CONEXÃO CAPIVARA:De volta para o futuro

investigação - Delegado Renato Pupo é o responsável pelas investigações sobre o desvio na Saúde de Rio Preto

Uma base insuficiente para garantir a aprovação de projetos polêmicos na Câmara de Rio Preto; um grupo de parlamentares eleitos pela oposição, mas que topa na hora virar governo – desde que tenha cargos e influência na administração; a falta de uma liderança no Legislativo que consiga garantir uma maioria satisfatória e; aliados de verniz progressista que, muitas vezes, dão mais dor de cabeça que a oposição e adoram colocar suas assinaturas em toda CPI que aparece.
Não, não se trata apenas do atual mandato de Edinho Araújo (2017-2020). O cenário acima foi uma constante da primeira gestão de Edinho no comando de Rio Preto (2001-2004). Mantém-se o prefeito, mudam os vereadores, mas a relação com o Legislativo continua bastante conturbada.
Retrocedendo 18 anos no passado, Edinho tinha sido eleito pela tal Frente Progressista, com o PT sendo seu principal aliado na Câmara. Mas o PT, sempre sendo PT, criava enormes dificuldades dentro do Legislativo, com pedidos de CPIs em série e se digladiando internamente numa briga fratricida por espaço político – ainda naquele período pré-mensalão, o partido se vendia como o último baluarte da moralidade política no País.
Paralelo às trapalhadas do PT, foi montado o Grupo dos 14 – lembrando que, naquela época, Rio Preto tinha 21 e não 17 parlamentares como agora. O tal G14 era liderado por ninguém menos que o vereador Alcides Zanirato, que oscilava entre um apoio cego e uma oposição ferrenha a Edinho, com a mesma intensidade. O então secretário de Governo, Carlos Feitosa, era daqueles que tentava fazer a política com o chamado P maiúsculo, na base do convencimento e tentando escapar de fisiologismos. Feitosa tentou, mas fracassou e foi demitido por Edinho após entrar em rota de colisão com Beleloy, um dos integrantes do G14.
Edinho cedeu então ao que lhe parecia mais conveniente na época: nomeou um líder de governo para comandar suas votações. O escolhido? Claro, o próprio Zanirato, que de pedra no sapato se transformou em bálsamo para os pés. O prefeito cedeu e atendeu muitos dos pedidos e nomeações que eram exigidas pelo G14.
Estamos em 2018 e certamente Edinho já sente que viu esse filme. Fabio Marcondes (PR) é, hoje, o Zanirato de 2002. Está à frente de um grupo mais ou menos coeso que garantiria ao prefeito um sono mais tranquilo. O verniz moralizador do PT no passado é agora empunhado pelos vereadores aliados Jean Charles (MDB), Renato Pupo (PSD), Pedro Roberto (PRP) e Márcia Caldas (PPS). Dizendo-se fiscalizadores e coerentes com sua história parlamentar, foram eles que assinaram e garantiram a instalação da CPI da Emurb, a primeira contra o governo Edinho Araújo neste atual mandato. A mesma Emurb que – vejam só! – foi alvo de uma CPI em 2001 liderada pelo então aliado Márcio Ladeia, do PT.
A situação hoje é parecida, mas a decisão a ser tomada por Edinho ainda é desconhecida. Deve ele ceder ao fisiologismo para garantir o apoio dos vereadores do baixo clero? Deve nomear Marcondes líder de governo para estabilizar sua situação na Câmara? Deve enquadrar os aliados rebeldes e ameaçar de rompimento caso não demonstrem total fidelidade ao governo?
Certamente o prefeito se faz essas perguntas, assim como já fez em 2001. Lá ele encontrou suas respostas. Que podem ser diferentes agora, dada a situação política. Já dizia o comunista alemão Karl Marx destacava: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Resta saber se – e como – o prefeito pretende repetir a sua história política.

Clique aqui – Confira na íntegra  a página impressa deste domingo

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS