Conexão Capivara: Solteirões com aliança no dedo

Com menos da metade da atual legislatura cumprida, pelo menos cinco, dos 17 vereadores da Câmara de Rio Preto, se relevam “acorrentados” a um casamento falido com seus respectivos partidos. O processo eleitoral em andamento não é o único, mas o principal termômetro desta crise, em que cada um decidiu seguir seu rumo à revelia da legenda que integra.

Celso Peixão e José Carlos Marinho foram os primeiros a sinalizarem, mal fechadas as urnas em 2016, que já estavam “dormindo em quartos separados” em relação ao PSB. A prova veio com os apoios às candidaturas a deputado estadual e federal fora da legenda. No caso, ambos estão no barco de Vaz de Lima (PSDB) para estadual e se dividem, respectivamente, entre Eleuses Paiva (PSD) e Luiz Carlos Motta (PR) na briga a federal.

Jean Dornelas (PRB), empenhado nas candidaturas de Carlão Pignatari (PSDB) a estadual e Fausto Pinatto (PP) a federal, chegou a protagonizar uma DR pública por meio dos veículos de imprensa com o presidente municipal do partido, Diego Polachini.

Jorge Menezes e o PTB é um outro caso consumado de casamento falido em que as partes já se declaram liberadas para fazerem o que bem entendem. O vereador se diz “sacaneado” pelo partido e afastado das decisões internas. “Nunca nem ouvi falar”, respondeu ele, por exemplo, quando questionado sobre o fato de o PTB ter lançado uma candidata a deputada federal por Rio Preto, Gisela Mariana. Enquanto isso, seus esforços pessoais também vão para Eleuses.

E tudo indica que o mais recente parlamentar a entrar no clube dos casamentos forçados com poucas possibilidades de reversão no divã dos acordo políticos é Zé da Academia (DEM), uma das grandes surpresas a sair das urnas na briga pelo Legislativo nas últimas eleições municipais.

Zé, que abraçou a dupla Eleuses e Vaz, se diz desprestigiado na legenda a ponto de não se sentir entusiasmado nem mesmo com as candidaturas majoritárias que a legenda defende.
E olha que Rodrigo Garcia, o cacique todo poderoso do DEM em âmbito estadual, é simplesmente vice na chapa de João Doria (PSDB) ao governo paulista.

E todos deverão seguir assim, “infelizes”, porque oficializar o divórcio demanda um custo muito alto a pagar: a inevitável perda do mandato. A janela partidária para que isso ocorra sem risco ocorre somente no período que antecede novas eleições para o posto, ou seja, daqui a dois anos. Ainda que haja um acordo entre a direção partidária, que pode entender como “livramento” o fim da união, o suplente e o Ministério Público podem requerer o cargo, segundo a Legislação.

Com exceção da janela partidária, a desvinculação só poderia ocorrer sem riscos nos casos de fusão partidária e criação de uma nova legenda, duas situações objetivas. Ou, então, nos casos de “mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário” e ainda “grave discriminação pessoal”.

E assim, cresce na Câmara o bloco dos “solteirões” com aliança no dedo anular da mão direita.

Clique aqui e confira a coluna na íntegra deste sábado (15)

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