Conexão Capivara: Temer não tem o que temer

Última pesquisa Ibope, contratada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada em 28 de setembro, mostra o presidente Michel Temer (PMDB) com aprovação de apenas 3% dos brasileiros. 77% acham o governo ruim ou péssimo. É a mais baixa aprovação de um presidente da República desde 1986.

Esses 3% da população, porém, são firmemente representados em Brasília pelos parlamentares eleitos pela região. Está marcada para hoje a votação da segunda denúncia apresentada pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra Temer. A acusação é certamente a mais grave feita com o presidente da República na recente história do País. O presidente foi denunciado com base em investigações da Polícia Federal que teria comprovado a existência do “quadrilhão do PMDB”, liderado por Temer. Segundo a PF, os valores movimentados atingem a casa dos impressionantes R$ 587 milhões, recursos desviados de operações com a Petrobras, a Caixa Econômica Federal, Furnas, o Ministério da Integração Nacional e até a Câmara dos Deputados.

Os dois deputados federais que restam à região devem votar mais uma vez pela suspensão da denúncia, como já fizeram em agosto em relação à conversa nada republicana entre o presidente e o empresário Joesley Batista – só para constar, o delator permanece preso e Temer continua no comando do País. Fausto Pinato (PP), de Fernandópolis, fez uma defesa apaixonada do presidente na Comissão de Constituição e Justiça. Já Sinval Malheiros (Podemos), que ainda não declarou voto, apoiou Temer na votação de agosto. Para eles, o presidente não deve ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Não fez nada de errado, na visão dos nossos dois representantes.

Até o ano passado, a região contava com outros dois deputados em exercício em Brasília: Edinho Araújo (PMDB), que renunciou para assumir a Prefeitura de Rio Preto, e Rodrigo Garcia (DEM), que está afastado do mandato para ocupar a Secretaria de Estado da Habitação. Caso estivessem na Câmara, seriam mais dois votos garantidos para Temer.

O que ocorre em Brasília é reflexo da apatia que tomou conta do brasileiro. Nem mesmo os R$ 12 bilhões em emendas parlamentares liberadas para os deputados seriam suficientes para enterrar a denúncia na Câmara caso a indignação tivesse tomado conta das ruas, como ocorreu no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O tal gigante que havia acordado caiu numa hibernação letárgica. Um sono profundo e sem sonhos, apenas pesadelos. Quando acordar, se é que vai acordar, verá que tais pesadelos se transformaram na realidade política do País.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quarta-feira (25)

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