. Ela também conta que hoje chega a entregar 21 pães na semana e só não consegue mais porque a estrutura física de sua cozinha é pequena. “Tenho apenas um forno com quatro bocas. Logo vou investir nisso, já que estou vendo um retorno bacana. As coisas vão crescer devagarzinho.” Em média, o preço das rocas e pães variam de R$ 12 a R$ 20.
O casal Kátia Rosa Machado da Silva, 27 anos, e Marcos Pereira da Silva, 31 anos, são outros dois brasileiros que tiveram que se virar perante aos problemas políticos e econômicos do País. Sem conseguir emprego e com filhos pequenos, ambos arrumaram uma forma de se manter. Ele faz bicos durante a semana e ela vende roupas femininas, bolos de pote e enxovais para as crianças. “Foi a única forma de conseguimos ter um dinheiro. A crise está muito complicada e não conseguimos arrumar emprego”.
Ela diz que também usa as redes sociais para atrair clientes, mas o salário que ganha não é algo esplêndido, “mas dá para sobreviver”, afirma. Os preços dos produtos deles variam de R$ 5 (bolo) até R$ 140 (as calças).
Os dados de desempregos foram atualizados anteontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com os resultados do primeiro trimestre. No trimestre encerrado em fevereiro, o Brasil tinha 13 milhões de desempregados.

O empreendedorismo se destaca e MEIs cresce

O número de microempreendedores individuais (MEIs) cresceu 27,5% em Rio Preto, segundo dados divulgados pelo Sebrae-SP. Os dados mostram que até 19 de dezembro de 2015 haviam 14.159 cadastrados, e este ano o índice subiu para 18.065.
Segundo Marcos Vieira, diretor do Sebrae, realmente a crise tem feito as pessoas buscarem o seu lado empreendedor. “Todo brasileiro gostaria de ter sua própria empresa. E, com essa perca de emprego fez com que muitos investissem nisso”. Mas ele alerta que é sempre importante pensar no produto que está vendendo e recomenda para que as pessoas conheçam o mercado e façam um planejamento estratégico para se destacar nesse comércio.
Quem também tem o mesmo pensamento de Vieira, é o economista Raphael Tavares. Ele acredita que a tendência é essa. “Todos irão buscar um espaço, principalmente no ramo alimentício, mas geralmente essa pessoa não emprega tantos, como nos casos dos FoodTrucks. São os próprios familiares que trabalham no negócio. Assim o impacto para melhorar o país não é tão grande, mas já ajuda.”
Segundo ele, realmente é necessário fazer uma planilha com os gastos e rendas para conseguir ter um controle e se manter no ramo de empreendedorismo. “Calcular um tempo que ficará sem retorno e trabalhar para acontecer.”

Por Franklin CATAN

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