Conexão Capivara: Vai um líder aí?

Ainda continua ecoando no Executivo e no Legislativo a votação do empréstimo de R$ 203 milhões na última terça-feira (31), quando uma vitória certa quase se transformou em uma derrota inimaginável para o prefeito Edinho Araújo (PMDB). Afinal, como é possível um prefeito que tem o apoio declarado de 14 dos 17 vereadores passar aperto em uma votação na Câmara? É possível porque se trata da sempre enigmática Câmara de Rio Preto.

A votação de terça-feira mostrou parlamentares perdidos, sem eira nem beira, interrompendo a sessão às pressas para discutir estratégias açodadas nos gabinetes. E aí acendeu o sinal amarelo no Executivo: será que não era a hora de escolher um líder de governo para comandar a turma em plenário? Passar, ali no calor da discussão, as orientações do 8º andar? A resposta, por incrível que pareça, é: não.

Apesar de ter um secretário de Governo influente, Jair Moretti, que tem praticamente como única função fazer a ponte entre Executivo e Legislativo, Edinho sempre lançou mão de líderes de governo para levar a base aliada no cabresto. No primeiro mandato (2001-2004), foi o vereador Alcides Zanirato – que, na época, era visto como o principal articulador do Legislativo e inclusive iniciou o mandato na oposição ao prefeito. No segundo (2005-2008), foi a vez de Dourival Lemes assumir o posto e conduzir o grupo de apoio de Edinho no Legislativo.

E por que agora não funcionaria? Simples: Edinho não tem uma, mas duas bases aliadas dentro da Câmara. Dois grupos que praticamente não se conversam e que, muitas vezes, agem de maneira contrária. Um deles é formado pelos vereadores que apoiaram o prefeito nas eleições do ano passado. Outro, reúne parlamentares que começaram na oposição (o falecido G9), mas caíram nos encantos do rei. Ficam por enquanto fora dessas duas bases aliadas Marco Rillo (PT), Gerson Furquim (PP) e, mais recentemente, Jorge Menezes (PTB).

Um líder de governo para Edinho teria de sair necessariamente de uma de suas bases aliadas. Ocorre que o vereador escolhido não teria ascendência alguma sobre o outro grupo. Pior: essa liderança poderia ser vista como um desaforo e contribuir para mais cisões, acirrar os ânimos e provocar ciúmes entre os aliados-adversários.

Por isso, por enquanto, Edinho não deve se movimentar neste sentido e confiar, sobretudo, no trabalho de Moretti na Câmara. Mas corre o risco de se ver abandonado e perder votações importantes por conta desse racha – que, cá entre nós, é irremediável. É aquele velho ditado: melhor um pássaro na mão que dois voando. Hoje o prefeito tem duas bases aliadas no Legislativo, mas que estão voando alto demais.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (03)

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