Conexão Capivara: Tática de guerrilha

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“A retirada é igual ou mais importante que a operação em si”, diz o capítulo 9 do Mini-Manual do Guerrilheiro Urbano, escrito por Carlos Marighella em 1969, no auge da ditadura militar. Claro que a maioria dos vereadores de Rio Preto passa ao largo dos ensinamentos de Marighella, seja por questões ideológicas ou por desconhecimento mesmo, mas sem saber empregaram essa mesma tática para pressionar o prefeito Edinho Araújo (MDB). E parece ter dado certo.

A tal da “retirada” foi o estratagema utilizado pelos parlamentares para isolar o prefeito nos últimos meses. Seja em inaugurações de escolas ou assinaturas de ordem de serviço, a presença dos vereadores nestes atos públicos tornou-se quase nula – com exceção do presidente da Câmara, Jean Charles (MDB), que está em todas. Era visível o desconforto de Edinho com o quorum baixo de vereadores nos atos públicos realizados em seu gabinete.

A tática foi certeira. Edinho está cedendo aos poucos e resolveu abrir uma porta de diálogo com parte dos vereadores do falecido G9, que reclamam de ter apenas o ônus e não o bônus de ser governista. Ou seja: cargos na jogada. O primeiro aceno foi dado ao PR de Fabio Marcondes, que tem até uma secretaria municipal engatilhada: a do Trânsito, ocupada atualmente por Marcos Apóstolo, indicação do PSD. Pelas conversas iniciais, a troca ficaria para depois do recesso de julho e nenhum nome ainda foi oficialmente oferecido pelo PR ao prefeito. A única exigência de Edinho é que seja alguém técnico e que, principalmente, não seja um vereador. Importante ressaltar que a Guarda Municipal fica justamente sob o guarda-chuva do Trânsito.

A abertura dada ao PR teve uma injeção de ânimo com a recente visita do presidente da Fecomerciários Luís Carlos Motta, que é candidato a deputado federal pelo partido. E pode abrir caminho para outros partidos como o PP, que também cobram efetiva participação na composição do governo.

A tarefa de Edinho, com a inclusão dos neoaliados, será basicamente tourear os partidos com os quais venceu a eleição em 2016 – PSD, PRP, PRB, PPS e PMB. Com exceção de Gerson Furquim (PP) e Marco Rillo (PT), os demais 15 vereadores são vistos como possíveis integrantes de um blocão governista. Ainda que não falem a mesma língua entre si, como Renato Pupo (PSD) e Anderson Branco (PR).

Ironicamente, a ausência de vereadores nos eventos do gabinete teve efeito maior que a verborragia nas sessões da Câmara, o silêncio falou mais alto que a gritaria da tribuna. A guerrilha rio-pretense nada tem a ver com a luta de classes: tem a ver mesmo é com o poder.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quinta-feira (24)

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