Conexão Capivara: Um pé em cada canoa

João Doria parece ter aceitado fnalmente o inevitável: seu padrinho político Geraldo
Alckmin (PSDB) não estará de corpo e alma na sua campanha ao governo do Estado. Em passagem nesta sexta-feira (18) por Rio Preto, o ex-prefeito paulistano reconheceu que Alckmin tem “dois palanques” no Estado de São Paulo.

“Ele tem o palanque do atual governador, que era seu vice-governador, Márcio França, e o
nosso, do seu partido, o PSDB. Eu encaro isso com naturalidade”, afrmou o pré-candidato.
Resta saber onde estará o corpo e onde estará a alma de Alckmin nessa equação.
Doria retornou a Rio Preto seis meses após ser agraciado com o polêmico título de
cidadão rio-pretense – polêmico porque nem ele mesmo soube elencar quais foram os relevantes serviços que ele prestou para merecer a honraria. O périplo do ex-prefeito teve
início no aeroporto de Rio Preto, com direito a muito oba-oba de políticos de diversas cores partidárias. O vereador Paulo Pauléra (PP), autor do título de cidadão rio-pretense, não
se conteve: mandou estender uma faixa saudando “o futuro governador de São Paulo”.
Estrelou o momento vergonha alheia.

Ainda no aeroporto, Doria atendeu a imprensa e falou, entre outros assuntos, que
não desistiu de atrair o DEM de Rodrigo Garcia – preterido pelo PSD de Gilberto Kassab
– para sua chapa. Sobre o sempre recorrente assunto de que abandonou a Prefeitura de
São Paulo um ano e três meses após assumir, Doria disse que seu vice – e atual prefeito Bruno Covas – dará continuidade a todos os seus projetos. Sobre promessas para o Interior, ele afrmou que vai recriar a Secretaria do Estado do Interior para atender os prefeitos.

A visita não incluía o encontro com o prefeito Edinho Araújo (MDB), que apoia Paulo Skaf (MDB) para o governo. Mas por insistência do vice-prefeito Eleuses Paiva (PSD) e dos tucanos, Edinho recebeu Doria e a patota no gabinete, com direito a troca de afagos e cortesias.

A agenda política do ex-prefeito paulistano em Rio Preto incluiu ainda visita a veículos de comunicação e mais nenhum ato público. No fnal da tarde, seguiu para Votuporanga, em encontro com lideranças do Sindicato Rural, e à noite viajaria para Fernandópolis, para acompanhar o show da dupla Henrique e Juliano no Recinto de Exposições.

Confra abaixo os principais trechos da entrevista concedida por Doria à imprensa.
Negociações com o DEM O DEM é um partido que merece muito respeito. É historicamente um aliado do PSDB. Nós temos muita convicção de que os entendimentos que nós estamos mantendo com o deputado Rodrigo Garcia vão evoluir positivamente. Estamos felizes e
com boas expectativas.

Apoio de Geraldo Alckmin Ele apoia (a candidatura). O Alckmin tem dois palanques em São Paulo e compreensivelmente. Ele tem o palanque do atual governador, que era seu vice-governador, Márcio França, e o nosso, do seu partido, o PSDB. Eu encaro isso com naturalidade. Ele não está em cima do muro. Ele tem dois palanques. O que o PSDB pode trazer de novo Tudo que é bom pode ser ótimo. Tudo que é ótimo pode ser excelente. Sempre é possível aprimorar. Sempre é possível melhorar, mesmo aquilo que já vai bem. O governador Alckmin realizou um excelente trabalho, está no seu terceiro mandato. O
nosso objetivo é melhorar, aprimorar, atualizar e modernizar. E aonde for necessário
aprimorar. No caso da segurança pública, por exemplo, pode merecer um aprimoramento.

Nós temos que estar atentos a isso. Responder o que a sociedade deseja e realizar com
transparência, competência e eficiência. 
Ser candidato a presidente Nenhuma possibilidade. Nenhuma, exceto de apoiar Geraldo Alckmin à presidência. Não existe plano “B” no PSDB. Existe plano “A”, “A” de Alckmin. É nisso que estamos apostando, é nisso que estamos
trabalhando.

Diálogo com o MDB Nós temos muito respeito pelo Paulo Skaf como candidato do MDB. Além disso, é meu amigo pessoal. E o MDB como partido, como sigla, tem muita importância e representatividade em São Paulo. Nós temos um diálogo aberto. Quem sabe com a perspectiva de, nos próximos meses, ainda formarmos uma aliança, mas sempre respeitando o direito e os posicionamentos do MDB e do seu candidato Paulo Skaf. Mas sempre com portas muito abertas e diálogo frequente entre nós.

Renúncia à Prefeitura de São Paulo Primeiro que todas as promessas e os planos de metas são feitos para quatro anos e não um ano e três meses. Eu nem cheguei a completar dois anos como prefeito de São Paulo. Mas nós iniciamos todas elas, todas as metas foram iniciadas e algumas até cumpridas integralmente, nove delas foram cumpridas integralmente em prazo recorde, em um ano e três meses. E o Bruno Covas que é
o atual prefeito, meu sucessor, foi eleito com os mesmo votos que eu e irá completar todas
as obras e iniciativas que nós tivemos no plano de metas. Lembrando que também toda a
equipe da Prefeitura de São Paulo segue nas suas posições. Nós temos um grande time na
Prefeitura de São Paulo e um grande comandante, que é o Bruno Covas.

Plano para o Interior Nós estamos formando. Acabei de sair da reunião de um grupo de trabalho de agro, que tem na coordenação o ex-ministro Roberto Rodrigues e a ex-secretária Monica Bergamasso. É um time bom, que conhece o setor. E em todas as áreas – saúde, educação, habitação, segurança pública, cultura, esporte, segurança urbana, meio ambiente, agro, para citar somente alguns. Nós estamos com os melhores nomes que estão nos ajudando a compor um bom programa de governo e um bom programa de metas e muito oportunamente poderemos anunciar para vocês. Mas posso adiantar uma medida que vamos tomar  na primeira semana de governo, se eleitos, que é de recriação da Secretaria do Interior. Para gerenciar, agilizar e melhorar os procedimentos para que prefeitos e prefeitas do Interior tenham mais agilidade no atendimento dos seus pleitos junto às diferentes secretarias do Estado de São Paulo. Será uma pasta técnica, não política, não terá um político à sua frente. Terá uma estrutura técnica, pequena, enxuta, altamente eficiente. Primeiro, para orientar os prefeitos para que as suas solicitações estejam dentro dos parâmetros que o governo pode atender e legalmente bem apresentados e, depois, para garantir a agilidade no atendimento dos pleitos. Quero registrar aqui que gestão e velocidade, ao lado de transparência, serão três marcas do nosso governo.

Como montar o governo
Trazendo gente competente. Eu aprendi no setor privado que você tem que trabalhar em equipe e não solitariamente. Não há heróis solitários, há aqueles que são comandantes de bons times e boas equipes. Modéstia à parte, eu sei formar bom times. Fiz isso a vida inteira no setor privado e tive sucesso. Fiz isso na Prefeitura de São Paulo e, em um ano e três meses, realizamos mais em qualquer setor que o meu antecessor, Fernando Haddad, do PT, em quatro anos. E assim faremos no governo do Estado também: boa equipe, bom time, boas metas, agilidade, boa gestão e transparência.

Pupo, o incoerente 1

Numa coisa os políticos jamais decepcionam: nas suas incoerências. Na tarde desta sexta (18), na passagem de João Doria a Rio Preto, o vereador e delegado Renato Pupo (PSD) aparece bem à vontade fazendo o gesto de campanha do candidato tucano ao governo de São Paulo. Tudo muito normal, afinal o partido de Pupo está no arco de alianças de Doria. O problema é que, menos de 24 horas antes, o delegado ciceroneou na cidade integrantes do Sindpesp e Adpesp, entidades que representam os delegados de Polícia do Estado de São Paulo e que andam disparando críticas ferozes ao tucanato.

Pupo, o incoerente 2

Pupo, inclusive, integra a diretoria da Adpesp. Tanto o sindicato como a associação se uniram numa cruzada contra o que chamam de “continuísmo de uma política de 24 anos que destruiu a Polícia Civil no Estado de São Paulo”, com ataques nominais a Geraldo Alckmin, o ex-governador e presidenciável tucano. Em entrevista à CBN nesta quinta (17), por exemplo, Arnaldo Rocha Júnior (Sindpesp) e Gustavo Galvão Bueno (Adpesp) estavam acompanhado pelo delegado de Rio Preto. Ambos foram contundentes nos ataques “a uma ideologia em relação à segurança pública que precisa ser mudada”. Ou seja, o que defende o delegado e candidato a deputado estadual? As mudanças pregadas pela entidade que integra ou o “acelera Doria” da imagem ao lado?

Fofos demais 

Entre tantas gafes e fatos que chamaram a atenção na passadinha de João Doria por Rio Preto nesta sexta (18), chegam a ser divertidos os esforços do deputado estadual Vaz de Lima (PSDB) e do vice-prefeito Eleuses Paiva (PSD), respectivamente candidatos à reeleição e a deputado federal, para se enquadrarem na mesma imagem coladinhos ao ex-prefeito de São Paulo. A cada passo que o  candidato a governador dava, lá estavam os dois.  O melhor é que numa dessas fotos (confira na galeria ao lado), ambos (quem diria?) aparecem abraçadinhos. Pura ternura…

Visita de médico

E Doria improvisou a agenda de última hora e deu uma corridinha até a prefeitura para uma visita também relâmpago ao prefeito Edinho Araújo (MDB). Diante de um buraco inesperado na programação inicial com uma emissora de TV, o vice Eleuses Paiva achou a solução e intermediou o encontro. Segundo a coluna apurou, os tucanos “estimularam” a ideia. Edinho, diplomático, armou o circo no oitavo andar em tempo recorde.

E edinho ri…

Diferentemente do que tem feito com os deputados federais que pedem sua ajuda, Edinho foi mais gentil no caso de Dória. Simplesmente fez cara de paisagem quando o tucano pediu seu voto. Mas, assim que a visita virou as costas, o prefeito tratou de, rindo muito,  deixar sua posição clara. “Tenho candidato do meu partido. É Paulo Skaf. Ele que vou apoiar.” E ri mais um pouco…

Serelepes 

Mas entre fiéis e infiéis, Celso Peixão e José Carlos Marinho se superaram no segundo quesito. Os dois vereadores do PSB de Márcio França estavam mais serelepes que nunca ao lado do tucano. Sem falar no Pauléra, que Doria ainda chama de PaulÊra, assim, com e fechadinho.

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sábado(19)

 

 

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