MAIS FÉRTIL: Coronavírus X Tratamentos de reprodução humana

A reprodução assistida tem como foco a busca da gravidez, a formação de famílias e a realização de sonhos que em algum momento no passado pareciam impossíveis. Já enfrentamos o H1N1, o zika vírus e, neste momento, acompanhamos o surto do novo coronavírus (Covid-19), uma ameaça global.

Nesse enfrentamento da pandemia de coronavírus, transcrevo aqui as recomendações das consideradas melhores sociedades de Reprodução Humana nacional e internacional, a Europeia e a Americana.

Dhoje Interior

Em todas as clínicas e locais de atendimento, existe um preparo ativo e intenso das equipes de trabalho. Parâmetros de segurança e controles de qualidade intensificados, com monitoração em tempo real para garantir a segurança das equipes e pacientes.

As informações apuradas, também extraídas das trocas com nossos colegas internacionais, definem nossos passos. Até o momento, os relatos de não sobreviventes (Fang et. al., recentemente publicado na Lancet em 11-03-2020) enfatizam a incidência de doenças como hipertensão, diabetes, doença coronariana ou doenças cerebrovasculares em pacientes de maior faixa etária.

A Sociedade Europeia de Reprodução (ESHRE) e a Sociedade Americana (ASRM), não reconhecem até o presente momento evidências de efeitos negativos nas gestações, especialmente naquelas em estágio inicial (CDC Americano e RCOG-Royal College inglês).

Há relatos de casos de mulheres positivas para o Covid-19 que deram à luz bebês saudáveis e alguns efeitos adversos neonatais como rotura precoce de bolsa amniótica, ou parto pré-termo, não tiveram comprovação de que eram resultantes de transmissão vertical, ou seja, de mãe para filho.

Esses dados mostram que o comportamento do Covid-19 é diferente do H1N1, que tinha importante implicação para grávidas e seus bebês. Mas a conduta é seguir com cautela. Se não há problemas de infertilidade, é aconselhável postergar e esperar outro momento para planejar a gravidez. Entretanto, não queremos que se repitam experiências como as do H1N1 ou do zika vírus, quando muitos pacientes esperaram e o tempo de sua fertilidade natural passou.

Para aqueles que estão em tratamento de reprodução assistida, as evidências até este momento sugerem seguir os planos, postergando apenas o momento da transferência por meio do congelamento de óvulos ou embriões.

Segue um resumo das principais sociedades de medicina reprodutiva do mundo acerca do COVID-19:

• Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e Red Latinoamericana de Reproducción Asistida (REDLARA)
Para aqueles que estão em tratamento de reprodução assistida, as evidências até este momento sugerem seguir os planos, postergando apenas o momento da transferência por meio do congelamento de óvulos ou embriões.
https://sbra.com.br/noticias/reproducao-assistida-e-covid-19-nota-conjunta-sbra-e-redlara/

• Sociedade Brasileira de Reprodução Humana
Em virtude das incertezas e falta de evidências robustas na literatura, e seguindo as orientações da ASRM, sugerimos que pacientes assintomáticos, sem suspeitas de contágio, que planejam realizar tratamento de reprodução assistida com gametas próprios ou usar ovodoação, espermatozoides de doador ou útero de substituição, também devem postergar o início de qualquer tratamento para obtenção de uma gravidez até que a situação no país relativa ao COVID-19 esteja controlada.
https://www.sbrh.org.br/?p=5013

• Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia
Como medida de precaução, e de acordo com a posição de outras sociedades científicas em medicina reprodutiva, aconselhamos que todas as pacientes de fertilidade que estejam considerando ou planejando tratamento, mesmo que não atendam aos critérios de diagnóstico da infecção por COVID-19, evitem engravidar neste momento. Para as pacientes que já estão em tratamento, sugerimos considerar adiar a gravidez através do congelamento de ovócitos ou embriões para posterior transferência embrionária.
https://www.eshre.eu/Press-Room/ESHRE-News

• Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva
1. Suspender o início de novos ciclos de tratamento, incluindo indução da ovulação, inseminações intrauterinas (IUIs), fertilização in vitro (FIV), incluindo recuperações e transferências congeladas de embriões, bem como criopreservação não urgente de gametas.

2. Considerar fortemente o cancelamento de todas as transferências de embriões seja a frescos ou congelados.

3. Continue a cuidar de pacientes que estão atualmente em tratamento ou que necessitam de estímulo e criopreservação de urgência.

4. Minimize as interações pessoais e aumente a utilização da telessaúde.
https://www.asrm.org/globalassets/asrm/asrm-content/news-and-publications/covidtaskforce.pdf
Os profissionais que atuam em Reprodução Humana: médicos, embriologistas, enfermeiros, psicólogos, técnicos, profissionais de RH, devem seguir com ética e prudência em um momento como este. A atualização sobre a pandemia coronavírus deve ser constante para proporcionar o melhor cuidado com os casais, sendo que os casos devem ser individualizados nas suas particularidades, para que o objetivo seja atingido sem colocar em risco nenhuma das pessoas envolvidas.

Por Luiz Fernando Gonçalves Borges – médico ginecologista e obstetra, pós-graduado em Reprodução Humana.