Conexão Capivara: ‘Vou defender a família tradicional’

Foto Guilherme Batista

O vereador e candidato a deputado estadual Anderson Branco, do PR, segue se apresentando como uma contradição ambulante.

Considera a esquerda, ou o socialismo, termo que ele usa muito, responsável por toda a corrupção que existe no Brasil.

Mas chega a propor uma instituição bancária que possa ajudar “os mais pobres”, diz que vai trabalhar na Assembleia Legislativa por universidades públicas e acha que programas como o Bolsa-Família não devem acabar.

Embora idolatre Jair Bolsonaro (PSL), Branco diz que é de direita, mas não gosta dos extremos. “Eu concordo com tudo, mas nem 100% com tudo. Eu tenho a minha personalidade”, diz quando questionado sobre o fato de o capitão da reserva ser de extrema direita. Abaixo, principais trechos da entrevista que ele concedeu à coluna na manhã desta quarta (12).

O senhor se elegeu vereador pela primeira vez em 2016, chegou à Câmara como uma das grandes surpresas e ainda não cumpriu nem metade do mandato. Ambicionar um novo cargo neste momento não representa um desrespeito com quem apostou no senhor para a vereança?
Anderson Branco – Eu não vejo assim, porque no meu primeiro mandato já tive quase 30 projetos de lei aprovados na Câmara. Eu tenho feito um trabalho contundente com a família tradicional e contra a pedofilia, que é minha bandeira de trabalho. E o senador Magno Malta, uma liderança nacional do meu partido e um grande amigo, me incentivou. Foi através do senador Magno Malta que teve início minha amizade com o Bolsonaro também. E o senador Magno Malta pediu que eu saísse candidato a deputado estadual. E ele disse que não é porque eu estou no meu primeiro mandato que eu não deveria lançar meu nome, porque sou um nome de renovação. E eu acredito que a política velha tem que acabar. Deputados de três, quatro, cinco mandatos aqui na nossa região. Não quero citar nome que é desagradável. Eu até resisti no início. Conversei com a minha assessoria, que falou não. Aí, cheguei à conclusão que eu tinha de terminar o meu mandato e, no meio do meu segundo mandato, sair a deputado. Eu cheguei a pensar isso. Mas o momento em que estamos atravessando no País, de tanta corrupção, tantas situações, tantos problemas na sociedade, mais a conversa que eu tive com o senador, me fizeram mudar de ideia.

O senhor é do PR, partido que apoia Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa para presidente, mas tem feito campanha para Bolsonaro. Isso não é uma incoerência política e partidária muito grande?
Branco – Não. Todo mundo sabe, no Dhoje e nos outros veículos da cidade. Eu já estava trabalhando o nome Jair Bolsonaro desde o começo do meu mandato através do senador Magno Malta. Eu iniciei esse trabalho. Tinha ido a Brasília e o convidei para vir a Rio Preto. Ele não poderia vir naquele momento porque a agenda dele estava complicada. Isso bem antes de o meu partido fechar apoio a Alckmin. E eu nem sabia, nada contra ele. Mas eu não poderia deixar de continuar o trabalho que eu acredito na questão do presidenciável Jair Bolsonaro, que se tornou amigo pela identidade das bandeiras dele com as minhas. Não digo todas, mas 90% de identidade. E eu já vinha trabalhando com isso antes mesmo de eu sair, de eu pensar ou resolver ser candidato a deputado estadual.

Mas o mesmo comportamento se repete em São Paulo, em que o PR apoia o governador Márcia França (PSB), mas os integrantes da cidade decidiram extraoficialmente apoiar João Doria (PSDB). Não é antiético com o partido?
Branco – Antiético é você trabalhar contra a população. Eu acho que eu não sou um político manipulável. Eu tenho as minhas próprias convicções e eu resolvi, sim, apoiar o Doria. No caso, porque temos uma liderança rio-pretense que é o Rodrigo Garcia, que admiro muito. Eu acho que Rio Preto e região, o Estado de São Paulo e principalmente a nossa macrorregião só têm a ganhar tendo um vice-governador.

Ainda sobre Bolsonaro. Pesquisas Ibope e Datafolha o colocam na primeira colocação, mas com rejeição alta também. A gente pode falar que a cada dez brasileiros, quatro dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Porque o senhor acredita que Bolsonaro tem uma rejeição tão grande?
Branco – Olha eu não acredito em pesquisa, em primeiro lugar. Respeito todos os veículos de pesquisas do Brasil, não estou falando que existe manipulação ou compra de pesquisa, nada disso. Mas eu não acredito.

Então o senhor também não acredita que ele esteja na liderança, como dizem as pesquisas?
Branco – Não é que eu não acredito. Eu acredito pelo movimento, por exemplo. Mas não em uma rejeição tão alta, porque a própria mídia às vezes não concorda com o jeito do Bolsonaro ser. Então eu acho que existe alguns equívocos na questão da rejeição. Não estou falando que existe maldade da mídia. Estou falando que existem alguns equívocos. Nenhum presidente é tão carregado pelo povo como Jair Bolsonaro. Onde vai é ovacionado. Sempre tá ali com a população. O pessoal pegando. Você não vê presidenciável nenhum no Brasil sendo pegado no colo. Até ao ponto de ser agredido com uma facada, um absurdo o que aconteceu. Então eu acho que Bolsonaro é um sonho do povo brasileiro de mudança. De defesa dos valores da família. De defesa contra a pedofilia, contra a corrupção dos partidos de esquerda que estiveram no poder.

Mas tem rejeição, sim, como a gente pode ver, por exemplo, nas próprias redes sociais. Ao que o senhor acha que se deve essa rejeição?
Branco – Talvez as pessoas acabam não entendendo por falta de tempo na televisão para ele mostrar suas propostas. O jeito dele. As pessoas acham que vai virar uma ditadura no País, vai virar um militarismo, nada disso. Governo militar nenhum deseja retornar na atual democracia. Existe, agora, uma questão de ordem no Brasil. Então as pessoas, por falta de conhecê-lo e talvez entendê-lo, trazem essa rejeição. Porque, se as pessoas o conhecerem mesmo, e se ele tiver mais tempo de televisão para se apresentar de fato, de verdade, como ele tem se apresentado nas redes sociais, as pessoas vão mudar de ideia.

Em quais presidenciáveis o senhor não votaria de jeito nenhum?
Branco – Eu não votaria no Haddad. Não votaria nos partidos de esquerda. Ciro Gomes eu não votaria porque tem uma tendência socialista e comunista de apoio ao PT. Não votaria na Marina.
O senhor já recebeu R$ 100 mil do PR para a campanha e deverá receber mais R$ 30 mil. Como pretende gastar este dinheiro e quanto pretende gastar ao todo em sua campanha?
Branco – Essa questão de R$100 mil e de R$30 mil. É pouco dinheiro pra uma campanha de deputado. Isso aí se gasta para vereador. Às vezes até mais. Mas para deputado estadual é pouco para fazer uma campanha como eu gostaria.

O senhor acha que vai gastar quanto no total?
Branco – Eu não sei. Eu estou pedindo para amigos. Eu acredito que deva chegar um pouco além de R$130 mil. Eu não sei o quanto.

Quantos votos o senhor acredita que vai ter e quantos votos são necessários para que seja eleito?
Branco – No meu partido, somos em 120 candidatos a deputado estadual. Existe uma matemática de que podemos fazer de nove a dez deputados estaduais e, possivelmente, com 30 mil votos.

“O seu partido, o PR, apoia outro candidato aqui no Estado, o Márcio França. Mas em Rio Preto os principais lideres apoiam o meu candidato, o Doria. Você apoia quem em São Paulo? Segundo, seu partido está na coligação nacional do meu candidato à presidente, Geraldo Alckmin. Quem é o seu candidato à Presidência? (do deputado estadual e candidato à releição Vaz de Lima, do PSDB)
Branco – Como eu já falei, trilhei esse apoio ao governador Dória por causa do seu vice rio-pretense. E pra presidente meu voto pessoal e meu trabalho são para Bolsonaro. Porque eu nem sabia que Geraldo Alckmin viria a ser o candidato da nossa coligação quando declarei meu voto e posição. Eu sou o único vereador que representa Bolsonaro na Câmara de Rio Preto. E o único político da cidade com mandato que apoia o Bolsonaro se chama Anderson Branco.

Quais são as propostas do senhor para o eleitorado jovem, como atrair a atenção dessa categoria que está tão desiludida com política?
Branco – A juventude tem feito parte do meu mandato. Eu tenho ido às escolas falar do meu trabalho. Encontramos às vezes dificuldade para despertar na juventude esse lado político. Eu comecei na política através de grêmios da escola. Eu incentivo o jovem a participar. Hoje eu faço a minha palestra contra a pedofilia com os jovens nas escolas e os estimulo a iniciarem a participação em grêmios. E também venho trabalhando a questão contra o aborto e outras questões da família. E onde eu vou, às escolas, às igrejas das quais eu faço parte, eu sempre estou incentivando os jovens.

O senhor afirma sempre de forma contundente que é um candidato de direita. O que é ser de direita?
Branco – No Brasil, nunca teve muita esquerda e nem direita. Eu acho que direita é a gente trabalhar por um País mais justo, onde o trabalhador tenha como sobreviver. E tem a questão dos valores da sociedade, do capitalismo, porque a partir do momento que você é mais de direita, você é contra o socialismo, contra as lutas de classe, essas coisas. Então eu apoio a direita. Eu não acredito na direita extrema, nos extremos. E também não acredito no socialismo de extrema.

Mas o Bolsonaro é extrema direita…
Branco – Aí é aquela questão. Eu concordo com tudo, mas nem 100% com tudo. Eu tenho a minha personalidade.

Vamos para nosso teste, então?
1) O senhor é a favor de união homoafetiva?
Branco – Eu sou contra. Partindo do princípio da família. Acredito também na questão bíblica. Professo essa fé, essa crença na palavra de Deus. Mas eu não tenho nada contra a pessoa. Sou ligado a várias pessoas na sociedade que têm a sua questão homoafetiva. Eu não sou contra a pessoa. Eu sou contra esse modelo de família. Defendo a família tradicional.
2) O senhor é contra aborto mesmo em caso de estupro, por exemplo?
Branco – Sou totalmente contra em qualquer situação, porque Deus faz uma obra na vida das pessoas e eu não acredito que deva-se tirar uma vida gerada.
3) O senhor é a favor do Bolsa Família?
Branco – Deve ser mantida, mas com uma triagem. A pessoa deve receber até o momento que começa a trabalhar. E não ficar esse assistencialismo que o PT criou para fazer disso um reduto eleitoral. Então nisso eu ou contra. Essa questão eleitoral de prender as pessoas como gado nesses planejamentos aí.
4) Universidade pública gratuita como Unesp e Famerp. O senhor acha que deve continuar existindo esse modelo?
Branco – Eu acho que deve existir e ser facilitado para o jovem, para aquele que necessita realmente estudar, que tem vontade. Eu como deputado estadual também quero estar sempre defendo a universidade pública, porque sempre tem aquele cidadão que não tem condição de pagar e gostaria muito de estudar. Então eu defendo sim.
5) O senhor é a favor ou contra a privatização de empresas como Petrobras, Correios, Banco do Brasil e Caixa Federal?
Branco – Sou a favor, porque existe muito cabide de emprego, muitos cargos comissionados e muito dinheiro saindo pela tangente no nosso País. Vou dar o exemplo da Telefônica e as outras redes de telefonia do Brasil inteiro. Na privatização, surgiram novas empresas como Claro e Vivo, que geraram mais empregos.

Os bancos públicos têm uma função social, como facilitar crédito para a agricultura familiar e o pequeno empreendedor, por exemplo. Privatizar o Banco do Brasil e a Caixa não prejudicaria estas pessoas?
Branco – Acho que é uma questão a ser discutida. É muito complexo isso aí a nível federal e estadual, mais federal. Mas eu acho que a proposta é a seguinte, você privatiza e o governo cria uma entidade só, um banco só, e esse banco passa a emprestar dinheiro para o trabalhador, para as pessoas que precisam, os mais pobres. Mas aí seria uma coisa mais canalizada, porque existem duas, três instituições aí, e não vou nem falar de Petrobras, falando só de banco. Então, que criem tipo um BNDES, um banco que só desenvolva trabalho para essas pessoas que precisam, para esse agricultor, esse empresário que realmente precisa. Porque normalmente, vou ser sincero para vocês, os empresários pequenos e médios nunca viram tanto dinheiro assim. O dinheiro é muito canalizado para os grandes. Fica na mão de três, quatro no País, e as pessoas que precisam realmente de um crédito melhor não têm esse prêmio.

Mas essa é uma visão socialista da economia…
Branco – Como eu falei no começo, a gente não pode generalizar as coisas. E eu acho que os extremos são complicados. A gente tem que pensar no trabalhador e no pobre, ser socialista na hora de ajudar, não ser socialista na hora de roubar o País como têm feito.

Então o senhor não é tão convicto dos princípios econômicos da direita?
Branco – Não é porque eu não concordo com uma questão que eu não sou de direita. Veja bem, tem coisas no socialismo que eu acho legal. Desde quando funcionem. Não funciona quando o governo reina na corrupção. Desviar dinheiro do BNDES, Petrobras e outras coisas mais.

Os governos de direita não roubam?
Branco – Olha, extremamente como o socialismo fez no Brasil, não.

Uma grande polêmica recente na Assembleia Legislativa foi o projeto de lei proibindo o transporte de animais vivos para os países árabes, dividindo entidades protetoras dos animais e agropecuaristas. Qual seria o posicionamento do senhor diante de uma demanda como essa?
Branco – Sou a favor de continuar abatendo no local onde era abatido. Mas sou leigo nessa situação, não sou deputado estadual, sou vereador. Mas se eu tivesse lá, não veria problema nenhum de mandar esses animais vivos já que estão há muitos anos fazendo isso assim. E desde que não haja maus tratos aos animais, nada contra.

Por que o senhor acha que merece um voto de confiança do eleitor neste momento?
Branco – Eu sou um vereador de dois anos de mandato. De início de mandato. Mas eu vim para ficar, para lutar pela família tradicional. Aqui estão as minhas principais bandeiras, que são a família, o combate à pedofilia e o trabalho contra o aborto. Eu quero poder ampliar isso na Assembleia Legislativa, levar o meu trabalho, trazendo novidades. Às vezes, para alguns, sou um pouco polêmico, mas para outros eu sou mais atuante. Um dos vereadores que mais atendem no gabinete, o vereador que mais fez projetos de lei. E eu quero continuar ampliando esse trabalho e honrando o voto de cada um de vocês. Essa é a minha proposta de defesa da família e da educação no País. Sou contra a corrupção e pelo trabalho sério no Estado de São Paulo.

 

 

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