Conexão Capivara: Ufanismo no ar

Foto: Guilherme Batista

Não teria como ser diferente: a prestação de contas da Prefeitura de Rio Preto, relativa ao ano de 2017, foi um misto de ufanismo, dados concretos, informações genéricas, omissões notáveis, promessas para 2018 e críticas ao governo anterior. Em evento ontem (20) no 9º andar, com a participação de secretários municipais, servidores e vereadores, o prefeito Edinho Araújo (PMDB) apresentou o balanço do seu governo e culpou o orçamento enxuto pelas principais dificuldades administrativas e políticas.

De acordo com o prefeito, o orçamento previsto estava acima do desempenho real que a economia apresentou no ano e por isso foram necessários cortes em vários serviços terceirizados. Mas acredita que 2018 trará um cenário mais favorável.

No balanço do 1º ano de mandato, entregue à imprensa, foram destacadas 15 metas definidas pelo governo. Metas essas que vão de ações concretas – melhoria do município no ranking ambiental do Estado e realização de mutirões na saúde – a outras absolutamente genéricas que dizem pouco ou quase nada – preocupação da Prefeitura com os vazios urbanos e integração das secretarias municipais. Acontecimentos sensíveis à população, como a suspensão de recursos que levou ao fechamento do hospital Ielar e a demissão de 500 anjos da guarda, passaram em brancas nuvens no material.

Há, também, promessas para o ano que vem. O Poupatempo da Saúde, que agora ganhou o nome oficial de Centro de Especialidades Médicas, aparece no balanço, mas com a promessa de que sairá do papel em 2018. Há, claro, críticas indiretas ao ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB). Como a revisão do programa do auxílio-atleta que, segundo o material distribuído à imprensa, agora “vai atender a quem de fato trabalha pelo esporte e pela comunidade”. Ou então nas palavras de Edinho ao comentar as obras antienchente: “Vamos realizar a microdrenagem, que não estava prevista no projeto original. Projeto bem feito redunda em obra bem feita. O que não pode é projeto mal acabado”.

Edinho passou maus bocados no primeiro ano de mandato e patinou em alguns setores, especialmente por conta dos cortes financeiros que decidiu fazer – o que desgastou sua popularidade. Mas a prestação de contas ontem ao menos não foi um muro de lamentações. O que se espera em 2018 é que, com o orçamento próximo da realidade e a economia dando alguns espasmos de melhora, a cidade possa deslanchar. Com mais qualidade de vida. E menos enchentes.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quinta-feira (21)

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