Dança das cadeiras partidárias pode ter ao menos três trocas em Rio Preto

Vereador Jean Charles descartou a hipótese de mudar de partido (Foto: Cláudio Lahos)

Em 2017, uma brecha foi aberta na reforma política aprovada pelo Congresso. Trata-se de uma ‘janela’ que permite aos políticos a troca de partido desde que respeitem o prazo de 30 dias que antecedem as eleições.

Essa brecha está sempre em discussão por permitir que políticos descontentes e/ou com divergências de ideias com suas legendas migrem para outros partidos que atendam aos seus ideais e deem continuidade aos seus projetos. Contudo, essas discussões apontam outras novas inclusões à reforma política que o país vem sofrendo.

A diminuição do tempo de propaganda para alguns partidos, a drástica redução do financiamento para partidos – em sua maioria agora vinda de pessoas físicas e não jurídicas – entre outras mudanças, acaba seduzindo alguns parlamentares e estes optam por legendas de maior visibilidade.

Em Rio Preto, por exemplo, as conversas para a mudança de partido de alguns vereadores já começam a agitar os bastidores políticos. Um dos nomes certos nessa mudança é o do vereador Jean Dornelas que em fevereiro deste ano, por questões diversas, foi expulso do PRB e agora encaminha sua filiação ao PSL.

O vereador, de acordo com seu assessor Esio Filho, aguarda somente a abertura da ‘janela de transferência’ para finalizar o acordo.

Mas em conversa com o presidente da Casa, Paulo Pauléra, foi mencionado o fato de que “ainda estamos esperando o Jean vir conversar com a gente”, disse o presidente.
Ou seja, ainda há a chance de que, ao invés do PSL, Dornelas escolha ficar ao lado dos Progressistas, antigo PP.

Por sua vez, Pauléra deixou claro que não pretende deixar o Progressistas e que a ‘dança das cadeiras partidárias’ deve afetar muito a corrida eleitoral do próximo ano.

“Com certeza veremos menos partidos e menos candidatos. Isso acarretará numa briga ainda maior e, obviamente algumas injustiças”, afirmou, usando como exemplo candidatos que tiveram números expressivos de votos, mas que, por conta do coeficiente eleitoral de 15 mil votos ao qual não foram atingidos por seus partidos, acabaram ficando de fora.

“Sempre somos cobaias e isso – queda das coligações – é mais um experimento que vamos sofrer. Foi assim com o corte do financiamento, foi assim também com a diminuição do tempo de propaganda; claro que nós não podemos nos acomodar e sempre precisamos ir além ao que temos feito em nossas campanhas, mas isso atrapalha e o reflexo vem no ano que vem”, frisou Pauléra.

O presidente comentou também que nem todos os vereadores estão pensando em fazer a troca por outro partido. “A gente conversa, ouve, o clima ainda é bom aqui dentro, e isso posso dizer que, nem todos têm essa intenção de migrar”, ressaltou, mencionando, por exemplo, o vereador Marco Rillo, que deve permanecer no Partido dos Trabalhadores, o PT.

Outro que não tem a menor intenção de deixar o partido é Anderson Branco ex-PSB, mas que hoje legisla sob as cores do PR.

“Estou contente com o partido, estou trabalhando bastante e pretendo permanecer no PR. A busca pela reeleição, a busca pela manutenção dos projetos. Tudo isso tem muito peso na hora da escolha da legenda; vemos que alguns têm essa preocupação e isso pode afetar o resultado final no final do próximo pleito”, comentou Branco.

Ele ainda disse que basicamente oito partidos devem permanecer na disputa no ano que vem e são eles: MDB, PT, PR, Patriotas, Progressistas, PRB, PSB e PSD; e, segundo Branco, cada partido deve vir disputando para eleger dois parlamentares.
Disputadas

A vereadora Cláudia De Giuli, hoje no PMB, andou sendo sondada por algumas legendas na cidade. De acordo com ela, as propostas foram interessantes e, por ter sido “abandonada pelo partido, acabo sendo procurada; ainda não decidi se vou aceitar qualquer que seja a proposta, mas é bem provável que acabe mudando de sigla”.

Cláudia descreveu seu partido como “ausente”, mas que não atrapalha suas decisões de como devem prosseguir as atuações de seu gabinete.

“Essa ausência do partido me trouxe isso de benefício, eles não apitam naquilo que meus assessores e eu nos propomos a fazer. No entanto, o partido acabou se tornado fraco na cidade e, agora, sem as coligações, vai ficar um pouco mais complicado manter os projetos em andamento. A mudança (de partido) vai acontecer”, esclareceu a vereadora.

De acordo com informações de bastidores, o MDB, partido do prefeito Edinho, deve ser o destino final de Cláudia.

Hoje no PPS, Marcia Caldas também conversou com o DHoje e deixou claro que recebeu propostas para mudar de partido, “mas não vou me sujeitar a apenas fazer parte e cumprir cotas”.

Segundo ela, existe um bom relacionamento com o PPS, mas devido à queda das coligações e o enfraquecimento do partido na cidade, isso faria com que, hoje, ela não conseguisse dar continuidade em seus projetos.

“Acredito que acontecerá uma queda muito grande no número de partidos e candidatos. A meu ver não chegaremos a 10 partidos disputando votos na cidade”, comentou.

Os vereadores Jeans Charles Serbeto (MDB) e Gerson Furquim (Progressistas) estão com os discursos quase na mesma linha de raciocínio. Perguntados, por exemplo, se pretendem mudar de partido, ambos foram taxativos ao dizer que “nem pensaram nessa possibilidade”. Outro ponto em que concordam, é sobre o fortalecimento dos partidos além da qualificação dos seus candidatos. “Eles (partidos) vão ter que escolher bem seus representantes”, finalizou Furquim.

Por Ygor Andrade

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