Conexão Capivara: Rodrigo, o vice

Não era blefe, afinal: depois de afirmar que não seria candidato à reeleição na Câmara dos Deputados e lançar seu nome ao Palácio dos Bandeirantes, o deputado rio-pretense Rodrigo Garcia (DEM) conseguiu cavar a vaga de vice na chapa de João Doria (PSDB) para o governo do Estado.

O acordo entre PSDB e DEM, aliados históricos em São Paulo, foi costurado nas últimas semanas e será selado oficialmente nesta quinta-feira (14), na Capital. Ainda não se sabe ao certo se o nome de Rodrigo será anunciado hoje, mas o posto de vice na chapa tucana já está mais que certo.

A confirmação do parlamentar rio-pretense ao lado de Doria passou por articulações intensas nos últimos meses e teve como protagonistas, além do PSDB e do DEM, o MDB, o PSD e o PRB. O PSDB tentou atrair o ex-presidente da Fiesp Paulo Skaf (MDB), que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto – atrás do tucano –, com o objetivo de formar uma chapa forte e, quem sabe, liquidar a fatura eleitoral ainda no primeiro turno. Como o emedebista se mostrou irredutível, começou o namoro com o DEM de Rodrigo Garcia, com o apoio ativo do presidente nacional do PRB, Marcos Pereira.

O outro obstáculo seria convencer o PSD, que já havia declarado apoio a Doria, a desistir do posto de vice prometido pelo partido. A indicada do PSD de Gilberto Kassab e Eleuses Paiva para caminhar com os tucanos era Alda Marco Antonio. Depois de muitas conversas e com a promessa de que poderia indicar alguém da legenda para o Senado, o PSD entendeu que a melhor opção era mesmo atrair o DEM com o posto de candidato a vice-governador.
Três pontos pesaram na indicação de Rodrigo Garcia. Um deles, obviamente, foi garantir a estrutura partidária e o tempo de rádio e TV do DEM. O outro foi apostar em um nome do Interior, em contraposição à imagem excessivamente cosmopolita do ex-prefeito paulistano. E, por fim, o perfil jovem de Rodrigo, hoje com 44 anos.

A costura do PSDB com o DEM em São Paulo pode ter um efeito “dois em um” e impactar até mesmo a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) a presidente da República, já que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), desistiu de se lançar ao Planalto e vai mesmo tentar a reeleição. É claro que se trata de uma composição mais delicada, já que não envolve somente o Estado de São Paulo. Mas a adesão do DEM pode ser uma injeção de ânimo na ainda cambaleante candidatura do ex-governador paulista. Se fará muita diferença na hora do voto, aí são outros quinhentos.

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