Conheça os segredos por trás das simpatias

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A apresentadora Ana Maria Braga surpreendeu os telespectadores no último dia 22. Ela abriu o programa Mais Você, da Rede Globo, ensinando a fazer simpatias para atrapalhar o time argentino River Plate e garantir a vitória do Flamengo, na final da Copa Libertadores, no sábado, dia 23. Resultado: de virada, o Fla venceu o rival por 2 a 1 e é campeão da Libertadores 2019. A última vez que o time levantou a taça foi em 1981.

Será que as simpatias funcionam mesmo? A psicologia junguiana explica que as simpatias, as magias ou os feitiços nada mais são do que rituais feitos para alcançar algum objetivo e são um elo de conexão entre o mundo interno e o mundo externo. Mas, afinal o que significa isso? A psique, um complexo sistema que reúne todos os aspectos da personalidade, os sentimentos, pensamentos e comportamentos, tanto conscientes como inconscientes, têm forte ligação com os rituais.

É por meio dela que os rituais promovem a conexão entre as realidades exteriores e interiores, entre as esferas superiores e inferiores. Ou seja, quando a pessoa coloca uma forte intenção durante um ritual, ela cria uma conexão entre o mundo interno e o externo. Não são os elementos usados na simpatia que fazem o desejo se realizar, mas a fé que a pessoa coloca no ritual que está sendo feito. É assim também que funciona a oração, que já teve seus benefícios comprovados pela ciência.

Há trabalhos científicos feitos em UTIs, mostrando que pessoas que ‘receberam orações’, comparadas com um grupo que não recebeu orações, tinham menos complicações. Os rituais seguem a mesma linha. O fato de se preparar para realizar o ritual da simpatia, reunir materiais como velas, plantas, flores, frutos ou qualquer outro elemento simbólico, faz com que a mente da pessoa entre em sintonia com o desejo. Essa sintonia cria uma emoção, que é a válvula propulsora para a realização.

Conhecida como uma forma de magia ou feitiçaria mais básica e branda, as simpatias estão muito ligadas ao povo e, algumas vezes, são passadas de geração para geração de forma empírica. Elas estão diretamente ligadas à superstição, porém há muitas pessoas que afirmam que realmente funcionam e dão resultados surpreendentes. Há muitas pessoas que fazem várias simpatias para amor no geral, desde aquelas que são realizadas para conquistar uma pessoa desejada, separar alguém do outro, fazer com que o ex volte correndo e muito mais. A aposentada Olinda Piton, 91 anos, conta que antigamente todas as pessoas faziam simpatias e sempre funcionava.

“Me lembro bem da minha mãe, na hora que ia dormir, ela rezava um Pai Nosso, Ave Maria, um Glória ao Pai e depois pedir para Santa Maria que o acorde em tal hora (risos), ela fazia com fé, então dizia que dava certo”, comenta. Ela destaca que sabe muitas simpatias antigas. ‘’Por mais que eu esteja velha, ainda tenho a memória muito boa (risos), por exemplo, a simpatia de santo Antônio ‘O Santo Casamenteiro’, ele ajuda mulheres e homens que estão condenados a ficar solteiros a conseguirem realmente casar’’. Já seu João, 84 anos, diz que simpatia é uma tradição muito antiga. “Nós, antigos, acreditamos muito em simpatia. Espero que a geração de agora fique sabendo dessas e repassem para todos, e que nunca acabe essa tradição de simpatias’’, relata.

A proprietária de um bar, Gilda Soares, 69 anos, afirma que desde muito nova sempre deu atenção aos antigos quando o papo era sobre diversas simpatias. “Hoje, passo todas as simpatias que sei para meus filhos e netos. São coisas diferentes, mas que funcionam, por exemplo, na véspera do dia de Santo Antônio, à meia-noite, quebre um ovo de galinha caipira em um copo virgem com água benta, deixe no sereno a noite toda, e no dia seguinte, antes do sol nascer, vá observar o copo. Se no copo você perceber uma névoa branca, parecida com véu de noiva, é porque você vai se casar antes do próximo dia de Santo Antônio. Essa simpatia é uma das mais conhecidas.

O pessoal mais antigo diz que realmente funcionou’’, conta. A dona de casa Luíza Garcia, 41 anos, revela que é adepta da superstição. “Quando chega visita em casa e demora para irem embora eu coloco uma vassoura de ponta cabeça com um garfo espetado, atrás da porta, e a visita vai embora. Sempre funciona e eu adoro fazer isso (risos)’’, afirma. O estudante Marcelo Silva, estoquista, 26 anos, conta que gostou do assunto: simpatias. ‘’Acho muito legal essa tradição tão antiga, que as pessoas levam adiante até hoje.

Por exemplo, a de escrever o nome da paquera e colocar no freezer para ela não esquecer, eu já fiz, parece que deu certo (risos)’’, frisa. Júlia Maria, estudante, 20 anos, diz que há diversas simpatias interessantes. ‘’Não basta praticar a simpatia, temos que ter fé, e usar a mente. Acredito que isso ajude muito, pois se fizermos sem fé e força de vontade, pode ser que nada dê certo’’, finaliza.

 

A mente tem todas as respostas

“A mente humana esconde um potencial infinito. Nela estão as respostas para todas as grandes questões da vida. Todos nós temos a capacidade de realizar tudo aquilo que queremos para a nossa vida, seja na área profissional, financeira, amorosa ou qualquer outra”, afirma o psicoterapeuta Thiago Guimarães.

Ele frisa que tudo vai depender do quanto a pessoa está preparada para se conectar com o fluxo da abundância, que nada mais é do que a ‘emoção’ colocada naquilo que se faz. “Neste fluxo não existe desequilíbrio, dor, sofrimento ou escassez.

A abundância não está ligado apenas ao dinheiro, ela envolve todos os fatores da vida: bem-estar, psicofísico, espiritual, familiar, social e também o econômico”. Thiago acrescenta que “todos nós estamos fazendo rituais o tempo todo. O simples fato de acordar, desligar o despertador e logo reclamar que está com sono é um ritual.

Ou então, já pegar o celular e olhar as notificações, olhar para o trânsito e reclamar: tudo isso que fazemos todos os dias, por exemplo, são rituais que carregam uma emoção e que vão trazer algum tipo de realização. O segredo é conseguir olhar para estes rituais e ajustá-los. Assim, podemos nos tornar cocriadores da nossa própria realidade”.

 

Por Verônica MAESTRELLA

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