Conexão Capivara: Sim, vai ter segundo turno

SIM, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin (PSDB) está sendo traído sem constrangimento por parte de aliados oficiais de palanque diante da imobilidade dele nas pesquisas.

A atividade em Rio Preto na quinta (28) é prova inconteste da falta de empolgação das lideranças que apoiam o tucano. Alckmin chegou com o comércio já fechado e foi recepcionado apenas por políticos, assessores e cabos eleitorais. Nem precisa ser perspicaz para avaliar que bastava um pouco de empenho de legendas como o PRB (com forte penetração entre o fiel eleitorado evangélico), o PSDB (dono de estrutura poderosa na região) ou o DEM (que sabe como conseguir plateia quando precisa) para que o ex-governador tivesse a quem tentar conquistar.

SIM, o desembarque antecipado dos parceiros de empreitado de Alckmin, que têm pavor da ideia de ver o PT voltar ao poder depois de todo o trabalho para apear Dilma Rousseff, está engrossando ainda mais o exército de apoiadores de Jair Bolsonaro, o presidenciável do PSL.

SIM, por aqui, geograficamente falando, também é inevitável a sensação de que a fatura pode ser encerrada no próximo dia 7 de outubro em favor do capitão da reserva. Para confirmar isso, basta, por exemplo, passar por rodas de lojas maçônicas, igrejas, clubes de serviços como Rotary, associações de classes como a dos médicos ou advogados, clubes voltado para a classe média como Monte Líbano ou os mais elitistas Harmonia e Clube do Golfe.

NÃO, apesar dessa onipresença do capitão da reserva por estas bandas do Estado, “é impossível”, segundo especialistas em consultoria política e pesquisas eleitorais ouvidos pela coluna, a disputa presidencial ser vencida por qualquer candidato que seja, dada a configuração do cenário nacional, num único turno. Ou seja, o País está dividido e vai ter segundo turno.

“Não tem como, pelos números apresentados até agora, a não ser que aconteça um tsunami, que não tenha um segundo turno”, diz Carlos Manhanelli, presidente da ABCOP (Associação Brasileira dos Consultores Políticos), que atua em campanhas eleitorais há 44 anos.

Ponto de vista reforçado por Fábio Gomes, sociólogo, escritor e dono de empresa de pesquisa. “Não bate a conta. Mais ainda. Não está descartado, pelo cenário apresentado hoje, uma inversão nas posições entre Bolsonaro e Fernando Haddad (PT), primeiro e segundo colocados, respectivamente, segundo os dois últimos levantamento Ibope.”
Isso porque, explica Gomes, o abandono de Alckmin e o domínio de Bolsonaro nas cidades interioranas ou com cultura rural-católica são fatos incontestáveis. Mas estas áreas, segundo ele, não representam a maioria do eleitorado brasileiro, que está nos grandes centros. “E nestes grandes centros, pelo que vemos nas pesquisas, é forte a reação de Haddad nas comunidades mais pobres”, completa.

IMPOSSIVEL, no entanto, segundo opinião de ambos, medir com pesquisas, agora, o que vai acontecer no segundo turno. “Segundo turno é uma nova eleição. Vai depender das composições partidárias, quem cada partido derrotado vai apoiar, ou não. E a realidade muda totalmente, porque ambos terão condições iguais de tempo na televisão e de exposição na mídia espontânea”, afirma Manhanelli.

Esse é o cenário hoje, mas não dá para descartar o fato de que esta é uma eleição marcada por reviravoltas inimagináveis, não é mesmo?

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sábado (29)

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