Confiança no agronegócio cai e pecuaristas buscam alternativas online

Segundo especialistas, pandemia obrigou pecuaristas a migrarem para o mundo virtual

O Índice de Confiança do Agronegócio fechou o primeiro trimestre de 2020 em 100,4 pontos, uma queda de 23,4 em comparação ao final de 2019 quando atingiu o nível máximo de confiança desde que o levantamento começou a ser realizado. Este é o pior índice dos últimos três anos e meio.

As empresas de insumos agrícolas compõem o grupo mais pessimista, com um Índice de Confiança de apenas 86,2 pontos, 36,2 pontos abaixo do 4º trimestre de 2019.

Dhoje Interior

“Os efeitos da pandemia sobre as condições econômicas criaram uma enorme frustração para essas indústrias, cuja expectativa, sustentada pelo grande otimismo dos produtores no fim de 2019, era que 2020 fosse um dos melhores anos já registrados para o setor”, observa Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

Para tentar contornar a crise, alguns setores buscaram alternativas no meio online. Com a proibição da realização de leilões de gado presenciais, devido ao risco de aglomerações, pecuaristas estão vendendo e comprando animais por meio de aplicativos.

“A pandemia obrigou o proprietário de gado a migrar para o meio online. Acredito até que a prática se torne comum depois da quarentena, pois um leilão presencial gera muitos custos para transportar e manter vários animais em um único espaço”, afirmou Ciro Thiago Neto, idealizador do aplicativo CompreGados, que já promoveu mais de R$ 120 milhões em negócios de compra e venda de animais nos últimos seis meses.

Na contramão de outros setores do agronegócio, o setor de gado pode até registrar um aumento durante a pandemia.

“Com a alta do dólar, o Brasil está exportando bastante carne bovina para outros países, principalmente para a China que já está se recuperando economicamente. Embora o consumo interno tenha caído bastante, o consumo externo tem compensado para os pecuaristas”, explicou Neto.

Por Vinicius LIMA