Deficientes visuais esbarram em ‘obstáculos’ em pistas táteis

Foto Clausio Lahos

A falta de acessibilidade ainda é um problema enfrentado diariamente pelos deficientes físicos e visuais em Rio Preto. Desníveis, buracos em calçadas, falta de rampas de acesso são alguns dos pontos de reclamação. Mesmo em lugares com piso tátil, os deficientes visuais têm encontrado dificuldade de locomoção.

Janaína Gueett, de 38 anos, é deficiente visual, mas não deixou a limitação impedir sua rotina diária. Casada e mãe de uma filha, Janaína realiza as mesmas funções de uma pessoa comum: pega ônibus, vai ao comércio fazer compras, pagar contas, realiza o pagamento de contas bancárias, passeio no shopping, além dos afazeres de casa para o cuidado de sua família.

Dentro dessa rotina, Janaína Gueett tem enfrentado um problema corriqueiramente: a falta de conscientização das pessoas em relação ao piso tátil. Os esbarrões são frequentes, principalmente no terminal urbano, quando se locomove para pegar o transporte público.
“A pista tátil é muito positiva para nós deficientes visuais e ajuda muito na nossa locomoção. O que falta é a conscientização das pessoas sobre a função da pista. Muitas pessoas param nelas e impedem nossa passagem. Teve até situações das pessoas me removerem da pista tátil”, afirma Janaína.

Pode parecer abstrato para as pessoas que enxergam, mas para o deficiente visual e a pessoa com baixa visão o piso tátil é fundamental para dar autonomia e segurança na locomoção. O piso tátil é o piso diferenciado com textura e cor sempre em destaque com o piso que estiver ao redor.

A reportagem do DHoje Interior esteve presente no Terminal Urbano para entrevistar a deficiente visual e deparou com a irregularidade. Na espera da chegada do ônibus, diversas pessoas ficavam paradas em cima da pista tátil. Até mesmo durante a locomoção de Janaína, foi flagrado um esbarrão dela com uma munícipe parada na pista.

Indagada da situação, a cuidadora de idosos Claudete Cecília da Silva demonstrou falta de conhecimento da função do piso tátil. “Fiquei até sem jeito. Como eu não sabia, muitas outras pessoas não têm noção da importância dessa pista. Prometo não ficar mais parada em cima dela”, disse.

Janaína Gueett cobra maior conscientização das pessoas em relação a pista. “Falta uma campanha para alertar a população sobre a função do piso tátil e de sua importância para nós deficientes. A maioria delas não sabe”, alerta Janaína.

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Piso destinado para locomoção dos deficientes visuais ou com baixa visão é tomado por pessoas no terminal urbano. “Falta conscientização das pessoas”, diz Janaína

 

Por Vinícius MAIA

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