Consumo de tabaco é responsável por 90% dos casos de câncer de pulmão

Brasil deve fechar 2018 com mais de 31 mil novos casos registrados da doença

O tabagismo é a causa de 90% de todos os casos de câncer de pulmão no mundo, sendo que entre os 10% restantes, 1/3 corresponde aos chamados fumantes passivos, que também sofrem por conviver próximo aos fumantes. Nesta quinta-feira (31) é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco que serve como alerta sobre os malefícios provocados por este vício.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Rio Preto, por mês, pelo menos 119 pessoas morrem vítimas de doenças ligadas ao tabagismo. Nos últimos cinco anos, entre 2013 e 2017, as doenças do aparelho circulatório, como infarto e AVC, e do aparelho respiratório, como pneumonia e doença obstrutiva crônica, causaram 7.157 óbitos no município.

Dhoje Interior

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelam ainda que fumantes têm 10 vezes mais chances de adoecer com câncer pulmão e são cinco vezes mais suscetíveis a sofrer infartos, bronquite crônica e enfisema pulmonar. “Neste ano o Inca está focando o combate ao tabagismo nas doenças cardiovasculares. Mas o tabaco não só age nas doenças cardiovasculares, ele age também nas doenças respiratórias e envelhecimento precoce, porque fornece muitos radicais livres. De 25 a 40% das pessoas que convivem com fumantes vão desenvolver doenças cardiovasculares e respiratórias”, disse o pneumologista Fabiano Ferrari.

Segundo levantamento do Inca, o Brasil deverá somar 31.270 novos casos de tumores pulmonares em 2018. Além disso, o mau hábito aumenta as chances de desenvolver ao menos outros 13 tipos de câncer: de boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, intestino, rim, bexiga, colo de útero, ovário e alguns tipos de leucemia. Apesar destes dados não serem novidade, o país ainda registra um elevado número de casos de neoplasias malignas entre a população fumante. “Ao longo dos próximos anos, cerca de 17 milhões de pessoas vão morrer no mundo por causa de doenças respiratórias provocadas pelo tabaco”, frisou o médico.

 

E se eu parar de fumar?

Principal fator de risco evitável de tumores pulmonares, o tabaco está presente em cigarros, charutos, cachimbos, narguilé e também nos cigarros eletrônicos. E, ao contrário do que muitos usuários destes produtos acreditam, nunca é tarde demais para parar. Os benefícios à saúde começam apenas 20 minutos após interromper o vício: a pressão arterial volta ao normal e a frequência do pulso cai aos níveis adequados, assim como a temperatura das mãos e dos pés são normalizadas.

Em 8 horas, os níveis de monóxido de carbono no sangue ficam regulados e o de oxigênio aumenta. Passadas 24 horas, o risco de se ter um acidente cardíaco relacionado ao fumo diminui. E após apenas 48 horas, as terminações nervosas começam a se recuperar de novo e os sentidos de olfato e paladar melhoram. De duas semanas a três meses, a circulação sanguínea melhora consideravelmente. Caminhar torna-se mais fácil e a função pulmonar melhora em até 30%.

A partir de um a nove meses, os sintomas comuns em fumantes, como tosse, rouquidão, e falta de ar ficam mais tênues. Os cílios epiteliais iniciam o crescimento e aumentam a capacidade de eliminar muco, limpando os pulmões. A pessoa fica mais disposta para realizar atividades físicas. Em cinco anos, a taxa de mortalidade por câncer de pulmão de uma pessoa que fumou um maço de cigarros por dia diminui em pelo menos 50%. Quinze anos após parar de fumar, torna-se possível assegurar que os riscos de desenvolver câncer de pulmão se tornam praticamente iguais aos de uma pessoa que nunca fumou.

Por Priscila CARVALHO