Conexão Capivara: Sueli no olho do furacão

O Abraço da Capivara deste domingo é na secretária de Educação, Sueli Costa, que responde pela pasta com maior orçamento da estrutura municipal e tem sob sua tutela 38 mil alunos, 150 prédios, três mil funcionários, entre outros números superlativos.

Caloura nas demandas do jogo político, Sueli está no olho do furacão, tendo de lidar com a cobrança dos próprios pares, pressão de vereadores, corte em terceirizados que atuavam na segurança das escolas, invasões a unidades de ensino e, agora, o calote dado pela empresa que detém o contrato de limpeza em 457 funcionários. Se sobreviver ao batismo de fogo, ela provavelmente se fortalece. Mas corre também sério risco de ser engolida pela complexa engrenagem. Na entrevista abaixo, a secretária se mostra serena, mas também protocolar. Confira.

Quase 500 vigilantes demitidos. Unidades de ensino invadidas. Calote da empresa que cuida da faxina nas escolas, polêmica do projeto Escola sem Partido, vereador dizendo que não tem atenção da secretaria. A senhora se sente no olho do furacão?
Sueli Costa – Para mim não existe isso. Existem responsabilidades e problemas relativos ao cargo que assumo com muita tranquilidade e disposição para acertar e resolver. A Educação é muito grande e complexa, uma estrutura gigante e com muitas demandas. Mas vamos encarar de frente as situações adversas. Minha preocupação primeira é com o bem-estar e a educação dos nossos mais de 38 mil alunos da rede municipal.

A senhora acredita que a falta de experiência no jogo político atrapalha?
Sueli – Sou uma técnica por formação. Minha vida inteira trabalhei em salas de aula ou em cargos de coordenação. Confesso que nunca imaginei assumir um cargo político como esse. Mas quando convidada, pesei tudo, analisei e compreendi que, acima das questões políticas, existe a necessidade de cumprir o programa de governo do prefeito Edinho Araújo de construir uma escola de qualidade para nossas crianças.

A senhora parece ter apoio de seus pares, mas parte da categoria não gosta da interferência do secretário Israel Cestari na Educação. E que isso a fragiliza. Colocado tudo na balança, o comitê de assessoramento mais ajuda ou atrapalha?
Sueli – Para mim é motivo de orgulho representar meus colegas da Educação nesse cargo tão importante. Sinto-me gratificada por isso. Mas a minha escolha fez parte de um processo de transição, coordenado pelo secretário Israel Cestari Júnior que iniciou a construção do projeto que estamos implantando. Foram formadas as Câmaras de Formação Pedagógica, de Recursos Humanos e de Planejamento. Iniciou-se ali um importante projeto de democratização da educação em Rio Preto. Depois que assumi o cargo, formou-se o Comitê de Assessoramento, que tem ajudado muito na discussão de assuntos relevantes. Portanto toda ajuda para a condução de um bom processo educativo e administrativo é muito bem vinda.

A senhora teve liberdade para nomear seus auxiliares diretos?
Sueli – Total liberdade. Desde o primeiro contato com o prefeito Edinho Araújo até o presente momento sempre fui muito bem recebida e atendida. Busquei montar uma equipe de assessoria buscando, preferencialmente, pessoas competentes e capacitadas na própria rede. Minha convivência com essas pessoas em outros projetos facilitaram as escolhas.

A Maza já estava pisando na bola com entrega de material de limpeza. Porque a pasta demorou tanto para agir?
Sueli – Não houve demora alguma. O contrato de uma empresa privada com o setor público, após uma licitação é muito complicado. Existem ações e prazos que devem ser tomadas antes de uma rescisão unilateral de contrato. No caso da Maza não foi diferente. Nestes sete meses de contratos fizemos cinco notificações à empresa, com advertências por descumprimento do contrato e multa. Agora, aguardamos o fim do prazo de recurso para rescindir o contrato. Portanto, agimos de pronto e dentro do que exige a lei.

Qual a posição da senhora sobre o projeto Escola Sem Partido. Objetivamente falando.
Sueli – Sou favorável à Educação que atenda aos princípios constitucionais e às diretrizes curriculares que regulamentam os Sistemas de Ensino Nacional, Estadual e Municipal, à escola que forma o aluno com criatividade para atuar como cidadão na sociedade.
A senhora atua há três décadas como professora. Quais as principais diferenças e dificuldades em atuar como técnica e agora ocupar um cargo político?
Sueli – São mundos diferentes, porém totalmente compatíveis. Hoje, estou tendo a oportunidade de aplicar toda experiência que acumulei como professora e coordenadora no cargo político que estou ocupando.

Dentro de tantos atropelos dentro da sua secretaria em tão pouco tempo, pensou em algum momento em pedir demissão ao prefeito Edinho Araújo?
Sueli – Como já mencionei, os problemas são normais e naturais num universo de mais de 38 mil alunos, quase 150 prédios escolares, de 135 mil refeições servidas por dia na merenda e com mais de três mil funcionários. Quando aceitei o desafio sabia de tudo isso. Não faz parte do meu projeto de vida fugir de desafios. Confio em Deus e no meu trabalho. Agradeço o apoio da minha família e dos meus colegas da rede municipal e, principalmente ao prefeito Edinho que me proporcionou essa oportunidade.

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sábado (18)

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