Conexão Capivara: Terra arrasada

Foto Divulgação

O efeito Bolsonaro dinamitou a representação rio-pretense na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Pela primeira vez em décadas, a maior cidade do Noroeste Paulista ficou sem representante no legislativo de São Paulo. Em Brasília, o único eleito foi Luiz Carlos Motta (PR) – que, apesar do domicílio eleitoral em Rio Preto, tem atuação mais destacada como presidente do Fecomerciários.

A onda bolsonarista foi avassaladora para os candidatos rio-repretenses. Na disputa pela Assembleia, a candidata Janaina Paschoal (PSL) foi a mais votada da cidade, com 29.690 sufrágios. Nove mil votos à frente de Orlando Bolçone (PSB), que buscava seu terceiro mandato como deputado estadual e ficou de fora. De forma até surpreendente, Renato Pupo (PR) foi o terceiro candidato mais votado na cidade – 15.803 -, ficando à frente de Vaz de Lima (PSDB) e João Paulo Rillo (Psol), que buscavam a reeleição. Mas não foi suficiente para garantir uma vaga no Legislativo paulista. Edinho Filho (MDB), filho do prefeito Edinho, também ficou de fora.

Quem se deu bem nas urnas foram Itamar Borges (MDB) e Carlão Pignatari (PSDB), os únicos dois deputados estaduais da região reeleitos. Catanduva também perdeu seus dois representantes: Beth Sahão (PT) e Marco Vinholi (PSDB).

Já na disputa pela Câmara dos Deputados, que contava com nomes de peso como o ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB) e o vice Eleuses Paiva (PSD), o efeito Bolsonaro foi mais sentido ainda. Valdomiro foi o mais votado em Rio Preto – 23.757 -, mas foi seguido na cidade de dois candidatos representando o presidenciável do PSL: Eduardo Bolsonaro (PSL) e Joice Hasselmann, respectivamente com 20 mil e 17 mil votos. Só depois apareceu Eleuses, com 13.992, seguido de Pedro Roberto (PRP), com 13.240 votos. Pela região, foram eleitos federais Fausto Pinato (PP), de Fernandópolis, e Geninho Zuliani (DEM), de Olímpia. Sinval Malheiros (Podemos) de Catanduva, que tentava a reeleição, ficou de fora.

Independentemente do que levou ao fiasco nas urnas, a verdade é que a eleição de 2018 vai ficar marcada como um desastre para a região e, especialmente, de Rio Preto em São Paulo e Brasília. Certamente a maior lacuna de representatividade do município em mais de duas décadas. Rio Preto perdeu, numa tacada só, três deputados estaduais – Bolçone, Rillo e Vaz. Em Brasília, trocou Rodrigo Garcia (do DEM, vice de Doria) por Motta. Mas é bom lembrar que, em 2014, havia elegido também Edinho Araújo, hoje prefeito da cidade.

Com isso, pleitos regionais – tal como a garantia da finalização da duplicação da BR-153, a criação da região metropolitana e o desvio dos trilhos do trem – ficaram mancos tanto na Assembleia quanto na Câmara dos Deputados. Democracia é isso: a vontade do povo. Mas que os próximos quatro anos serão difíceis para região sem representantes, isso serão.

Por – CONEXÃO CAPIVARA – Jornal DHoje Interior

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