Conexão Capivara: Um frangalho chamado Emurb

A situação da Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb) é muito pior do que se imaginava. Auditoria montada a pedido do prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB), e conduzida pelos secretários Angelo Bevilacqua (Fazenda) e Luís Roberto Thiesi (Administração) encontrou um órgão público totalmente bagunçado financeiramente e administrativamente. Há desde privilégios salariais injustificáveis a desvio de função – como, por exemplo, funcionário contratado para serviços gerais que fica na contabilidade. Isso sem contar, claro, os contratos firmados por carta-convite que chegaram ao ápice com a contratação de empresa que tinha como sócia uma funcionária da Emurb.

Três caminhos são analisados no momento. Um é fechar a Emurb e reabri-la novamente com novo nome, novo organograma e novas funções. Isso já foi feito pelo Edinho no passado, quando a Empresa Municipal Estação Rodoviária (Emer) deu lugar à própria Emurb. Outra solução seria transformar a Emurb em um departamento sob o guarda-chuva da Secretaria de Trânsito que ficaria responsável, por exemplo, pela Área Azul e a administração da rodoviária. A vantagem deste modelo é que as licitações – um dos principais problemas identificados até agora – seguiriam os mesmos critérios e padrões que são adotados na Prefeitura. O terceiro caminho é manter a Emurb como está, mas após uma extensa faxina administrativa e saneamento das finanças capengas da empresa.

Uma das novidades encontradas para as denúncias de fraude nos talões já está prestes a ir para as ruas: a adoção do QR Code (códigos impressos que são “lidos” com a ajuda da câmera do celular). Em parceria com a Empresa Municipal de Processamento de Dados (Empro), a Emurb planeja utilizar a tecnologia para evitar a circulação de talões falsos nas ruas de Rio Preto. A denúncia de que havia talonários fraudados foi feita ao Ministério Público pelo empresário Wagner Costa, da Innovare. Costa, aliás, foi um dos ouvidos nesta semana pela auditoria montada pelo prefeito.

A Conexão apurou ainda que Bevilacqua, presidente interino da Emurb, deve apresentar hoje (2) o relatório sobre os R$ 350 mil que foram destinados pela Prefeitura para a Área Azul Digital, mas haveria a suspeita de que teriam sido utilizados para o pagamento do 13º salário dos funcionários. A conclusão é de que os R$ 350 mil são, na verdade, insuficientes para a implantação do projeto todo – ou seja, será necessário gastar ainda mais que o previsto inicialmente.
A auditoria está na sua reta final. Bevilacqua pretende entregar o relatório técnico dentro de uma ou no máximo duas semanas. Aí ficará a cargo do prefeito, já no âmbito político, definir o que fazer: recriar a empresa do zero, trazê-la para dentro da administração ou tentar remendar esse frangalho chamado Emurb.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (2)

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS