Conexão Capivara – Um caminhão desgovernado

“Sem caminhão o Brasil para”, avisa a frase em letras garrafais nos para-choques que cortam o País de ponta a ponta. Ou vira o pandemônio que estamos vendo com apenas quatro dias de greve e manifestações dos caminhoneiros.

Chantagem ou não daquele cara que seguia pacato atrás do volante, concorde você ou não com os métodos adotados e a bandeira defendida – a redução no valor do diesel –, o fato é que esta movimentação vai afetar sua vida de um jeito ou de outro se uma solução urgente não aparecer.

Dhoje Interior

Somente em São Paulo, 20 rodovias registraram protestos nesta quinta (24). Postos de cidades da região como Rio Preto, Olímpia, Monte Aprazível e Votuporanga ficaram sem combustíveis. Nos que ainda tinham, os consumidores ficaram horas nas filas, sujeitos a práticas abusivas de preços.

Além do desabastecimento geral de alimentos e combustíveis, serviços essenciais também estão sendo afetados, como a segurança pública, por exemplo. A Polícia Militar de São Paulo anunciou nesta quinta mudanças no patrulhamento para economizar álcool e gasolina.

E isso vale para todas as cidades paulistas. O transporte coletivo urbano de Rio Preto, a exemplo de outras cidades, também se reorganiza, assim como a distribuição de correspondência, que deve ficar pior do que estava. Catanduva diz que os veículos oficiais do município só têm como rodar até sábado (26).

Basta abrir um site de notícias ou ligar a televisão para ver ao vivo e a cores cenas inimagináveis. E gente querendo faturar com a situação, como reajustes de preços injustificados.

Análises econômicas (fundamentais para entender o que acontece) à parte, um desconforto imenso vem do comportamento dos nossos políticos, em todas as esferas, que de forma oportunista e demonstrando total incapacidade de apresentar um discurso honesto às vésperas de eleição, mais tumultuam que tentam propor solução racional e justa para o caos. E, assim, insuflam ainda mais extremismos entre a população. Sim, uma passeada pelas redes sociais é suficiente para entender.

A greve dos caminhoneiros fez do Brasil, neste momento, um caminhão sem direção ou capacidade de construir solução, fruto de um governo que acabou antes da hora. Sem apoio popular, fora do jogo eleitoral e com deputados e senadores loucos para se descolarem de um governo paralisado, Michel Temer (MDB) não deu as caras nestes quatro dias de balbúrdia. Candidatos de segundo escalão, como Flávio Rocha (PRB), vêm a publico com discurso clichê do “roubaram tanto que a Petrobras teve de aumentar o combustível”. Raso e oportunista.

O problema é bem mais complexo e exige seriedade de todos os lados, inclusive de quem aproveitas-se do quadro para culpar os defensores do impeachment de Dilma Rousseff (PT). E assim, com os políticos mais preocupados com as urnas e um morto-vivo na presidência, o brasileiro não sabe muito no quê ou em quem acreditar. E paga o preço, como sempre.

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