Desdobramentos da greve trazem transtornos ao rio-pretense

A greve dos caminhoneiros devido ao preço do combustível começou a afetar a rotina do rio-pretense e traz consequências diretas no dia-a-dia da população. No quarto dia de paralisações pelo país, supermercados e postos de combustíveis começam a sentir a falta dos abastecimentos e produtos já começam a faltar aos consumidores.

A situação provocou uma corrida aos postos e muita gente precisou enfrentar longas filas para abastecer os veículos. Para evitar o desabastecimento por completo e de forma rápida dos estoques, supermercados começaram a adotar uma medida de emergência e limitaram a venda de produtos aos clientes.

Bloqueio do Ceasa

No final da manhã desta quinta-feira (24) caminhoneiros utilizaram dez caminhões para fechar a entrada de veículos no Ceasa, atacadista de hortifrutigranjeiros de Rio Preto. Em tom descontraído com churrasquinho e bebidas, os caminhoneiros protestaram em frente à entrada e utilizaram faixas e bandeiras nacionais nos caminhões. Os trabalhadores apoiam o movimento nacional e afirmam que o bloqueio será de 24 horas, terminando ao meio dia da sexta-feira (25).

“Ninguém entra carregado, só sai vazio. Vai vender só a mercadoria que está aí dentro e se acabar não vai ter estoque”, afirmou Alessandro Dorse, permissionário de frutas do Ceasa. A entrada de consumidores, no entanto ainda está liberada. A ação é em parceria com a greve dos caminhoneiros e está prevista para encerrar pacificamente.

O bloqueio afeta diretamente o carregamento que costuma chegar diariamente por volta das 22h e 2h e abastecem as vendas atacadistas para o dia seguinte. Com isso um efeito dominó foi iniciado. “A situação já estava complicada desde segunda-feira com relação à greve, muitos permissionários ficaram com o caminhão preso nas fontes, muitos não conseguiram nem sair, e hoje deflagrada a greve, então praticamente amanhã não vai ter nada. Hoje estaria entrando mercadoria e como eles não estão deixando, consequentemente vai faltar produto no mercado”, disse Lupércio Fontana, técnico de operações do Ceasa.

O Ceasa de Rio Preto abastece cerca de 80 municípios da região e com a falta de abastecimento no entreposto, alguns produtos já começam a sofrer elevação nos preços. “Desde quarta-feira a batata já estava tendo reflexo porque vêm de Minas e Paraná, duas regiões que a fiscalização está severa. O saco da batata até a semana passada custava na faixa de R$ 80 e ontem passou de R$ 200, amanhã não sei qual valor chegará. Acredito que quase todos os produtos sofrerão elevação de preços”, ressaltou Fontana.

Num primeiro momento os legumes são os mais afetados, sendo que até então frutas que são mantidas em câmaras frias, ainda não apresentam problema de falta em estoque. “Mas se demorar muito, porque tem que repor o estoque e todo dia chega mercadoria, a partir do momento que não começa a chegar, vai começar a faltar”, comentou.

Desabastecimento nos supermercados

Em nota a APAS (Associação Paulista de Supermercados) afirmou que as paralisações dos caminhoneiros autônomos já causam desabastecimentos nos supermercados, em especial itens de FLV (Frutas, Legumes e Verduras), que são perecíveis e de abastecimento diário.

Carnes, leite e derivados, panificação congelada e produtos industrializados que levam proteínas no processo de fabricação já estão com as entregas comprometidas pelos atrasos no reabastecimento.

Alguns supermercados já realizam ações de contramedida para não faltar produtos, limitando a uma quantidade máxima de venda por consumidor. Grande parte das lojas, no entanto, trabalha com estoque e aguardará uma decisão do governo para tomar tais providências.

“A entidade espera resoluções imediatas e de fato eficazes para que a população não sofra com a falta de produtos de necessidade básica”, afirmou a associação.

Para contornar a situação uma rede de supermercados rio-prentese está procurando adquirir produtos de fornecedores locais para manter abastecido o estoque de produtos, principalmente os itens FLV, pois caso até o final de semana não haja nenhuma decisão ou fim da greve, pode começar a faltar tais produtos, além de leite e carnes e outras faltas pontuais.

Por ora o aumento dos preços não foi repassado ao consumidor final, porém com a chegada de novos carregamentos a alta nos preços poderá ser repassada aos clientes.

Racionamento de veículos da Prefeitura de Rio Preto

A Secretaria de Administração orientou aos funcionários para que diminuam drasticamente o abastecimento dos veículos das secretarias, cortando a utilização isolada de veículos oficiais. Em razão da greve dos caminhoneiros a prefeitura já foi informada pelos fornecedores de combustíveis de que não haverá entrega nos próximos dias.

O secretário de administração, Luís Roberto Thiese, explicou que quando foi anunciada a greve, a decisão foi de manter o estoque de combustíveis do município abastecidos. “Cada tanque de combustível nosso tem capacidade de 15 mil litros, costumamos pedir carga quando o nível chega aos cinco mil litros. No momento procuramos deixar os níveis acima dos dez mil litros. Nosso estoque está bem razoável para pelo menos uma semana”, afirmou o secretário.

Os carros pequenos municipais e de malotes só estão sendo abastecidos com 20 litros a cada 48 horas e as viaturas que estão com o tanque acima da metade não estão sendo abastecidos. O objetivo do racionamento é evitar a falta de combustível para os serviços de emergência e de transporte escolar, caso a greve perdure por mais alguns dias. O serviço de merenda escolar do município também deve ser afetado e merece atenção no momento.

Transporte interurbano

O transporte coletivo poderá ficar comprometido caso a greve continue. Representantes da Riopretrans, consórcio responsável pelo transporte público municipal, está com reunião marcada para esta sexta-feira (25) para definir quais decisões devem ser tomadas com relação a este serviço.

A empresa Santa Luzia afirmou que o estoque de diesel tem capacidade para abastecer os ônibus ate domingo (27). Um novo carregamento de combustível está previsto para chegar hoje (25) e caso não chegue, a empresa irá soltar um comunicado e decidir qual medida deverá tomar. Até o momento todas as linhas continuam circulando normalmente e sem racionamento ou redução de veículos.

Já a Itamarati confirmou que está recebendo normalmente o óleo diesel utilizado para abastecer a frota, sendo que o fornecedor faz diariamente o reabastecimento. Caso nesta sexta-feira (25) não haja o fornecimento, a empresa deve estudar o que deve ser feito diante da situação e se haverá necessidade na redução dos veículos.

Por Priscila CARVALHO

SEM COMENTÁRIOS