Conexão Capivara: Raras novidades

Há meses dirigentes de partidos tradicionais de Rio Preto – ou legendas menores, mas com representatividade consolidada – iniciaram uma verdadeira caçada a nomes “novos” para as eleições proporcionais (deputados federal e estadual) deste ano. Na maioria absoluta dos casos, a empreitada foi um fracasso.

Para se ter um ideia, a cinco meses do pleito, os chamados partidos grandes, como MDB, PT, PSDB e DEM, ainda não cravaram 100% uma candidatura local para a Câmara Federal, por exemplo. Sem tanta tradição, mas com dois vereadores no Legislativo local, o PRB também tentou, mas acabou fechando com um nome importado, o ex-ministro Marcos Pereira.

Dhoje Interior

O PMDB, outro caso ilustrativo, vem com Edinho Filho, herdeiro de Edinho Araújo, como novidade à corrida a deputado estadual, mas jogou a toalha na busca por alguém disposto a encarar a batalha por vaga em Brasília. E olha que o partido tem todos os “órfãos” do atual prefeito para trabalhar.

Pedro Nimer, presidente do diretório municipal do MDB, confessa que já ouviu “nãos” suficientes para concluir que será muito difícil montar dobrada puro-sangue por aqui. “Mas temos bons quadros de fora para apoiar como deputado federal”, disse ele à coluna.
O PT não só carece de um nome que possa entrar na corrida a federal ao menos como figurante, como também perdeu João Paulo Rillo (agora Psol) na briga por cadeira na Assembleia Legislativa. Eni Fernandes voltou à sigla, mas jura que não é candidata a nada. Ainda que seja, é revival.

O deputado estadual Vaz de Lima, presidente local do PSDB, segue criando suspense sobre a mulher, Ivani Vaz de Lima, a federal, mas ainda não bateu o martelo. Ainda que a candidatura dela vingue, trata-se de uma possível e literal solução doméstica diante da falta de um nome de fato fora da caixinha.

O DEM é uma incógnita total à espera das negociações no andar de cima, que vão definir o destino de Rodrigo Garcia. Este tem garantido que, se realmente se lançar a voos maiores, o partido terá “outro nome” para trafegar na via a federal. Mas a tal carta na manga dificilmente surpreenderá em ternos de fato político inédito.

A dificuldade em surfar na onda da “novidade” se deve, na avaliação de dirigentes partidários, ao temor das pessoas desacostumadas ao universo político diante do quadro de escândalos e prisões desenhado hoje no País. E também à complexidade para os financiamentos de campanha.

E aí surge se anuncia um paradoxo quando se as urnas forem abertas em relação ao que o eleitorado revela nas pesquisas eleitorais ou diz em redes sociais. Ainda que a grita seja por renovação, muitos, como Nimer, acreditam que esta eleição vai ser ainda mais fácil do que já foi no passado para quem já tem mandato. Afinal, quem está dentro quer ficar e quem está fora não se sente animado a entrar.

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