Executivo da JBS diz que Temer deu aval à “compra de silêncio” de Eduardo Cunha

Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Tem que manter isso, viu?”, disse o presidente Michel Temer (PMDB) sobre mesada milionária ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), segundo revelou o executivo Joesley Batista, do Grupo JBS. A informação foi revelada, no início da noite desta quarta-feira (17), com exclusividade pelo jornalista Lauro Jardim, no site do jornal O Globo.

Joesley diz ter gravado conversa com Temer na noite de 7 de março durante reunião de cerca de 40 minutos no Palácio do Jaburu. O executivo disse que comentou detalhes com o presidente da mesada também paga ao lobista Lúcio Funaro, antigo aliado de Cunha.

Os dois estão presos – o ex-deputado pegou 15 anos e quatro meses de condenação imposta pelo juiz federal Sérgio Moro; o lobista está custodiado preventivamente em Brasília.

Em depoimento aos procuradores da força-tarefa da Lava Jato, Joesley disse que “não foi” Temer quem determinou a mesada a Eduardo Cunha. Mas ele afirma que o presidente “tinha pleno conhecimento” da operação pelo silêncio do peemedebista.

Os pagamentos ilícitos foram monitorados pela Polícia Federal. O procedimento é denominado “ação controlada” – com autorização judicial, agentes seguem os alvos, fazem filmagens e gravações ambientais. Um repasse filmado foi de R$ 400 mil para uma irmã de Funaro, Roberta.

Na Câmara

Já na Câmara dos Deputados, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), encerrou mais cedo a sessão plenária, de ontem, depois da divulgação da notícia de o empresário gravou o presidente Michel Temer dando aval para “compra de silêncio” do ex-deputado Eduardo Cunha.

Ao deixar a Câmara às pressas, Maia afirmou que não havia mais clima para trabalhar e disse que só se pronunciaria após ver o teor da denúncia. “Não tem mais clima para trabalhar. Só isso”, afirmou Maia, ao deixar o plenário. Na saída, o presidente da Câmara bateu boca com o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).

Molon pediu a Maia que deixasse a sessão de debates abertas, para que a oposição pudesse se manifestar contra o presidente Temer, pedido negado por Maia. “Tem de ver primeiro o que é”, afirmou Maia quando entrava no carro oficial. Ele negou que estivesse indo ao Palácio do Planalto.

No Senado

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) foi o responsável por dar a notícia, em plenário, do suposto áudio entre donos da JBS e o presidente Michel Temer, autorizando a compra do silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

“O governo Temer acabou”, afirmou o senador após ler a notícia da existência de suposto áudio durante as votações no plenário do Senado. Para o parlamentar de oposição, o fato é grave e passível de afastamento do presidente. Para ele, o áudio comprova golpe no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

O presidente do Senado Federal, Eunício Oliveira (PMDB-CE), aliado de Michel Temer, tentou abafar as manifestações no plenário e dar continuidade às votações na Casa. Ele seguiu aprovando simbolicamente diversos projetos, enquanto os senadores esvaziavam o plenário para se reunirem com suas bancadas.

Novo pedido de impeachment

Um novo pedido de impeachment do presidente Michel Temer foi protocolado ainda na noite desta quarta-feira (17). O pedido, de autoria do deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), é baseado nessa denúncia do empresário Joesly Batista.

Na Câmara, já existe outro pedido de impeachment contra o presidente aberto por ordem do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão do ministro é de abril do ano passado. Desde então, a comissão especial que analisará esse primeiro pedido ainda não foi instalada na Casa. Isso porque líderes de partidos da base aliada resistem a indicar os deputados de suas bancadas para compor o colegiado.

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