Conexão Capivara: Verdadeiro absurdo!!!

“A prática (de troca de cheques na boca do caixa da Emurb) era tão costumeira e disseminada que ninguém mais tinha noção do que era certo e do que era errado, diante da ausência total de controle, que, diga-se de passagem, era concentrado quase que totalmente nas mãos do senhor Anilto, de maneira amadora, sem que as chefias que por lá passaram tivessem tomado qualquer medida. O que se pode perceber é que a omissão das diretorias e a ausência de controle fizeram com que o Sr. Anilto fosse ganhando cada vez mais poderes, a ponto de controlar unicamente em suas mãos todo o caixa, o número de talonários colocados à venda e o controle dos valores dos depósitos diários”.

Esse é um dos trechos da sindicância encerrada nesta quarta-feira (30), conduzida pelo secretário de Administração, Luís Roberto Thiesi, e os servidores José Martinho Wolf Ravazzi Neto e Vagner Vicentim. O foco desta investigação foi a troca de cheques de terceiros na boca do caixa da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb) e a suposta existência de talões falsos da Área Azul.

Dhoje Interior

Foram 17 pessoas ouvidas e um relatório de 41 páginas. O principal responsável pelas irregularidades em série, de acordo com a sindicância, é o gerente da Área Azul, Anilto Carlos Alves. O relatório aponta que “a prática da troca de cheques com caixa da área azul era uma prática rotineira, notória e recorrente na Emurb e tão praticada que todas as pessoas ouvidas relataram o fato com a maior normalidade, sem que sequer pairasse qualquer suspeita da ilegalidade da utilização de recursos públicos para finalidade puramente privada”. Essa prática era permitida e mantida por Anilto que, inclusive, confessou que trocava cheques de clientes de mercado de propriedade de sua família, em Guapiaçu, com dinheiro proveniente da venda de talões.

Também ficou comprovada pela sindicância a culpa da servidora Ana Maria Martins Guilhen que, “por ocupar função típica de tesoureira, no mínimo, pecou pela omissão”. O relatório pede a abertura de processo administrativo contra os dois – Anilto e Ana Maria – por não terem agido “com zelo e dedicação”, desrespeitarem “as normas legais” e “manter conduta compatível com a moralidade administrativa”. A punição neste caso pode ir de uma advertência à exoneração do serviço público. O relatório também será enviado ao Ministério Público, para possível análise de uma ação de improbidade.

Já em relação aos talonários falsos, a sindicância não conseguiu comprovar o envolvimento de qualquer servidor. Mas apurou que havia um total descontrole no sistema da Área Azul. “É totalmente frágil. A inexistência total de controle facilitava qualquer fraude, até mesmo o desvio de talões verdadeiros e oficiais, porquanto ninguém fiscalizava a Chefia e as diversas diretorias que por lá passaram não só não diagnosticaram o problema, como não normatizaram a distribuição”, aponta o relatório. Ainda assim, a sindicância não conseguiu comprovar a existência de talonários falsos, porque “tal fato depende de prova material e ela não veio aos autos em toda a investigação”.

De qualquer maneira, foi o suficiente para revelar a total zorra – também já comprovada pela CPI na Câmara – que era a Emurb. Diz a Prefeitura que a desordem completa e irrestrita no controle dos talões e a troca de cheques na boca do caixa já foram sanadas. Mas não deixa de impressionar o fato de uma empresa pública ter sido tratada assim por anos a fio, sem que nunca nada tenha sido feito até então. Como diz o próprio relatório da sindicância: “Verdadeiro absurdo!!!”.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quinta-feira (31)