Conexão Capivara: Um vice para Bolsonaro

A vida não está fácil para o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL). Líder em todas as pesquisas eleitorais nas quais não aparece o ex-presidente Lula, o parlamentar não
consegue emplacar um candidato a vice que possa turbinar sua campanha especialmente no rádio e na TV.

O mais novo partido a fechar as portas às intenções de Bolsonaro foi o PRP, cujo diretório nacional é sediado em Rio Preto. O partido negou nesta quarta-feira (18) a indicação do general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira (PRP) para o posto de vice de Bolsonaro. Heleno chegou a comandar o Exército brasileiro no Haiti e o deputado do PSL, inclusive, foi seu cadete durante o período em que esteve nas Forças Armadas.

Na terça-feira (17), o general chegou a dizer que não pleiteava nada, mas que estava “pronto para a missão” ao citar uma possível candidatura ao lado de Bolsonaro. Ontem, o discurso mudou.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Heleno falou que dirigentes do seu partido entre eles o presidente nacional, o rio-pretense Ovasco Rezende – afirmaram que não era do interesse do PRP a aliança com Bolsonaro. “Entendi o argumento (do partido) porque depende de deputados federais. O vice não acrescenta tempo de TV. Essa candidatura não é atraente para os diretórios estaduais do partido”, afirmou o general. O PRP pensa em lançar Heleno como federal, para puxar votos pra legenda, mas o plano mesmo é lançá-lo ao Senado. O general, porém, afirma que mantém seu apoio à candidatura de Bolsonaro e que vai continuar auxiliando no plano de governo.

Esse foi o segundo não recebido pelo presidenciável desde que se filiou em março deste ano ao PSL, já de olho na disputa eleitoral de outubro. O vice do coração para o deputado federal era o senador Magno Malta (PR), porém as conversas não avançaram.

O não do PRP vai servir para engrossar o discurso de Bolsonaro e seus admiradores de que ele tem dificuldade para encontrar aliados justamente por ser autêntico e impoluto, ao contrário da classe política em geral. Porém, o que ele precisa de verdade no momento
é de costuras político-partidárias para aumentar seu tempo de propaganda de rádio e TV, restrito no momento a míseros 8 segundos – abaixo dos 15 segundos do falecido Enéas Carneiro.

O tempo corre contra Bolsonaro. A partir desta sexta-feira (20), já tem início o período das convenções partidárias e o PSL já marcou a sua para domingo (22), no Rio de Janeiro. Outros dois nomes cotados a vice, com a desistência de Malta e do general Heleno, são o do presidente licenciado do PSL, Luciano Bivar, e a advogada Janaina Paschoal, uma das autoras do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff . Nenhum deles, porém, acrescenta um segundo sequer à propaganda eleitoral de Bolsonaro. O que certamente vai tomar mais espinhosa a campanha do deputado federal a partir de agosto.

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste quinta-feira(19)

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