Descoberta de zika em macacos sugere ciclo silvestre da doença

Foto Divulgação

Pesquisadores da Famerp de Rio Preto analisaram carcaças dos animais mortos e verificaram que estavam infectadas pela doença nas florestas 

O vírus da zika foi encontrado em carcaças de macacos nas cercanias de Rio Preto e de Belo Horizonte (MG). Esses macacos haviam sido mortos a tiros ou pauladas pelas populações locais, quando se suspeitou que pudessem estar acometidos por febre amarela. Não estavam, mas a infecção por zika fez com que adoecessem e se tornassem mais vulneráveis ao ataque humano.

Estudo desenvolvido pelo laboratório de virologia da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) identificou o macaco como hospedeiro do vírus zika no Brasil. A descoberta aumenta as chances de uma possível epidemia da doença, já que se ocorrer o ciclo silvestre (em áreas florestais), o vírus pode se potencializar – a exemplo do que ocorre com a febre amarela.

“Se o ciclo silvestre for confirmado, isso muda completamente a epidemiologia da zika, porque passa a existir um reservatório natural a partir do qual o vírus pode reinfectar muito mais frequentemente a população humana”, disse Maurício Lacerda Nogueira, coordenador do estudo e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia.

Artigo a respeito, assinado por Nogueira e pesquisadores de diversas instituições foi publicado na Scientific Reports, do grupo Nature. Eles observaram que os macacos ágeis, como os Saguis, não apresentavam um comportamento normal, eles estavam mais lentos e por isso eram capturados facilmente pelos moradores locais, que suspeitavam que os animais estavam com febre amarela.

Detalhes da pesquisa
Os trabalhos científicos tiveram início em 2017, durante epidemia de febre amarela no país e quando foi observado um significativo número de macacos mortos por causas da violência de humanos ou outros animais. No interior de São Paulo, pesquisadores realizaram testes de sangue em 80 macacos mortos e foi constatado que 30% dos animais estavam infectados com o vírus da zika. O mesmo vírus também foi encontrado em macacos no Ceará, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

O sequenciamento completo mostrou que o vírus era muito parecido com aquele que estava infectando os humanos. Mais uma evidência foi o fato de que, nos locais onde foram encontradas as carcaças, os pesquisadores coletaram, na mesma semana, mosquitos infectados por zika.

De acordo com o especialista, o ciclo silvestre leva a necessidade mais urgente de uma vacina contra a doença, já que a mesma não pode ser controlada nas florestas e o vírus ficará em circulação próximo das cidades. “. Se esperávamos ter uma epidemia daqui a 20 ou 30 anos, o fato de ter um potencial reservatório perto de nós aumenta as chances da infecção pelo vírus da zika”, explica o pesquisador. Por: Vinicis MAIA

 

 

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Pesquisador explica método adotado com macacos vivos

“Para levar adiante o estudo, induzimos infecção experimental por zika em macacos vivos. E a inoculação dos vírus provocou viremia (presença de vírus no sangue). Os macacos tiveram alteração de comportamento, confirmando nossa hipótese inicial de que a infecção os teria tornado mais suscetíveis a serem capturados e mortos”, explica Maurício Lacerda Nogueira, coordenador do estudo, professor da Famerp e presidente da Sociedade Brasileira de Virologia

 

 

Saúde registrou três casos de febre amarela em saguis

A Secretaria de Saúde de Rio Preto confirmou neste ano, a morte de três casos da doença febre amarela em macacos da espécie sagui. Os animais foram encontrados nas áreas do bairro Jardim Maracanã, Caic, e um terceiro animal morto no distrito de Engenheiro Schmitt.Os três casos aconteceram no primeiro quadrimestre de 2018.

A confirmação da doença veio através de exames aprofundados realizados pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo.

Com a afirmativa do vírus da febre amarela em macacos no município, a Secretaria de Saúde realizou diversas medidas de prevenção para população com controle do vetor Aedes aegypti (retirada de criadouros e nebulização) e vacinação, com postos para aplicação da vacina em moradores dos locais próximos onde foram encontrados os animais mortos.

 

Da REPORTAGEM

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