Da lenda do pássaro azul para capital do interior, Rio Preto completa 166 anos

Rio Preto - Fotos Cláudio Lahos

“Uma cidade que começou diferente de todas as outras do Brasil e agora não para mais de crescer.” Nas palavras do diretor do Arquivo Público Municipal, Fernando Marques, São José do Rio Preto, que completa nesta segunda-feira, dia 19, 166 anos, depois de esperar quase 100 anos para iniciar seu desenvolvimento e se tornar uma verdadeira capital do interior, tem tudo para ser uma metrópole em um futuro próximo.

“Rio Preto foi diferente, nasceu da lenda poética do pássaro azul. Era terra de ninguém até que os dois mineiros, Luiz Antônio de Silveira e Antônio de Carvalho e Silva, seu irmão, chegaram com um capataz e sabiam que existiam o rio Preto e dois córregos que desaguavam nele, o rio Canela, que está debaixo da Avenida Andaló e o rio Borá, que está debaixo da Avenida Bady Bassit. A história diz que eles se perderam nas matas e um pássaro os ajudou a acharem o caminho de volta. Ambos fizeram a promessa que se achassem o caminho de volta eles iriam doar um pedaço dessa terra para fazer uma igreja e começar uma cidade. Como Luiz Antônio da Silveira era devoto de São José registraram a escritura e doaram um pedaço para começar uma cidade que iria se chamar São José do Rio Preto”, explica Fernando Marques, que continua.

“A cidade ficou por muito tempo sem se desenvolver por causa de questões administrativas. De 1852, que foi levantada a primeira casa, até 1894, onde foi criado o município, a cidade não crescia, porque se tivesse que prender alguém, teria que amarrar e levar até Jaboticabal que era a cidade mais próxima. Se você precisasse comprar um pedaço de terra e registrar uma escritura, tinha que ir até Jaboticabal também. Aqui não existia padre, cartório, juiz, nada. Então, só com a emancipação política que veio em 1894, que a cidade de fato começou a acontecer”, diz o diretor do Arquivo Público Municipal.

Segundo Marques, a chegada da estação de trem foi a responsável pelo crescimento da cidade. “Ela começou a acontecer e crescer e só foi consolidar com a chegada do trem em 1.912. As pessoas do país inteiro viram que tinham um porto para descarregar e levar nossa mercadoria para os estados mais ricos e não precisamos levar até São Paulo. Então, chegava o trem aqui e levava as coisas para o Sul. A cidade cresceu do dia para a noite por conta do trem. Podemos dizer que a partir de 1.912 a cidade nasceu”, conta.

De acordo com o diretor do Arquivo Público Municipal da década de 20 até a década 40, a cidade teve grandes administrações. Porém, foram nos anos 50 que Rio Preto expandiu. “A cidade teve grandes administrações até a década de 50, quando chegou o prefeito Alberto Andaló e iniciou uma administração revolucionária, onde começou a abrir ruas, avenidas, praças diferentes. Ela demorou para acontecer, de fato, mas também quando deu um boom a cidade foi embora. Nos anos 80 começou a crescer para a Zona Norte e não parou mais. Então, com essa expansão da Zona Norte, na administração do professor Manoel Antunes, ele começou a fazer os primeiros bairros e a cidade passou da Avenida Cenobelino de Barros Serra. São bairros pequenos, mas a cidade cresceu, principalmente, populacional e agora não para mais”, afirmou Fernando Marques, que acredita que Rio Preto, além de ser referência para as outras cidades da região, será a grande capital do interior nos próximos anos.

“Rio Preto vai se tornar a maior cidade do interior do Brasil nos próximos anos. Rio Preto vai chegar em Ribeirão Preto, porque tem muita área para crescer. Rio Preto está sempre está em evidência no país em relação a desenvolvimento. Então, acho que Rio Preto tem tudo para em 10, 15 anos se transformar numa metrópole diferente e melhor que muitas cidades do país e até capitais”, finalizou.

REFERÊNCIA NA SAÚDE

E um dos motivos para se acreditar que Rio Preto será a maior cidade do interior é a área da saúde, onde o município se tornou referência no país, como fala o diretor executivo da Funfarme/Hospital de Base, Dr. Jorge Fares.

“O Hospital de Base hoje é uma estrutura que de fato se tornou muito importante para Rio Preto, como um centro não só em saúde, mas economicamente. A demanda que recebe, a população que vem pra cá, que gera consumo em Rio Preto, que frequenta shoppings, restaurantes, comércio, é uma grande população de dois milhões de habitantes na região, que vem atrás de saúde e aqui se torna um polo de consumo para eles. Então, acho que economicamente também se tornou muito importante”, diz o diretor, que fala sobre as qualidades do complexo que faz 40.773 mil atendimentos/ano, 86.749 mil atendimentos de emergência/ano e 31.714 mil cirurgias realizadas/ ano, tudo com uma equipe de 3.975 mil colaboradores, sendo 387 médicos, 565 residentes de medicina e 59 estagiários de medicina.

“Em termos de saúde Rio Preto se tornou o grande polo do interior de São Paulo, não só da nossa região. Hoje, a Funfarme é maior que Ribeirão, que a Unicamp, por conta desses atendimentos, por conta da complexidade, é uma referência até para o Brasil, como cirurgia cardíaca infantil. Nós estamos recebendo criança do país todo. Então, vem famílias do país todo, como Roraima, Piauí, Mato Grosso. Além disso, temos os transplantes de fígado, medula, rim, que existem em São Paulo e outros locais, mas aqui é uma referência”, exalta o Dr. Jorge Fares, também se recordando do início dessa transformação do complexo.

“O HB era uma estrutura muito sucateada na época, quando comecei em 1991, não tinha recursos e era mal visto pela sociedade de modo geral. O Hospital de Base era o fim da linha. E isso veio mudando, diferenciando e mudou por vários fatores. Houve um grande grupo de pessoas que vestiram a camisa, se qualificaram e começaram a oferecer coisas diferentes que a cidade não conhecia, como os transplantes, a cirurgia cardíaca infantil e conhecimento de outras áreas que a cidade não oferecia e isso vai trazendo qualidade para a instituição. Uma coisa puxa a outra e tudo isso exige qualidade e as outras instituições por não ter isso não tiveram essa evolução. Então, juntou essa necessidade da instituição melhorar e hoje o HB tanto na parte do SUS quanto na parte privada se tornou a grande referência para Rio Preto e região”, finaliza.

Outros dois pontos que fazem da saúde rio-pretense referências na região e no Brasil são os novos Centro Médico e Complexo Pró Saúde, como explica Diene Heiri Longui Trajano, Chefe do Departamento da Atenção Especializada.

“Quanto à relevância dos dois serviços vale ressaltar que o município, apesar de ofertar consultas e exames de especialidade em acordo com parâmetros ministeriais, enfrenta uma demanda reprimida de alguns procedimentos, e após a implementação desses serviços foi possível a ampliação da oferta até mesmo através de mutirões que reduziram o tempo de espera por consultas e exames. Outro ponto de extrema importância foi que o Centro Médico proporcionou, através da informatização, a qualificação da referencia entre os médicos da atenção básica e especialistas”, disse a profissional.

Segundo Diene Heiri Longui Trajano, no Complexo Pró Saúde funcionam o Centro diagnóstico/Hospital Dia, que oferta mensalmente uma média de 750 pequenas cirurgias, 1500 ultrassom, 800 endoscopia, 350 ergometria, 150 espirometria, 130 eletroencefalograma,  120 eletrocardiograma com laudo e 80 holter; Serviço de Atenção Domiciliar que atende uma média de 350 usuários mensais através de 3000 visitas domiciliares por mês; Centro Especializado na Saúde do Idoso, que oferta cerca de 250 consultas mensais em geriatria e atendimento multiprofissional especializado para esta população; Ambulatório de Doenças Cronicas Neurológicas e Psiquiatria e Ambulatório de Referência para feridas crônicas. No complexo ainda será implantado um laboratório de patologia clinica e um serviço de tomografia.

Já o Centro Médico de Especialidades, que foi inaugurado neste ano e funciona de segunda a sexta-feira das 7h às 19h, e aos sábado das 7h às 13h, oferta uma média de cinco mil consultas semanais em 27 especialidades médicas.

“Os serviços que se referem ao Centro Médico e Complexo Pró Saúde são serviços de especialidade, complementares a Atenção Básica, visando à integralidade do cuidado no SUS. São serviços municipais e de administração direta, portanto ofertam atendimento prioritariamente aos munícipes de Rio Preto, sendo uma porcentagem de vagas ofertadas a região devido a uma pactuação prévia (PPI)”, explicou.

ALTA NO EMPREGO

11ª cidade do Brasil que mais gerou emprego em 2017, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho e Emprego, Rio Preto também vem se destacando na área em relação ao restante do país, que ainda sofre com as recentes crises. Assessor especial da Secretaria de Trabalho e Emprego, Rubens Silva falou sobre a situação na cidade.

“Existem em Rio Preto de 12 a 15 mil desempregados e mesmo com esses números a cidade tem um saldo positivo de 600 empregos. Os números de emprego em Rio Preto, com a inserção de novos postos, tendem a melhorar, porque temos informação junto ao setor econômico e ao setor de planejamento da cidade, que o município deve receber mais investimentos no setor de hipermercados, no setor de alimentação. Devem chegar agora para 2018 duas grandes redes de hipermercados e isso é um dado importante, porque esses agentes empregadores agregam inúmeros postos de trabalho”, disse Rubens Silva.

BERÇO DE ESTUDANTES DA REGIÃO E DO BRASIL

Desde o ensino básico até a faculdade, Rio Preto também se destaca no cenário nacional com grandes polos de educação, como a Fatec, que já formou 1365 alunos em seus cursos de graduação, e hoje têm 1164 alunos, sendo 75% da cidade e 25% da região.

“A história da Fatec em São José do Rio Preto iniciou-se no primeiro semestre de 2004, quando se tornou a única instituição pública a oferecer cursos superiores de tecnologia no município. E, mais do que isso, passou a prover o mercado de trabalho local e regional com profissionais altamente qualificados e preparados para atuar nas diversas atividades econômicas relacionadas à tecnologia da informação, à gestão e ao agronegócio”, explicou Diretor da Fatec, Prof. Dr. Ademar Pereira dos Reis Filho.

Uma das universidades mais procuradas de toda a região noroeste paulista, o Câmpus do Ibilce/Unesp de São José do Rio Preto, que está prestes a completar 61 anos, também atrai muitos estudantes de fora, e o atual número de 2.057 alunos matriculados, sendo 1.355 não rio-pretenses, mostra como a instituição acolhe os universitários.

“Resgatar a história desta universidade significa reverenciar os cidadãos rio-pretenses idealistas da década de 1950, que sonharam em instalar uma universidade numa cidade do interior, distante mais de 400 km da capital. Naquela época, nossos políticos e a comunidade em geral, tinham como principal anseio ter, na cidade de São José do Rio Preto, uma universidade pública para oferecer aos seus filhos um ensino superior de qualidade. Os jovens rio-pretenses, na década de 50, se quisessem estudar, enfrentavam, além dos grandes obstáculos próprios de uma capital como São Paulo, a grande distância, os poucos recursos de transporte e as dificuldades financeiras”, diz a diretora e professora da instituição Maria Tercília.

A  Unesp atualmente  possui  34 unidades (faculdades e institutos), distribuídas em 24 cidades paulistas , sendo que o Ibilce é um dos Câmpus mais complexos da Unesp, por possuir as três grandes áreas do conhecimento – Biológicas, Exatas e Humanas – em uma única unidade administrativa. Conta com 11 cursos de graduação (2.057 alunos), 12 programas de pós-graduação (1.300 mestrandos e doutorandos), além de cursos e programas de extensão, que são oferecidos semestralmente à comunidade interna e externa.  Os 215 docentes apoiados pelos 196 servidores realizam atividades de ensino, pesquisa e extensão que movimentam a economia, a cultura e a política de Rio Preto e região. Circulam pela unidade um público de 4.000 pessoas envolvidas nas diferentes atividades e segmentos da universidade.

“Consideramos, dessa forma, que a história desta instituição – que passou pelas denominações de Umurp, Fafi e, atualmente, Ibilce/Unesp – está mesclada com as lutas e conquistas políticas da  cidade de São José do Rio Preto e região. Podemos afirmar, com muito orgulho, que o antigo sonho daqueles determinados cidadãos rio-pretenses da década de 1950, que queriam ter na cidade uma universidade para atender apenas aos seus jovens tornou-se uma bela realidade. O Ibilce, hoje, após seis décadas, atende não apenas aos jovens de todo o Estado de São Paulo, mas também de vários estados brasileiros e de diversos países”, finaliza a diretora Maria Tercília.

Outra instituição de ensino com uma das vagas mais disputadas no Brasil, a Famerp, Faculdade de Medicina, também contribui com um grande número de estudantes vindo de fora de Rio Preto. Ao todo a faculdade tem 663 alunos, sendo 549 de outras cidades e regiões do país.

Para finalizar a magnitude que a educação traz para São José do Rio Preto, neste ano teremos a inauguração do Instituto Federal do Estado de São Paulo, que, além de ser outro importante polo de ensino, vai gerar 100 vagas de empregos diretos na cidade.

“Rio Preto está recebendo em breve e já oficial a instalação do Instituto Federal de São Paulo, que é um Instituto de formação tecnológica voltado para o ensino técnico, de graduação e pós-graduação. E a expectativa para o mercado de trabalho na cidade, uma vez que o Instituto é formador e gerador de conhecimento voltado para a tecnologia e a área de humanas e exatas, mais específico, é trazer esse conhecimento em tecnologia para que a gente possa oferecer uma formação diferenciada aos nossos munícipes e das pessoas que vivem em torno de Rio Preto”, afirmou o assessor da Secretaria Municipal de Trabalho e Emprego, Rubens Silva.

E assim, dessa maneira, recebendo e acolhendo milhares de pessoas de todos os cantos do Brasil, oferecendo saúde, emprego e educação, além de se preparar para o futuro, Rio Preto e os rio-pretenses comemoram mais um ano, como na letra de seu hino escrito por Ferdinando Giovinazzo, exaltando tua marcha, tua fé e levando para à glória, o pendão de São José.

Por Marcelo Shaffauser – redação Jornal Dhoje Interior

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