Depressão será maior causa de afastamento do trabalho até 2020

PESQUISA - De acordo com a OMS, a depressão, hoje, é a segunda causa de afastamento do trabalho no país

Considerada como o mal do século, a depressão é atualmente a segunda causa de afastamento do trabalho no Brasil, perdendo apenas para as Lesões de Esforço Repetitivo (LER), também denominados Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2020 a depressão será a maior causa de afastamento do trabalho no mundo.

Somente no ano passado, 75,3 mil trabalhadores foram afastados de seus postos de trabalho em função deste mal, com direito a recebimento de auxílio-doença em casos episódicos ou recorrentes. Eles representaram 37,8% de todas as licenças em 2016 motivadas por transtornos mentais e comportamentais, que incluem não só a depressão, como também o estresse, a ansiedade, os transtornos bipolares, a esquizofrenia e os transtornos mentais relacionados ao consumo de álcool e cocaína.

Segundo a advogada especialista em direito do trabalho, Maísa Madureira, atualmente a depressão é uma das maiores causas de afastamento de funcionários do trabalho. “Uma estimativa do INSS releva que 48,8% dos trabalhadores que receberam auxílio-doença e se afastaram por período superior a 15 dias sofrem com algum tipo de transtorno mental, sendo a depressão o principal deles”, disse Madureira.

A advogada explica que de acordo com o Art. 20 da Lei Nº 8.213 /91, a depressão pode ser incluída como doença profissional, se comprovado que o mal provém exclusivamente do trabalho, após perícia médica. “Se comprovado o afastamento por acidente do trabalho, o funcionário consegue estabilidade de um ano de acordo com o código 91”, explicou.

Dentre os setores com mais funcionários deprimidos, se destaca o setor bancário, que em busca de cumprir metas, levam os funcionários ao esgotamento emocional e físico. “A pressão por cobrança de meta e a tarefa de vender, algo que não depende só do funcionário, acaba influenciando. A depressão está se tornando uma epidemia dentro do ambiente corporativo, sendo perigoso, pois é uma doença silenciosa”.

A especialista destaca que a conversa é dos pontos principais para o diagnóstico e até mesmo melhorar a situação. “É necessário a comunicação entre empregador e empregado e valorizar o material humano, pois é o empregado que vai trazer o lucro. Um depende do outro. Com confiança e comunicação o trabalhador se sente até mesmo mais motivado, o que acaba melhorando o rendimento”, concluiu a advogada.

 

Por Priscila Carvalho

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