Dados apontam redução de gravidez precoce

Foto Arquivo Pessoal

A gravidez na adolescência ainda é uma realidade muito frequente em Rio Preto. Nos
últimos anos, a quantidade de jovens que engravidaram precocemente na cidade teve
uma diminuição considerável.

No entanto, os números continuam altos. Segundo dados da Secretaria de Saúde, o índice de jovens com até 19 anos que deram à luz nos últimos cinco anos teve uma redução. Em 2014, foram registrados 643 gestações entre adolescentes.

No ano passado, foram totalizadas 488. Neste ano, até 16 de outubro, 374 adolescentes já deram à luz na cidade. Em 2001, a Secretaria de Saúde contabilizou 853 partos de adolescentes com até 19 anos, o que correspondia a 17,76% em relação ao número de partos do ano. Desde então, os índices vêm reduzindo.

Em 2015, dos 5699 nascidos em Rio Preto, 596 foram registrados entre as jovens, um
percentual de 10,45%. No ano seguinte (2016), foram 536 parto entre as adolescentes, o que totalizou 9,95%, da quantidade de partos realizados, que chegou a 5.386. Em 2017,teve outra redução em relação ao ano anterior, dos 5461 nascidos, 488 foram entre as adolescentes, 8,93%. Levando em consideração os dados, nos últimos dez anos (2007-2017), o percentual de gravidez entre jovens com até 19 anos caiu
mais de 5%.

Índice de gravidez precoce diminuiu em Rio Preto nos últimos cinco anos, porém os números ainda são altos. Neste ano, 374 jovens com até 19 anos deram à luz na cidade

De acordo com a ginecologista Clícia Quadros, a diminuição de gravidez precoce é uma
tendência não apenas em Rio Preto. No país, tem se apresentado uma redução considerável. No entanto, os índices ainda são altos. “Nos últimos anos a taxa de gravidez no Brasil tem diminuído, mas ainda é alta em relação a outros países. A informação através das redes sociais pode ter influenciado nessa queda de gestação,
além de métodos utilizados pelas mulheres como a pílula anticoncepcional e o DIU, que são de fácil acesso e depende apenas do consenso das mulheres que não pretende engravidar”, comenta.

A ginecologista comenta que, muitas vezes, é a falta de comunicaçãocom os pais e a confiança nos parceiros são as principais causas da gravidez precoce, pois os jovens não sentem necessidade de utilizar métodos contraceptivos, possuem aquele
pensamento de “comigo não acontece”. “Os adolescentes ainda possuem grande resistência no uso de proteção, principalmente os homens na hora de utilizar a camisinha masculina. A maioria dos adolescentes e jovens entre 14 e 25 anos não possui comunicação direta com seus parceiros e evita o assunto na hora H”, ressalta.

A gravidez precoce traz muitas mudanças na vida das adolescentes. Os sonhos e os planos precisam sofrer alterações. Além disso, como lembra a psicóloga Luciana Toledo, aumenta também a pressão psicológica dos pais ao longo da gravidez, o que altera os
pensamentos das jovens. “Geralmente, o adolescente com menos de 18 anos que engravida está estudando e começando a gerar expectativas sobre seu futuro, entretanto a família exige maior responsabilidade deles para encarar a nova situação, o que pode assustá-los e gerar grandes conflitos pessoais”, comenta.

Além das questões psicológicas, a gravidez na adolescência pode trazer riscos à saúde da gestante. “A gravidez precoce prejudica o desenvolvimento da jovem e afeta sua saúde para o resto da vida. O risco de morte materna também é maior, principalmente
quando a paciente possui menos de 15 anos. Ela perde também o convívio social e acaba se excluindo”, lembra Quadros.

Ketlen Mariana de Souza tem 19anos, mas aos 15 anos descobriu que estava grávida. Ela começou a namorar aos 13 anos, não tomava anticoncepcional e usava preservativo de vez em quando. Segundo ela, o casal achava que um dos dois tivesse algum problema de fertilizada, pois só depois de dois anos juntos que foi engravidar. A
gravidez precoce trouxe uma mudança significativa na vida da, até então, estudante.

“Por causa da gravidez, eu deixei de sair, perdi algumas amigas e os sonhos caíram pro chão. A gente perde a adolescência e já entra na fase ‘adulta’ por obrigação”, comenta.
Por conta da gravidez, Ketlen foi reprovada na escola, precisou parar os estudos e só agora está conseguindo terminar o Ensino Médio. Ela comenta que a maior dificuldade foi ter de morar com o pai e aprender sozinha a cuidar do filho, pois não tinha ninguém para ajudá-la. Hoje, o filho tem 4 anos e é a paixão da família. “Hoje ele é o meu
companheiro para tudo, além de o Enzo ser o xodó dos meus pais, tanto que nem posso levanta a voz com ele perto dos meus pais”, diz.

 

DST é uma preocupação social

A gravidez precoce é apenas um dos problemas relacionado à relação sexual sem preservativo. Além da gravidez, o sexo sem proteção pode transmitir diversas doenças sexuais que devem ser detectadas logo no início. De acordo com Clícia Quadros,
ginecologista, nem todas as DSTs apresentam sintomas visíveis, por isso a ajuda de um profissional da área da saúde é imprescindível para tratá-la o mais breve possível.

A ginecologista comenta que muitos jovens possuem orientações sexuais apenas na escola e acabam deixando de lado a prevenção na hora da relação por não terem consciência da gravidade e dos riscos de uma relação sem proteção. A negação e o medo de contar para a família são os primeiros empecilhos encontrados quando o jovem descobre uma DST, a incerteza da cura e o receio de procurar ajuda também
dificultam o processo de tratamento.

Associado a isso, vêm os problemas emocionais como isolamento social, tristeza, ansiedade entre outros. De acordo com a ginecologista, as conversas sobre sexualidade devem começar na puberdade. Ao invés de proibir, os pais ou responsáveis podem
auxiliar os jovens desde os primeiros passos na vida sexual, esclarecer suas dúvidas os ajudando a tomar melhores decisões. A psicóloga completa que, caso os adolescentes venham a ter algum problema, os país precisam se manter presentes.

“Os cuidados e alertas devem ser dados desde o início da puberdade para evitar tais problemas. Entretanto, depois de descobrir uma gravidez ou uma DST, os jovens precisam de cuidados e apoio dos pais. Os conselhos devem ser instruções de como ele
pode conciliar as novas necessidades à sua rotina e como lidar com essa situação, sem constrangê-lo ou puni-lo pelo que já aconteceu”, aconselha Luciana Toledo.

De acordo com a ginecologista, não só os jovens têm descuidado com a preservação. “O número de adultos depois dos 40 com DST também aumentou, pois as pessoas dessa faixa etária não se sentem tão vulneráveis e acabam se esquecendo de usar proteção.

Entre as doenças mais perigosas temos a Sífilis e a AIDS”, enfatiza Quadros. Conteúdo especial: Leandro BRITO

 

Da REPORTAGEM