Conexão Capivara: Sonho de Ícaro

O secretário do Estado da Habitação, deputado federal licenciado Rodrigo Garcia (DEM), insistiu ontem (22) que mantém de pé sua pré-candidatura ao governo de São Paulo. Em entrevista, ele destacou que há 24 anos o Estado de São Paulo está nas mãos do PSDB e que foi basicamente revezado entre Mário Covas, Geraldo Alckmin (de quem Rodrigo é secretário) e José Serra. E acredita que agora há um espaço aberto para uma renovação. “O DEM tem expressão, queremos uma candidatura ao governo e meu nome foi colocado”, disse o secretário. “Temos unidade dentro do partido em torno desta candidatura, sem contestação”.
Alguns analistas políticos acreditam que as declarações de Rodrigo são apenas cortina de fumaça para elevar o passe e valorizar a reeleição a deputado em 2018. Mas, se for isso, o secretário corre o risco de se aventurar em uma estratégia suicida, politicamente falando. Cada vez que vem a público afirmar que será candidato ao governo, Rodrigo desmobiliza sua base política por todo Estado.
Não se enganem: a um ano das eleições, as articulações em busca de aliados – prefeitos, assessores e apoiadores em geral – estão a todo vapor. Deputados com mandato e políticos que querem se lançar em 2018 tentam se viabilizar junto às suas bases eleitorais, costuram apoios e firmam compromissos nos municípios. Se Rodrigo resolver recuar daqui alguns meses e optar pela reeleição, pode ser tarde demais. A não ser, claro, que tenha em mente outras opções: entre elas a de candidato a vice-governador, em uma chapa encabeçada pelo PSDB, ou de candidato ao Senado pelo DEM.

A cada declaração de que vai tentar o governo do Estado, Rodrigo Garcia enfraquece sua base de apoio nos municípios em torno de uma possível candidatura a deputado federal

Ainda que os políticos insistam publicamente no discurso da dinamicidade da política e que as eleições ainda vão demorar um ano, nos bastidores as movimentações são muito intensas. E Rodrigo sabe que, se quiser repetir os 336 mil votos que obteve na última eleição a deputado federal, não pode sustentar por muito tempo a ideia de que vai buscar o governo do Estado. A não ser, claro, que para ele a Câmara dos Deputados já tenha ficado para trás definitivamente – o que vai abrir uma avenida de votos na região, já que serão dois deputados a menos em relação a 2014: o próprio Rodrigo e o prefeito Edinho Araújo (PMDB). Mas o secretário precisa tomar cuidado para não acabar como Ícaro, aquele personagem da mitologia grega, que tentou voar alto demais e acabou queimando suas asas.

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