Conexão Capivara: Sindicatos ao ataque

Sindicatos que representam os servidores municipais estão em franca rota de colisão com o poder público em Rio Preto. Após abertura da CPI aberta na Câmara para investigar o Sindicato dos Servidores Municipais, o mais novo capítulo desta batalha tem a participação direta da Central Sindical e Popular (Conlutas). A central, que reúne mais de uma centena de sindicatos espalhados pelo País, resolveu meter a colher no inquérito aberto contra a Prefeitura na Justiça do Trabalho sobre suposto assédio moral contra funcionários da Educação.

O inquérito já havia sido instalado a pedido do Sindicato dos Trabalhadores da Educação Municipal (Atem). A Conlutas, central à qual a Atem é ligada, pediu ontem (11) que o Ministério Público do Trabalho entre com uma ação civil pública exigindo que a Prefeitura seja condenada por “utilizar o aparato do Estado para perseguir funcionários”. O sindicato ameaça fazer uma denúncia na Organização Internacional do Trabalho (OIT) contra o prefeito Edinho Araújo (PMDB).

O embate entre Prefeitura e Atem atravessa governos. Ainda na administração Valdomiro Lopes (PSB), foram abertas 122 sindicâncias contra professores que participaram de uma paralisação em abril de 2016. Contra a direção da Atem, mais 15 processos administrativos.

Neste ano, Edinho transformou as 122 sindicâncias de Valdomiro em 122 processos administrativos, cuja punição pode variar entre uma simples advertência até a demissão do servidor. O atual prefeito ainda abriu outras três ações internas contra o diretor do sindicato, Fabiano de Jesus. “O que a Prefeitura está fazendo é perseguição por opiniões políticas e utilizando o aparato do Estado para reprimir a livre organização dos trabalhadores”, disse Jesus.

O secretário de Governo, Jair Moretti, afirmou que não há perseguição. “Eles estão enganados, o processo todo começou no governo Valdomiro. Todo o procedimento foi feito no governo anterior. A partir daí, o prefeito Edinho não poderia fazer nada, sob pena de estar prevaricando. Todo mundo está sendo ouvido. Se acham que estão sendo injustiçados, que vão para justiça. Ninguém está tolhendo o direito das pessoas de se manifestar”, disse Moretti.

A verdade é que tanto a Prefeitura quanto a Câmara estão em pé de guerra com os dois sindicatos mais representativos dos servidores municipais de Rio Preto. Nem ao céu, nem à terra: é inaceitável qualquer tipo de perseguição a funcionários por opiniões políticas, assim como é inadmissível que um sindicato seja movido por politicagens. Caberá à Justiça, no final das contas, fazer claramente essa distinção.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta terça-feira (12)

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